Paulinho Paiakan, liderança Kayapó, morre vítima do novo coronavírus

Paulinho Paiakan, no Encontro dos Povos Mebengokrê (Foto: Midia Ninja/Cobertura Colaborativa)

Paulinho Paiakan importante liderança indígena da etnia Kayapó morreu nesta quarta-feira (17) em Belém, no Pará, vítima do novo coronavírus. Paiakan foi importante figura na luta pela demarcação do território do seu povo, contra invasões de grileiros e na denuncia dos impactos do projeto hidrelétrico de Belo Monte, no Pará, mas caiu no ostracismo após ser condenado por estupro.

Na semana passada, ele teria dado entrada no hospital de Redenção com sintomas do novo coronavírus e, após agravamento do quadro clínico, transferido para o hospital Regional Público do Araguia, onde faleceu.

Paiakan foi um dos primeiros Kayapós a aprender português, quando ainda jovem foi levado por missionários para Altamira. Atuou junto a Fundação Nacional do Índio em 1972 e defendeu o território indígena ao lado de importantes figuras do indigenismo e organizações. Em 2008, ao lado de Raoni e outras lideranças Kayapó, conseguiu a homologação de Terra Indígena onde hoje vivem cerca de 12 mil pessoas.

Durante o governo Sarney, foi perseguido por sua oposição ao projeto hidrelétrico de Belo Monte no Pará. Após visita a Washington, ao lado de Kube-i, denunciou o projeto e a ausência de consulta pública aos povos indígenas que teriam seus territórios impactados. Ao voltar ao país, foi interrogado pela Polícia Federal acusado de causar danos à imagem do país.

Em 1992 foi acusado de estrupo pela estudante Silvia Letícia da Luz Ferreira. Foi preso preventivamente até 1994 e após soltura o Ministério Público Federal entrou com recurso. Em 1998 foi condenado por unanimidade pela 2º Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Pará. Sua esposa, Irekrã, foi acusada de ter agredido e facilitado a ação do marido. Foi condenada a quatro anos de detenção em regime semiaberto.

Fonte: Amazônia.org.br

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