Produção de soja em áreas desmatadas na Amazônia cresce cerca de 38%, aponta estudos

O Estado do Mato Grosso exporta cerca de 81% de soja cultivada de forma ilegal

O cultivo de soja em áreas desmatadas no bioma amazônico após 2008, em desacordo com a Moratória da Soja, cresceu na safra 2018/19, cerca de 38% em vista da temporada anterior. No total, 88.235 hectares do grão foram plantados sem conformidade com o pacto ambiental, de acordo com relatório da Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove).

O Estado do Mato Grosso lidera o ranking com 67.940 hectares de soja que não atenderam às regras da Moratória, o que corresponde a 77% da oleaginosa e a 6,4% do total da área desflorestada no estado, no bioma Amazônia, com 1.065.405 ha. A expansão em áreas desmatadas após 2008 está concentrada no norte de Mato Grosso e em imóveis com mais de 100 hectares. Os pesquisadores estimam que 81% da soja produzida em fazendas com desmatamento ilegal em Mato Grosso foi exportada.

No Pará, verificaram-se 12.811 ha de soja, em seguida Rondônia com 2.911 ha de soja, Maranhão com 4.505 ha. No estado de Tocantins, não foi identificada soja em desacordo com a Moratória. Em Roraima e Amapá, a área de soja em desacordo foi de apenas 9 e 59 ha, respectivamente. Nesses estados, a expansão da soja ocorre majoritariamente por meio da conversão de vegetação nativa de formação não florestal e, portanto, não mapeada pelo PRODES, nem monitorada no contexto da Moratória.

A Moratória da Soja é um compromisso para produzir soja livre de desflorestamento no bioma Amazônia, valorizando a sustentabilidade ambiental da Cadeia da Soja, nos mercados nacionais e internacional. O Código Florestal de 2012 responsabiliza o produtor por uma parcela considerável da vegetação nativa nas propriedades rurais e a Moratória da Soja vem atuar reforçando a legislação ambiental brasileira para priorizar o plantio de soja em áreas desflorestadas, em data anterior à Moratória eliminado a prática de novos desflorestamentos destinados ao cultivo de soja no bioma.

As empresas representadas pela Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove) e pela Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) se comprometeram a não comprar soja de fazendas onde houve plantio em áreas que foram desmatadas no bioma Amazônia após 2008, mesmo que tenha sido dentro da lei.

Desde a vigência do acordo, a área de soja fora de conformidade tem crescido ano a ano, o aumento nominal da safra passada foi o maior da série. Boa parte da soja plantada em áreas desmatadas após 2008 está sendo comprada por empresas que não são signatárias da moratória, muito porque as tradings signatárias não consideram que o crescimento da inconformidade afeta a credibilidade da moratória.

Uma petição online com mais de 300 mil assinaturas pede que três redes de supermercado da Alemanha parem de comercializar produtos brasileiros por causa do risco de aumento do desmatamento da Amazônia com o projeto de lei 2633/20, batizado pelos críticos de “PL da Grilagem”.

O estudo para o monitoramento da Moratória da Soja utilizou conjuntos de imagens de satélites de sensoriamento remoto e com resoluções espaciais e temporais complementares. Para complementar as análises realizadas no monitoramento, utilizou-se a base de dados dos desflorestamentos ocorridos no bioma Amazônia durante a Moratória, disponibilizada pelo PRODES, além de outras bases de dados das seguintes instituições: Agrosatélite, Fundação Nacional do Índio (FUNAI), Ministério do Meio Ambiente (MMA), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).

Fonte; Amazônia.org.br

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