Resumo da Semana


– Coronavírus ameça povos tradicionais
Investidores europeus ameaçam desinvestir no Brasil
Avaliando os compromissos de sustentabilidade da carne
Soja com desmatamento
Belo Sun é inviável

Coronavírus ameça povos tradicionais

O Brasil tem 978.142 casos confirmados do novo coronavírus e 47.748 óbitos segundo o Ministério da Saúde. Ao menos 287 índigenas já perderam a vida em decorrência do novo vírus. Além da ameça do vírus, as comunidades dizem que invasores aproveitam a pandemia, com menos fiscalização, para entrar nos territórios. 

No Pará, desde o dia 22 de maio, sete indígenas morreram na Terra Indígena Xikrin do Cateté, onde há 270 casos positivos em uma população com menos de 2 mil pessoas, uma letalidade 40 vezes maior que a do Brasil.

Paulinho Paiakan importante liderança indígena da etnia Kayapó morreu nesta quarta-feira (17) em Belém, no Pará, vítima do novo coronavírus. Paiakan foi importante figura na luta pela demarcação do território do seu povo, contra invasões de grileiros e na denuncia dos impactos do projeto hidrelétrico de Belo Monte, no Pará, mas caiu no ostracismo após ser condenado por estupro. 

Quilombolas também estão enfrentando problemas. De acordo com o boletim epidemiológico do Observatório da covid-19, já são 721 casos de quilombolas contaminados no Brasil e 80 óbitos. A taxa de letalidade entre essa população é de 11,09%, mais que o dobro da média nacional, que está em 4,9%.

Investidores europeus ameaçam desinvestir no Brasil

Sete grandes empresas de investimento europeias disseram à Reuters que desinvestirão em produtores de carne, operadoras de grãos e até em títulos do governo do Brasil se não virem progresso rumo a uma solução para a destruição crescente da Floresta Amazônica.

Em setembro, 230 investidores institucionais assinaram uma carta pedindo ações urgentes para combater os incêndios em crescimento na Floresta Amazônica, capturando a atenção mundial. Storebrand, AP7, KLP, DNB Asset Management, Robeco, Nordea Asset Management e LGIM – foram mais longe ao delinear a ameaça do desinvestimento se não houver avanço. Elas detêm mais de US$ 5 bilhões em investimentos ligados ao Brasil. 

A assessoria de imprensa do presidente Jair Bolsonaro não quis comentar as preocupações dos investidores. 

Investigação da Repórter Brasil mostra como bois de fazendas desmatadas no Mato Grosso escapam ao controle de frigoríficos como a JBS e revela como ainda não há garantias de que a carne de qualquer frigorífico seja 100% livre de desmatamento.

Avaliando os compromissos de sustentabilidade da carne

Na próxima semana um estudo que avalia os 10 anos do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) da Carne e o Compromisso Público da Pecuária (CPP) será lançado oficialmente pela Amigos da Terra – Amazônia Brasileira. O BroadCast Agro, do Estadão, publicou os dados com exclusividade. 

Segundo o levantamento, o principal gargalo no Pará – Estado foco do estudo – é a dificuldade de rastrear toda a cadeia produtiva de bovinos de corte para, assim, ter a certeza de que eles não foram criados em áreas desmatadas ilegalmente ou em fazendas que utilizam mão de obra análoga à escravidão, entre outras exigências sociais e ambientais do TAC da Carne e do CPP.

E outra matéria do mesmo portal fala sobre o Grupo de Trabalho sobre Fornecedores Indiretos (de gado de corte), o GTFI que surgiu para  tentar desenvolver mecanismos de monitoramento de fornecedores indiretos e assim combater o desmatamento ilegal na cadeia produtiva.

Soja com desmatamento

Mato Grosso é o maior produtor de soja do Brasil e está exportando produtos de áreas desmatadas ilegalmente. Dados divulgados na quinta-feira passada apontam que 20% da soja que chega à União Europeia e China são provenientes de fazendas com derrubada irregular de vegetação tanto da Amazônia, quanto do Cerrado e Pantanal.

Os dados foram desenvolvidos pelas ONGs Instituto Centro de Vida (ICV), Imaflora e pela Trase, organização que busca dar transparência para cadeias de produção de commodities e foram divulgados pelo jornal Folha de São Paulo.

E ainda segundo matéria do jornal jornal Valor Econômico, o cultivo de soja em áreas desmatadas no bioma Amazônia após 2008, e portanto em desacordo com a Moratória da Soja, cresceu na safra 2018/19 e reforçou a tendência ascendente da última década. A expansão em áreas desmatadas após 2008 está concentrada em um perfil específico de propriedade: majoritariamente no norte de Mato Grosso e em imóveis com mais de 100 hectares.

Belo Sun é inviável

Um parecer revela graves lacunas no projeto da mineradora de ouro canadense que pretende se instalar na Volta Grande do Xingu (PA). Com grande probabilidade de falha na barragem, rejeitos podem atingir o rio Xingu em sete minutos

Fonte: Amazônia.org.br

Deixe um comentário