Você não pode fugir do seu destino!

Alguns anos atrás surgiram os Amazon Guerreiros da Amazônia. Quem são eles? Jovens escolhidos pelo Templo da Luz para proteger a Floresta Amazônica.

A trilogia dos livros lançados em 2009, 2012 e 2015 conta a história dos Amazon, um grupo de super-heróis que receberam poderes de animais da Amazônia para protegê-la. Foi escrita por Ronaldo Barcelos, com o intuito de levar informação sobre a Amazônia de forma simples e educativa para as crianças, logo após ele perceber que quando o assunto era a região amazônica a maioria das ONGs e a imprensa se preocupavam em comunicar apenas com os adultos.

O projeto já recebeu mais de 13 prêmios internacionais, em 2013, venceu o prêmio Hugo Werneck na categoria: “Melhor Exemplo em Educação Ambiental”. Entre 2017 e 2018 conquistou prêmios nos 7 maiores festivais de publicidade do mundo, incluindo 2 Leões no Festival de Cannes, na França.

Além dos livros, uma série com 10 episódios foi lançada em 2018 em parceria com o Ministério da Educação (MEC), possui uma abertura que fixa na mente: “A flor do sol é um cristal mágico que deu origem a armaduras com poderes de animais da Amazônia. Esse cristal escolheu seus protetores, escolheu os seus guerreiros da Amazônia. Jovens com a missão de salvar a floresta da devastação”. A série aborda temas importantes e atuais como garimpo ilegal, desmatamento, incêndio florestal, reflorestamento, atividade madeireira e sobre a cultura dos povos da floresta.

Confira a entrevista concedida pelo autor da trilogia dos Guerreiros da Amazônia, Ronaldo Barcelos

Amazônia.org: Como surgiu o projeto Guerreiros da Amazônia e quais os principais assuntos abordados?

Ronaldo Barcelos: Há 20 anos, como publicitário, percebi que a maior parte dos esforços de comunicar Amazônia eram para os adultos. Pensei em como poderia falar para as crianças, divertindo e educando pela emoção. Comecei a viajar para Amazônia, ler e pesquisar. O resultado foi uma trilogia com os livros lançados em 2009, 2012 e 2015. O argumento foi idealizado a partir da percepção de três fatores: grande parte da população brasileira desconhece a região Norte e a Amazônia, a maioria das ONGs e a imprensa comunicam com foco nos adultos e não existem muitas alternativas sobre a temática para as crianças. Abordamos assuntos diversos sobre Amazônia continental com foco na biodiversidade, clima, origem de produtos consumidos, corrupção, política, povos, geografia, lendas, escola, comidas, danças e cultura em geral. Tentamos resgatar valores e contribuir para educação básica. Os jovens heróis despertam o amor pelo nosso país e pela Amazônia, elevando a autoestima e o sentido de pertencimento nas crianças. A proposta é informar sobre a natureza revelando não só os problemas, mas as riquezas e mostrar que a floresta é composta por diversos tipos de habitantes ou povos, que possuem conhecimento ancestral e podem nos guiar pelos melhores caminhos.

Tivemos o cuidado e sensibilidade de dar exemplo na produção dos livros, são os primeiros do mundo com certificação de Carbono Neutro. A produção dos exemplares foi compensada com o plantio de árvores na Reserva do Uatumã, na Amazônia, em virtude da emissão de carbono (gases do efeito estufa) na utilização da energia elétrica, da quantidade de papel, da tinta da impressão e afins. Todos os livros da trilogia Amazon são certificados pelo IDESAM.

Sabemos que os projetos de artes brasileiras enfrentam dificuldades para receberem visibilidade, ainda mais quando o tema é o meio ambiente. Qual sensação tiveram ao ganhar 13 prêmios internacionais entre 2017 e 2018 e quais os outros prêmios que receberam ao longo da trajetória do projeto?

Sim, também sofremos com essa dificuldade de apoio e visibilidade! Já evoluí e tive contato com diretores e presidentes de grandes corporações mundiais, eles adoram o projeto, mas temem pela associação de imagem e críticas…

Os prêmios contribuíram para nossa entrada no MEC – Ministério da Educação. Através da SEB – Secretaria de Educação Básica, fomos contratados para produzir uma série de animação com 10 episódios. Em 2013, vencemos o prêmio Hugo Werneck na categoria: “Melhor Exemplo em Educação Ambiental”. Impulsionados por esse prêmio e pelas dificuldades que eu vi na educação da região, iniciamos um projeto social próprio visando a doação de livros e visitação em escolas. Ao todo, até 2019, foram doados 10 mil livros físicos para 500 escolas públicas na Amazônia e baixados 100 mil exemplares no formato PDF digital, através do site www.guerreirosdaamazonia.com.br

O projeto começou com livros, que foram lançados em Santarém no Pará e em 2018 ocorreu a estreia do desenho animado. Como que foi a recepção do público?

Foi incrível! A série de animação agrada as crianças de 5 a 12 anos, os professores e ambientalistas! Conseguimos divertir e educar sobre vários temas de uma forma técnica, sem ideologia política e religiosa. O desenho animado também contribuiu e acelerou nosso projeto social porque a interação com as crianças é imediata. Quando a gente só tinha os livros, existia um tempo de alguns meses para leitura e entendimento e só depois a gente visitava as escolas. Agora, com animação é muito mais fácil e eficiente.

Em meio a pandemia que vivemos, as crianças estão em suas casas, teve alguma divulgação do projeto para alcançar, entretê-las e ensinar as crianças um pouco mais sobre a Amazônia?

Sim, conseguimos convencer a TV Escola / MEC a liberar e exibir os 10 episódios completos em todas as suas redes sociais. Foi uma ação inédita da TV que além de gerar grande audiência, possibilitou um acesso ao conteúdo com mais facilidade a qualquer momento e por qualquer pessoa. Basta ir no Youtube, Facebook ou Instagram da @tvescola e ver os episódios. Professores, usem à vontade em suas aulas, é grátis e um produto feito com verba pública do MEC!!!

Qual a relevância do projeto para as os jovens considerados o futuro do Brasil, já que a Amazônia está sendo cada vez mais ameaçada de destruição?

Nesse nosso mundo novo do século 21, globalizado, digitalizado, capitalista democrático… Foco total na educação da criança e do jovem até os 14 anos! Aprendi e amadureci muito com a oportunidade que a vida me deu de trabalhar o projeto e não tenho dúvida que para reduzir a injustiça social e preservar o meio ambiente só existe esse caminho. Precisamos criar formas de valorizar a escola, o professor e de todos os envolvidos nesse contexto. Dos 5 aos 14, são apenas 10 anos de esforço da família e da sociedade para construir o caráter e educar. Precisamos incutir na mente da criança que estudar e ir para escola é algo maravilhoso, que ali é local do encontro com os amigos e com as pessoas mais importantes da sua vida. Brinco e tento educar meus filhos desde cedo que o aparente esperto de hoje poderá ser o bobo de amanhã e o aparente bobo de hoje para alguns, aquele que os amigos chamam de CDF e o que tenta fazer seus deveres certinhos e caprichados, poderá ser o esperto de amanhã… Certamente, os primeiros 15 anos de vida vão determinam o sucesso profissional, entendimento da vida, respeito às pessoas, natureza, sociedade e leis vigentes do seu país!

O projeto teve alguma inspiração dos indígenas que são denominados Guardiões da Floresta?

Sim, total! Todos os Amazons são indígenas! Os Guerreiros da Amazônia, são convocados pelos Amazons, povo lendário formado por descendentes de todas as tribos da Amazônia, que se uniram há 500 anos…. A temática está alinhada ao PNE – Programa Nacional de Educação, à BNCC – Base Nacional Comum Curricular e à Lei 10.639/2003, a qual estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e cultura afro-brasileira e indígena”.

Tivemos a honra e o privilégio dos nossos três livros serem revisados pelo querido Airton Krenak! Carinhosamente o chamamos de: Guerreiro da Esperança!

Conheça o projeto social e ajude a levar mais livros para as escolas da Amazônia

Por: Nicole Matos
Fonte: Amazônia.org.br

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