Em junho desmatamento da Amazônia manteve o ritmo de alta e floresta perdeu 1.034,4 km2

O Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE) divulgou hoje (10) os dados consolidados do desmatamento da Amazônia para o mês de junho. Seguindo a tendência de alta dos meses anteriores, a Amazônia perdeu 1.034,4 quilômetros quadrados. Uma alta de 10,65% em relação a junho do ano passado, quando foram desmatados 934,81 km².

Os números mostram que as pressões externas e o recente movimento do governo de enviar forças militares para combater o desmatamento ainda não surtiram efeito. Somando os seis primeiros meses a Amazônia teve 3 mil km² de floresta desmatadas, 26% mais do que o ano passado. Este é o pior resultado para o primeiro semestre da última década.

“A tendência de alta é um risco para o Brasil e mostra que não estamos conseguindo vencer o problema e reduzir o desmatamento”, afirma o diretor executivo da Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, Mauro Armelin.

Os dados têm preocupado empresários e repercutido internacionalmente. 38 CEOs de grandes empresas brasileiras e estrangeiras e de quatro entidade setoriais do agronegócio, mercado financeiro e da indústria enviaram uma carta-manifesto demonstrando preocupação com o desmatamento, pedindo providências e recomendaram que a retomada da economia siga o caminho do baixo carbono. Além disso, no mês passado sete grandes empresas de investimento europeias disseram que desinvestirão em produtores de carne, operadoras de grãos e até em títulos do governo do Brasil se não virem progresso rumo a uma solução para a destruição crescente da Floresta Amazônica.

Já o presidente Jair Bolsonaro afirmou durante reunião de cúpula dos chefes de Estado do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), que existem “opiniões distorcidas” sobre as ações do governo para proteger a Amazônia. Ele foi convidada pelo Senado para explicar o que está sendo feito em defesa das florestas. O encontro será dia 14 de julho por videoconferência.

Em nota enviada à imprensa, o Greenpeace afirma que será necessário um esforço maior para mitigar e reverter os danos causados a imagem do país. “Mitigar e reverter os danos causados por esta política anti-ambiental à floresta e à imagem do país exigirá muito mais: precisamos de resultados concretos, e para isso será necessário um plano robusto para conter tamanha destruição, na linha do que foi o PPCDAM – a começar por ações de comando e controle em caráter permanente e executadas por órgãos competentes e bem aparelhados. Este é um caminho – já conhecido – que este governo insiste em ignorar”, afirma Cristiane Mazzetti, da campanha de Amazônia do Greenpeace.

Considerando os seis primeiro meses, o Pará foi o campeão de desmatamento, com 1.212 km2, seguido do Mato Grosso (715 km2) e Amazonas (539 km2). Entre as áreas protegidas, há altos índices na Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim e a de Altamira, e a Área de Proteção Ambiental (APA) do Tapajós, a Reserva Biológica Nascentes da Serra do Cachimbo, todas no Pará.

“Os alertas do Inpe foram registrados em propriedades privadas e terras públicas, mas o espantoso é que o desmatamento também ocorreu em Unidades de Conservação, nas quais deveria haver mais controle e rigor”, diz Mariana Napolitano, gerente do WWF-Brasil para Ciências.

Fonte: Amazônia.org.br

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