Semana Amazonia

– Desmatamento aumenta…
– E fiscalização balança…
– De novo a JBS
– COVID-19 no Brasil

Desmatamento aumenta

O desmatamento na Amazônia, entre agosto de 2019 e julho de 2020, cresceu cerca de 34%, em comparação ao mesmo período anterior. Os dados foram divulgados hoje pelo INPE, que faz o monitoramento oficial. Até junho de 2020, o bioma teve 14 meses seguidos de aumento de destruição; julho apresentou queda, mas com taxas de desmate elevadas.

Agora é possível fazer o primeiro recorte anual de um período com gestão exclusiva do governo Bolsonaro, considerando que o dado do ano anterior, em parte, dizia respeito ao fim do governo Michel Temer (MDB). E mesmo com ação intensiva do Exército na Amazônia, os dados não estão recuando.

Na quinta-feira mais de 60 organizações da sociedade civil apresentaram uma carta com 5 medidas emergenciais para combater o desmatamento na Amazônia. As organizações lembram que o Brasil já soube reduzir a taxa de desmatamento em anos anteriores e ao mesmo tempo promover o aumento de sua produção agrícola e das exportações, gerando empregos e crescimento econômico. Mas que o atual governo não apresenta interesse em seguir este caminho.

E fiscalização balança…

Segundo informações publicadas pelo jornal O Estado de São Paulo, nesta terça-feira (4), o Ministério do Meio Ambiente, comandado por Ricardo Salles, queria driblar a meta de reduzir a devastação ambiental no Brasil. Em documento obtido pelo jornal, era proposto alterar a meta de reduzir em 90% o desmatamento e os incêndios ilegais em todo o País, previsto no Plano Plurianual (PPA) do governo até 2023. Em troca, seria garantida a preservação de apenas uma área específica de 390 mil hectares de vegetação nativa na Amazônia por meio de um programa recém-criado, o Floresta+ Amazônia.

Diante da recercussão, a pasta decidiu recuar. Segundo nota, o Meio Ambiente mantém a meta de reduzir em 90% as ações ilegais em todos os biomas – não só na Amazônia -, mas pede envolvimento de outros ministérios em ações de controle, como a Agricultura, Justiça e Defesa.

Reportagem do El País aponta que o Exército sabia dos pontos de maior risco de devastação da Amazônia, mas falhou no combate.

E o Ministério da Defesa proibiu, na manhã desta quinta-feira (6), a decolagem de três helicópteros do Ibama estacionados na base aérea da Serra do Cachimbo, no sudoeste do Pará. As aeronaves integram uma operação contra o garimpo ilegal de ouro na região. Na véspera, agentes do órgão ambiental haviam destruído equipamentos para extração do mineral dentro da Terra Indígena Munduruku.

Organizações da sociedade civil divulgaram uma Carta Aberta ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), pedindo que instituição retome aplicações de mais de R$ 2 bilhões parados em Fundos Amazônia, Fundo Clima e Fundo Social, visando proteger os mais necessitados e o meio ambiente. Os Fundos administrados pelo BNDES possuem regulamentações distintas, mas todos têm como propósito convergente investir recursos em ações de caráter social e ambiental.

De novo a JBS

Documentos obtidos pela Agência Pública indicam como um pecuarista com larga ficha de crimes ambientais na Amazônia enviou gado ilegal à maior produtora de carne bovina do mundo.

O Greenpeace Internacional lançou um relatório apontando o impacto climático da indústria da carne. A organização denuncia ainda a quebra de compromissos da JBS com a exclusão de desmatadores em sua cadeia de produção e o peso da responsabilidade do governo brasileiro e de gigantes do setor no agravamento de conflitos sociais e de epidemias como a que estamos vivenciando nos últimos meses no mundo inteiro.

Enquanto isso organizações, frigoríficos e governo tentam buscar soluções para o monitoramento dos indiretos. A revista DBO está fazendo uma série de debates sobre o tema, assista a conversa sobre o monitoramento dos fornecedores indiretos na pecuária.

COVID-19 no Brasil

O Brasil deve alcançar nos próximos dias 100 mil mortes decorrentes do coronavírus. O último levantamento divulgado pelo Ministério da Saúde apontam que 98.493 pessoas morreram e 2.912.212 se contaminaram.

No Acre, morreu o sargento aposentado Francisco de Assis Alves Mendes . Ele era o irmão mais novo do líder seringueiro Chico Mendes, assassinado em dezembro de 1988, internacionalmente conhecido como ambientalista e defensor dos povos da floresta. Assis Mendes estava internado na UTI do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), na capital acreana.

O cacique Aritana Yawalapiti, líder histórico do Xingu, morreu nesta quarta-feira (5) por complicações causadas pela covid-19. Ele tinha 71 anos e estava internado havia duas semanas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital São Francisco, em Goiânia. E no Mato Grosso, o filho do cacique Apöena também morreu com suspeita de Covid-19; todos da família testaram positivo para o coronavírus.

Diante do avanço da doença, o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou integralmente a liminar do ministro Luís Roberto Barroso, do início de julho, que obrigou o governo Bolsonaro a tomar medidas emergenciais para combater a pandemia entre os povos indígenas.

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