Bancos pedem fim do desmatamento, mas financiam desmatadores

Financiamento a frigoríferos e agropecuária cresceu 40% desde 2015

Os grandes beneficiados com as MPs serão grileiros, desmatadores e garimpeiros, de acordo com Maurício Guetta, advogado do ISA
Os grandes beneficiados com as Mps serão grileiros, desmatadores e garimpeiros, de acordo com Maurício Guetta, advogado do ISA – Hebert Rondon/Ibama

Em julho deste ano, representantes do Santander, Bradesco e Itaú pediram que o governo federal buscasse o desmatamento zero no setor de carnes. A medida pode ser vista como uma resposta à constatação de que a agropecuária e os frigoríficos, mesmo sendo apontados como dos maiores desmatadores da Amazônia, seguem recebendo mais investimento dos bancos do que outras commodities do país. 

A constatação foi tornada pública por um levantamento da Forests and Finance (F&F), coalizão de ONGs que investiga financiamentos associados à destruição das principais florestas tropicais do mundo.

Segundo a F&F, em invés de diminuir o financiamento de commodities associadas ao desmatamento – como o pedido ao governo sugere ser a intenção dos bancos – eles o aumentaram em 40% desde dezembro de 2015, quando foi assinado o Acordo de Paris (para reduzir as mudanças climáticas no planeta).
 

Método

Para chegar a essa conclusão a F&F rastreou R$ 990 bilhões investidos entre os anos de 2016 e 2020 na produção de carne bovina, óleo de palma, papel e celulose, borracha, soja e madeira em três regiões do mundo. O valor de R$ 990 bilhões é referente a operações de crédito e compra de ações e títulos de dívida e foi convertido em reais pela cotação do dia 28 de agosto.

O levantamento considerou somente, a fatia dos valores diretamente relacionada com as atividades associadas ao desmatamento. Ou seja, se uma empresa de proteína animal industrializa tanto em carne de frango como bovina – como é o caso das gigantes que operam na Amazônia –, a coalizão contabiliza, somente, a parte relacionada à compra, abate e processamento de gado.

Segundo reportagem de ((o))eco, dos R$ 235 bilhões investidos na indústria da carne, 25% foram investidos nas empresas JBS, Marfrig e Minerva, que são – respectivamente –, a primeira, quinta e décima empresa mais expostas ao desmatamento na Amazônia, segundo levantamento do Imazon. 

A JBS fica com R$ 25,5 bilhões, dos quais quase R$ 11 bilhões dizem respeito à participação acionária do BNDES. O banco público de desenvolvimento é o segundo maior acionista da companhia, com 21,3% de participação, atrás apenas da família Batista, fundadora da companhia. O dinheiro investido em ações não vai diretamente para o caixa da JBS, mas ajuda a aumentar o valor de mercado da companhia.

Ainda segundo dados de ((o))eco, 55% do dinheiro investido em empresas associadas ao desmatamento, no Brasil, é ofertado por instituições brasileiras. Na sequência do topo da lista, o Banco do Brasil, com R$ 156 bilhões, seguido pelo Bradesco, com R$ 39 bilhões.

Por: Catarina Barbosa
Fonte: Brasil de Fato

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