Comunidades isoladas do Pará recebem atendimento via telemedicina

A tecnologia ajuda a evitar a proliferação da covid-19 entre os ribeirinhos e indígenas da região Terra do Meio

Erika Pellegrino, médica da UFPA e uma das coordenadoras do projeto de telemedicina na região de Terra do Meio (PA) – Instituto Socioambiental (ISA)

Em uma articulação pioneira, comunidades de ribeirinhos e indígenas da região Terra do Meio, no Pará, estão recebendo atendimentos médicos por telemedicina para evitar a contaminação da covid-19. O projeto é uma parceria dos moradores com o Instituto Socioambiental (ISA), a organização norte-americana Health In Harmony e a Faculdade de Medicina da Universidade do Pará (UFPA).

A ideia é beneficiar na primeira etapa ao menos 1.000 ribeirinhos e 500 indígenas, que vivem em áreas isoladas, distantes cerca de 500 quilômetros do município de Altamira. O coordenador adjunto do ISA na Terra do Meio, Roberto Rezende, pontua que há comunidades que são acessíveis “apenas depois de cinco dias de viagem de barco” e explica a importância da união entre tecnologia e comunicação para preservar a saúde da população.

“Até então, o principal meio de comunicação nas reservas extrativistas era um rádio amador de ondas curtas. Com a instalação dos pontos de internet foi possível criar um podcast semanal, que orienta e informa as famílias sobre quais são as medidas de prevenção à covid-19 e o avanço do vírus no município de Altamira, na bacia do Xingu. Com essa combinação entre atendimento de telemedicina à distância e informação, foi possível prorrogar a entrada da doença nas comunidades”, afirma.

Mesmo com o atendimento remoto, os postos de saúde contam com insumos básicos e técnicos da área para garantir o tratamento nas comunidades. A iniciativa conta com a autogestão dos moradores da Terra do Meio, como relata Francisco de Assis, presidente da Associação dos Moradores da Reserva Extrativista Rio Iriri (AMORERI), sobre a articulação da comunidade para definir as necessidades e os melhores locais para a instalação dos pontos de acesso.

“Sabemos que moramos em um lugar isolado com grandes desafios pra chegar. É muito importante estarmos dentro do projeto, temos que participar pra poder dizer, de fato, o que precisamos de atendimento. Só nós sabemos o que tem que ser feito para que sintamos contemplados em relação ao atendimento dentro das comunidades”, explica o morador.

Segundo a Secretaria de Saúde Pública do Pará, o município de Altamira já contabiliza 112 mortes e quase 4 mil casos confirmados de covid-19. Para especialistas, o isolamento ajudou a retardar em quase cinco meses a chegada do vírus até população de Terra do Meio e com a nova tecnologia será possível minimizar os riscos à saúde de ribeirinhos e indígenas.

Por: Nayá Tawane
Fonte: Brasil de Fato

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