Focos de queimadas na Amazônia permanecem em alta no mês de agosto

Os índices de queimadas em agosto de 2020 continuam acima da média histórica de 26 mil

Queimda e vista em meio a area de floresta próximo a capital Porto Velho. Foto: Bruno Kelly/Amazonia Real.

Em agosto de 2020 a Amazônia teve 29.307 focos de queimadas segundo os dados do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe) divulgados nesta terça-feira (1). Em comparação ao mesmo mês do ano passado a variação foi de 5% a menos, quando a Amazônia teve 30.900 alertas.

Para o diretor executivo da Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, Mauro Armelin, o cenário é ainda mais preocupante, já que as medidas tomadas para conter os altos índices de queimadas não estão surtindo efeito. “Houve uma diferença de 5% entre agosto do ano passado e agosto deste ano. Porém ano passado foi organizado o dia do fogo, quando fazendeiros e empresários promoveram queimadas ilegais pela Amazônia e a GLO (Garantia da Lei e da Ordem), adotada pelo governo federal para tentar responder aos altos índices de queimadas e desmatamento, está em vigor desde maio. Sem dia do fogo e com a GLO os números deveriam ser muito menores. Nestas condições, eu considero o cenário pior do que o ano passado.”

As recentes pressões de investidores globais contra o desmatamento da Amazônia têm obrigado o governo federal a adotar medidas para conter a degradação da floresta. Mas os índices apontam que até o momento nenhuma ação tem surtido efeito. Além disso, as mudanças na estrutura do Ministério do Meio Ambiente que entrarão em vigor no próximo dia 21 de setembro já geram inúmeras dúvidas sobre sua efetividade por ignorar ações importantes que funcionaram no passado e por parecerem apenas uma “vitrine de nomes” aos temas que mais recebem atenção na imprensa.

“Esse panorama reforça que nada tem adiantado os instrumentos propostos pelo governo federal para combater o avanço do desmatamento. Trabalhar para juntar esforços com comprometimentos locais focando no município e nos setores que envolvam não só o meio ambiente, mas a saúde, a economia e a educação é o caminho mais eficiente para que possamos reverter esse cenário. Puxar o “freio de mão” depende tanto da pressão da sociedade quanto da vontade política, e tratar o tema de forma leviana, como tem sido feito nos últimos dias pelo ministro do meio ambiente, é claramente um desacerto”, afirma Luciane Simões, gerente de projetos da Amigos da Terra – Amazônia Brasileira.

Os dados de agosto podem estar ligeiramente incompletos, já que o monitoramento teve problemas. No dia 16 os satélite utilizados pelo INPE para monitorar os focos de queimadas sofreram um pane e não computaram as informações do dia.

O Estado do Pará lidera o ranking com os maiores números de queimadas na comparação em ambos os anos, tendo um acréscimo de 680 focos em 2020. Em seguida o Amazonas passou de 6.668 focos em agosto do ano passado para 8.030 focos neste ano, esse número é o maior dos últimos 22 anos. Os únicos que conseguiram reduzir o número de focos de queimadas foram Rondônia que de 5.592 reduziu para 3.086 focos e Mato Grosso que ano passado fechou com 5.123 focos e em agosto deste ano reduziu para 3.336.

Fonte: Amazônia.org.br

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