Questão agrária é o principal motivo de de conflitos socioambientais na Amazônia brasileira

Levantamento inédito analisou a situação de conflitos socioambientais em quatro países da Pan-Amazônia.

Há um ano dez trabalhadores rurais foram assassinados em Pau D’Arco, no Pará

Em um levantamento coordenado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e publicado no Atlas Conflitos Socioterritoriais Pan-Amazônico nesta quarta-feira (23), compara a situação de conflitos socioambientais na área da Pan-Amazônia de quatro países: Bolívia, Brasil, Colômbia e Peru.

O Brasil que possui a maior extensão da Floresta Amazônica, ficou a frente dos países como o campeão em conflitos. Dos 1.308 confrontos registrados em 2017 e 2018, 995 ocorreram na região brasileira. Colômbia ficou em segundo lugar com 227 conflitos, Peru com 69 e Bolívia com 17.

Uma das principais causa dos conflitos é o agronegócio, que envolve a pecuária, soja e outras monoculturas. Outra causa comum é que membros de comunidades que lutam pela terra que ocupam são vítimas de violência. Na análise, 118 assassinatos foram motivados por esse tipo de conflitos. No Brasil foram 80 mortes, sendo seis vítimas mulheres.

Um dos crimes mais marcantes contabilizados no Atlas foi o massacre de Pau D’Arco, no sul do Pará. Em 24 de maio de 2017, policiais atiraram contra 25 trabalhadores rurais, mataram nove homens e uma mulher.

Os assassinatos aconteceram na Fazenda Santa Lúcia, onde 29 policiais civis e militares teriam ido cumprir 14 mandados de prisões preventivas e temporárias contra os trabalhadores que estavam acampados na área.

O relatório do caso afirma que o massacre “escancara a histórica aliança entre o Estado e latifúndio, revelando ainda todo o ódio e as estratégias de tratamento dado àqueles que lutam por um pedaço de terra e a concretização da Reforma Agrária no Brasil.”

Segundo o Atlas, na Colômbia, a maior causa de conflitos são obras de infraestrutura de transporte como estradas, pontes e hidrovia, além das hidrelétricas. Na Amazônia peruana a mineração e exploração de petróleo são os motivos dominantes que geram confrontos com famílias que vivem na região. Na Bolívia, extração de madeira representa 43,2% do total de conflitos, seguida pelo agronegócio.

Calcula-se que quase 168 mil famílias nos quatro países tenham sido, de alguma forma, atingidas por disputas territoriais na Amazônia. “A tendência é piorar”, analisa Plans com base na experiência acumulada na CPT, que publica anualmente o relatório Conflitos no Campo Brasil, há três décadas.

Fonte: Amazônia.org.br

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