Ambientalista é intimado através da AGU por críticas contra o ministro Salles

O secretário-executivo Márcio Astrini recebeu uma notificação para prestar explicações por conta de críticas ao discurso que falava em “passar a boiada” feito pelo ministro do meio ambiente

À mesa, em pronunciamento, ministro de Estado do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Foto: Roque de Sá/Agência Senado

Um documento assinado nesta quinta-feira (15) por um grupo de 88 entidades não governamentais, incluindo a Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, institutos de pesquisa como o IPAM e pesquisadores de instituições públicas condenou o uso da Advocacia Geral da União (AGU) para intimidar um ambientalista a prestar esclarecimentos sobre críticas à gestão do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, na imprensa.

O secretário-executivo do coletivo de ONGs Observatório do Clima, Márcio Astrini, recebeu uma “notificação para explicações” por conta de declarações em uma reportagem do jornal O GLOBO, publicada em maio deste ano, na qual ele analisa a expressão usada por Salles na reunião ministerial de 22 de abril no Palácio do Planalto de “passar a boiada” em meio a pandemia do coronavírus, Astrini qualificou a expressão como “uma força-tarefa de destruição do meio ambiente”. A notificação foi entregue pela Justiça Federal de São Bernardo (SP) em 25 de setembro.

“Soam levianas as palavras do senhor Márcio Astrini, pois além de atacar à (sic) pessoa do Ministro de Estado do Meio Ambiente também atingem a instituição da Advocacia-Geral da União, considerando afirmar a ocorrência de ‘pareceres encomendados'”, diz a notificação, assinada por dois advogados da União, Gustavo Daher Montes e Marcos Fujinami Hamada, da da DAE (Divisão de Atuação Estratégica).

marcio astrini
Márcio Astrini, secretário-executivo do coletivo de ONGs Observatório do Clima

A nota divulgada pelas organizações expressa o apoio ao secretário-executivo e o repúdio a atitude do ministro do Meio Ambiente: “São as organizações e seus representantes, como Astrini, que ajudam a proteger o patrimônio ambiental brasileiro, seja denunciando atividades criminosas como desmatamentos ilegais e invasões de terras públicas, seja expondo o desmantelamento doloso de políticas públicas ambientais operado pelo Governo Bolsonaro”.

Em matéria publicada no O GLOBO, Astrini disse que recebeu a notificação com bastante preocupação, pois “Salles está demonstrando que o que ele quer, na verdade, é silenciar aqueles que discordam dele e está usando a AGU para fazer um movimento de intimidação”.  O secretário afirmou ainda que não recuará das palavras usadas para descrever o aparte do ministro na reunião: “se o objetivo dele foi me intimidar, não vai dar certo, porque vou continuar criticando. A minha opinião sobre os atos dele é que ele é o pior ministro do Meio Ambiente que o Brasil já teve e presta um desserviço enorme tanto ao país quanto à luta contra as mudanças climáticas no mundo inteiro.

O documento em apoio a Astrini afirma que “enquanto Salles busca utilizar o aparato do Estado para esconder sua política antiambiental, a floresta queima, a transparência diminui, o espaço democrático se encurta e a imagem do Brasil se desintegra internacionalmente.  Sua atuação só demonstra que, como ministro, não está disposto a tomar qualquer tipo de ação efetiva para a proteção da Amazônia e dos demais biomas, e que não está à altura do cargo que ocupa.”

Leia o documento na íntegra
http://amazonia.org.br/wp-content/uploads/2020/10/Intimidação-Salles-FINAL-1.pdf

Por: Nicole Matos
Fonte: Amazônia.org.br

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