Segundo Parlamento Europeu, sem mudanças na agenda ambiental, acordo UE-Mercosul não será ratificado

Em resposta, o governo brasileiro divulgou nota na qual afirmou que os problemas ambientais podem se “agravar” se o acordo entre o Mercosul e a União Europeia não entrar em vigor.

O Parlamento Europeu aprovou nesta quarta-feira (7) um decreto que pede mudanças na agenda ambiental de países que integram o Mercosul para que seja ratificado o acordo entre o bloco e a União Europeia. A maioria dos eurodeputados aprovou texto em que afirma que o acordo não pode ser ratificado “como está”.

“O acordo contém um capítulo vinculativo sobre o desenvolvimento sustentável que deve ser aplicado, implementado e totalmente avaliado, […] incluindo a implementação do Acordo de Paris sobre o clima e as respectivas normas de execução”, diz a resolução.

O texto enviado para votação dizia que há “extrema preocupação com a política ambiental de Jair Bolsonaro, que vai na contramão dos compromissos firmados no Acordo de Paris, em particular no combate ao aquecimento global e proteção da biodiversidade”.

A frase de que não se poderia ratificar o acordo desta forma foi inserido pelos franceses no texto final, mas a menção a Bolsonaro foi retirada.

O documento não significa um veto ao acordo, mas dá demonstrativo de que a maioria dos eurodeputados resiste à ideia de aprová-lo com o desenho da parceria e com a agenda ambiental do Mercosul..

Segundo analistas o aumento da hostilidade em relação ao desmatamento e incêndios na Amazônia e no Pantanal e à gestão Bolsonaro praticamente inviabilizam a assinatura de um acordo antes de 2022, ou seja, quanto mais amplos os números de desmatamento e queimadas no Brasil, menor o espaço político para qualquer acordo neste ano, já que com o crescimento das mudanças climáticas entre as preocupações dos eleitores europeus, questões ambientais têm sido defendidas por vários partidos.

O vice-presidente e coordenador do Conselho Nacional da Amazônia Legal, Hamilton Mourão, comentou a votação e afirma que há muito “ruído” sobre o assunto, que pode ser resolvido com diplomacia.

“Isso tudo faz parte do trabalho diplomático que tem que ser feito. Então, vamos com calma”, disse Mourão. “Isso é uma coisa simples, né?  Levou 20 anos para ser acertado isso aí e envolve muitos interesses, tem muitos interesses aí.”

Em setembro deste ano, o governo brasileiro divulgou nota elaborada pelos ministérios das Relações Exteriores e da Agricultura, na qual afirmou que os problemas ambientais podem se “agravar” se o acordo entre o Mercosul e a União Europeia não entrar em vigor.

“A não entrada em vigor do Acordo Mercosul-UE passaria mensagem negativa e estabeleceria claro desincentivo aos esforços do país para fortalecer ainda mais sua legislação ambiental.  A não aprovação do acordo teria, ademais, implicações sociais e econômicas negativas, que poderiam agravar ainda mais os problemas ambientais da região”, declarou o governo brasileiro.

Fonte: Amazônia.org.br

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