“Eu sou Greta” é o grito de guerra dos ativistas pela justiça climática

As frias águas do Atlântico batem contra o barco à vela durante seu caminho do Reino Unido para a Cidade de Nova Iorque. Isso não é simples, nem uma jornada fácil, mas isso ocorre devido ao que afeta a vida de todos no planeta. Uma jovem, de então 16 anos de idade, Greta Thunberg, senta-se entre as anteparas do barco enquanto a água bate nas vigias. Ela chora. “Isso é tanta responsabilidade. Eu não quero ter que fazer tudo assim. Isso é muito para mim”, ela diz. Mas ela fez isso. Até a crise climática não existir mais, ela continuará lutando.

O documentário da plataforma Hulu, “I am Greta” (2020) é vital porque o compromisso a todo vapor de Greta Thunberg em defender o clima e a justiça ambiental é vital. Greta é quem ela é e faz o que ela faz porque ela sabe disso. “Eu não devo ser o foco, porque o que há de tão bom neste movimento, é que todos estão contribuindo igualmente”, explica ela. “Juntos podemos fazer a diferença”.

“I am Greta”, então, é sobre Greta ao mesmo tempo que não é. As filmagens a seguem desde sua postagem inicial aos pés do Riksdag sueco, o parlamento nacional da Suécia, onde seu famoso cartaz “Skolstrejk för Klimatet” (“Greve escolar pelo clima”) declara uma campanha contra as emissões de carbono e a destruição ecológica, até várias aparições perante as Nações Unidas, vários encontros com parlamentos europeus e um aperto de mão com o papa Francisco. A equipe de filmagem participa de momentos íntimos; especialmente cativantes são as muitas risadas e intensas trocas diretas que ela compartilha com seu pai, Svante, que embala latas de feijão e banana, sabe quando ela está se sentindo mal, coloca o lençol em seu beliche do trem e fica ao seu lado – cruzando fronteiras e oceanos em uma manifestação viva de acompanhamento.

Como os profetas do Antigo Testamento que se enfurecem contra os poderes opressores e a injustiça apenas para encontrar um silêncio relativo, Greta perguntou: “Como vocês ousam?”, na Cúpula das Nações Unidas para a Ação Climática de 2019. “Como vocês ousam continuar desviando o olhar?”. Para uma jovem que observa em desespero e indignação como as potências mundiais e estilos de vida continuam a causar consequências desastrosas no presente e no futuro de nosso planeta, suas palavras e sua determinação na Cúpula para a Ação Climática da ONU são vivificantes. Seu trabalho por justiça climática ecoa uma certa essência de Jesus que cuidou da vida da terra; o Jesus que curou e alimentou a muitos; o Jesus que reverenciou as Escrituras que revelam que Deus ama sua criação “porque é muito boa”; e o Jesus que protestou contra a ganância e o poder que prejudicam a vida:

As pessoas estão sofrendo. Pessoas estão morrendo. Ecossistemas inteiros estão entrando em colapso. Estamos no início de uma extinção em massa e tudo o que você pode falar é sobre dinheiro e contos de fadas de crescimento econômico eterno. Como você ousa!

O Papa quer conhecê-la”, contam à Greta no filme. “Todo o mundo católico apoia Greta”. Ela responde a essa afirmação com uma expressão muito cética – o mundo católico inteiro apoia Greta? As autoridades do Vaticano a chamaram de “grande testemunha” do ensino da Igreja sobre o meio ambiente e o cuidado com os outros. Mas existe outro sentimento: “O que isso faz para ajudar na salvação das almas?”, alguém perguntou em um tuíte recente quando a diocese de Richmond investiu em energia solar.

Quando ela era criança, Greta Thunberg aprendeu sobre a crise climática, e a ansiedade e depressão que se seguiram foram quase catastróficas. Ela parou de comer. Ela parou de falar. Ela quase morreu de fome, como explica no documentário. A destruição que os humanos estavam causando à terra e ao futuro a devastou. E então, como uma adolescente, ela começou a trabalhar. O que a ativista Greta Thunberg tem a ver com amor? O que cuidar de nosso lar comum tem a ver com a salvação?

É o mesmo Deus “que fez o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há; quem mantém a fé para sempre; quem faz justiça pelos oprimidos; que dá alimento aos famintos” (Sl 146, 6-7). É o mesmo Deus. O Deus que dá a vida, o Deus que a sustenta. O Deus que se preocupa com o que acontece aqui.

“Eu Sou Greta” é um choro forte, um choro bom, um choro de coração partido, um grito de guerra. O que acontece aqui, nesta terra, importa, e Greta abriu a vida e os braços para receber os tantos que lutarão ao seu lado. Venha sentir o balançar do barco, o quão necessárias são as ondas.

Por: Wagner Fernandes de Azevedo
Fonte: America
Repost: IHU On-Line

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