Belém completa 405 anos com vitória da renda mínima: o que muda na vida das mulheres?

Projeto foi aprovado e segue para sanção do prefeito; cidade enfrenta série de desafios resultantes da desigualdade

Raimunda Vinagre, 32 anos, trabalha na feira. Ela recebe o Bolsa Família e afirma que o renda mínima vai ajudar a sustentar seus filhos de 12 e 14 anos. – Catarina Barbosa/Brasil de Fato

Nesta terça-feira (12), Belém, capital do Pará, completa 405 anos. Com ruas esburacadas, patrimônios históricos depredados, lixo nas ruas e alta no número de casos da covid-19, a capital comemora seu aniversário com a aprovação do projeto “Bora Belém”, que vai aumentar até R$ 450 a renda de mães, sobretudo, as solos que vivem em situação de extrema vulnerabilidade social.

O projeto foi aprovado na última sexta-feira (8) e segue para sanção do prefeito Edmilson Rodrigues (PSOL). O ato de lançamento do programa, que será feito em parceria com o governo do estado será nesta terça (12), às 16h, no Memorial dos Povos, em Belém.

A feirante Raimunda Benedita Vinagre tem 32 anos e dois filhos, uma menina de 14 anos e um menino de 12 anos. Ela é uma das mulheres que se encaixam no perfil de beneficiados pelo programa “Bora Belém“.

Para poder sustentar a si mesma e aos filhos, Raimunda começou a trabalhar na feira há pouco mais de um ano. Sua rotina consiste em chegar ao Mercado do Ver-o-Peso por volta de 1h da madrugada para comprar o pescado. Depois, ela se desloca até a Feira do Tapanã, onde trabalha até 13h.

Após esse período, ela vai para casa onde a irmã toma conta dos filhos até a sua chegada. É quando ela tenta ter algum descanso para no dia seguinte, repetir a rotina. 

“Tudo é difícil para a gente conseguir. Ainda mais hoje em dia que o custo de vida está muito alto. Há momentos em que a situação aperta muito. O auxílio ajudou muito e dar continuidade de ganhar até R$ 450 seria ótimo”, resume. 

Antes da pandemia, Raimunda trabalhava como diarista. Com a paralisação das atividades como forma de conter o avanço do contágio pelo coronavírus, ela ficou sem fonte de renda, contando apenas com o Bolsa Família de R$ 171 que ela recebe pelos dois filhos e depois com o auxílio emergencial.

Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA), a cesta básica para uma família padrão paraense, composta de dois adultos e duas crianças, ficou em R$ 1.502,67, sendo necessários, portanto, cerca de 1,44 salários mínimos , com base no valor do salário mínimo de R$ 1.045, que vigorou até 31 de dezembro de 2020, para garantir somente os gastos com alimentação.

Dividindo o pouco que se tem

Zuila do Socorro, 50 anos, tem quatro filhos e atualmente sobrevive com o valor do auxílio emergencial e de uma diária que faz por R$ 100 a cada 15 dias. Ela vê o benefício de renda mínima como um ajuda necessária, sobretudo, para os mais necessitados.

Ela conta que, no bairro em que mora, na periferia de Belém, o Pratinha I, há pessoas que chegam a passar fome. 

“Eu conheço várias pessoas que estão desempregadas e passando necessidade, porque acabou o auxílio emergencial. Com essa covid, as pessoas estão, em sua maioria, desempregadas. Então, isso é uma coisa que vai ajudar muito. Tem muita gente necessitada, passando fome”, diz ela.

Para Zuila, a pandemia agravou a situação de pessoas que já viviam em situação de pobreza no Pará. “Antes da pandemia, as pessoas já penavam passando necessidade, imagine agora. E eu já estou pensando como vou fazer, porque estava dependendo do auxílio, não só eu, mas muita gente”.

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) aponta que até às 18h da última segunda-feira (11), Belém do Pará tinha 301.501 casos confirmados da covid-19 e  7.315 óbitos. 

Segundo o governo do estado, o Pará, conta, atualmente, com um hospital de campanha em Belém – o único em funcionamento -, mas afirma que os hospitais regionais oferecem leitos covid em todas as regiões. “Atualmente o Pará conta com 411 leitos clínicos e 203 UTIs, com capacidade de ampliação em caso de necessidade”, diz a nota.

A feirante Rose Marialva não recebe nenhum benefício de assistência social, mas apoia o “Bora Belém”, pois diz que muitas mulheres precisam desse apoio para criar os filhos. / Catarina Barbosa/Brasil de Fato

Apoio ao projeto

Rose Marialva, 54 anos, tem quatro filhos já adultos e não recebe nenhum benefício de assistência social. Apesar de ter dividido as obrigações da família com o esposo, que também é feirante, ela conta que passou por diversas dificuldades e que entende que as mães solos precisam ainda mais desse benefício. “Há muitas pessoas que não têm condições e muitas famílias carentes”, ressalta.

“Eu tive que deixar meus filhos só ou com os outros para poder trabalhar. Meu esposo também tinha que trabalhar, mas nós conseguimos superar isso e meus filhos estão todos criados. Então, acho que essa é uma ajuda bem-vinda para muitas mulheres, porque muitas criam os filhos sozinhas”, conta.

Marialva fez questão de declarar que votou em Edmilson Rodrigues e que acredita nas melhorias que ele propõe e afirma ele levou muitas melhorias para o bairro do Tapanã e para a capital do Pará. “Sei que ele fez muita coisa pelo nosso bairro, o posto de saúde, o asfalto do conjunto. Eu acho que ele pode conseguir fazer uma melhoria para a gente aqui”, diz ela que afirma que a feira também foi abandonada pela gestão do ex-prefeito de Belém, Zenaldo Coutuinho (PSDB).

Confira abaixo a programação do Aniversário de Belém

9h: Ato de entrega da segunda etapa do canal do Tucunduba pelo Governo do Estado (macrodrenagem), ação cooperada com a Prefeitura de Belém por meio da Secretaria Municipal de Urbanismo, órgão responsável pela iluminação na via pública.

10h30: Ato de recebimento da doação da creche São Francisco de Assis. A doação é realizada por um empresário à prefeitura. O imóvel irá sediar a Unidade de Educação Infantil São Francisco de Assis.

16h: Ato de lançamento do programa de renda cidadã Bora Belém, uma ação em cooperação da Prefeitura de Belém com o Governo do Estado.

19h: Cerimônia de entrega da Medalha Francisco Caldeira Castelo Branco.

Por: Catarina Barbosa
Fonte: Brasil de Fato

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