Entenda os riscos que a falta de oxigênio pode causar aos prematuros no Amazonas

Servidor de maternidade denuncia falta de oxigênio aos recém-nascidos; alguns foram transferidos nesta sexta (15)

Bebês já precisaram usar pequenas máscaras de proteção facial logo após o parto, para não se exporem ao coronavírus – Fotos públicas

colapso no sistema de saúde do Amazonas prejudica a todos que precisam de atendimento. Nesta sexta-feira (15), crianças que acabaram de chegar ao mundo de forma prematura já enfrentam uma grande luta pela vida. Um funcionário do Sistema Único de Saúde (SUS) ouvido pelo Brasil de Fato denuncia que está faltando oxigênio na maternidade Azilda Marreiro, localizada no conjunto Galileia, zona norte de Manaus, capital do Amazonas.

Segundo ele, a transferência das crianças para outros estados já está sendo solicitada aos tutores, que precisam se deslocar junto às crianças. O funcionário fala com indignação sobre o caso.

“Um ser vivo pequenininho chega a esse mundo e encontra uma situação dessa. São crianças que precisam de oxigênio que nasceram antes do tempo, que nascem com 7 meses. Enfim, onde tem uma maternidade, crianças que internadas em maternidade são crianças que nasceram com problema e precisam de oxigênio. Oxigênio é coisa básica de qualquer setor de saúde não pode faltar oxigênio em nenhum local nenhum atendimento público”, considera.

O governo do Amazonas anunciou a transferência de bebês prematuros, que estavam internados em Unidades de Terapia Intensivas (UTIs) neonatais para outros estados de maneira preventiva, mas ainda não definiu o quantitativo.

Alguns foram transferidos para Imperatriz, no Maranhão, nesta sexta. O número de crianças ainda não foi confirmado pela Secretaria de Saúde do Amazonas. Eles foram em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) até o estado.

O que é um bebê prematuro?

Considera-se prematuro todo bebê nascido antes de 37 semanas completas de gestação, como explica a pediatra Alessandra Barbosa Ribeiro, especialista em neonatologia e medicina antroposófica e integrativa. Como o próprio termo indica, o bebê, ainda não está “maturado”, e os órgãos não estão em pleno funcionamento. Por isso, precisam de cuidados especiais. 

A médica destaca que existem graus diversos de prematuridade. “Prematuros extremos são bebês que nascem antes de 28 semanas; os que são muito prematuros, aqueles que nascem 28 e 31 semanas e seis sétimos de gestação; e os moderados, que nascem entre a 32⁰ e a 36⁰ de gestação”, define. 

A especialista explica ainda que o oxigênio é vital e que a privação dele pode causar sequelas permanentes a um prematuro. 

“Quando se fala em prematuro, o suporte e, principalmente, para os prematuros extremos é vital. A asfixia neonatal é gravíssima, as sequelas de uma asfixia neonatal elas são permanentes e para todo sempre. Enfim, oxigênio para um prematuro é vida, é qualidade de vida”, resume. 

Falta de oxigênio aos prematuros

Ainda segundo a neonatologista, as sequelas têm vários graus que dependem do tempo em que o bebê foi privado de oxigênio. Ela cita algumas das sequelas.

“Crianças com dificuldade de aprendizagem, com transtorno global do desenvolvimento, hiperatividade, déficit de atenção, crianças com encefalopatia graves, severas, paralisias cerebrais, crianças que começam a desenvolver crises convulsivas. Tudo depende do tempo de asfixia, do tempo em que a criança ficou sem oxigenação e para o prematuro isso é muito mais deletério do que para uma criança de tempo certo”, pontua.

Quanto ao transporte de bebês em aviões, ela garante que a medida é segura, desde que a aeronave tenha a estrutura de uma UTI neonatal.

Brasil de Fato entrou em contato com a Secretaria de Saúde do Amazonas sobre a situação dos bebês, mas até o fechamento da reportagem não tivermos retorno. Em nota enviada à BBC, a pasta confirma a transferência.

“Assim como está ocorrendo com pacientes adultos com Covid-19, internados na rede estadual de saúde e que necessitam de suporte de oxigênio, a força-tarefa montada pelo Governo do Amazonas e Governo Federal também vai transferir, para hospitais de outros Estados, bebês recém nascidos internados nas maternidades públicas do Amazonas”.

Por: Catarina Barbosa
Fonte: Brasil de Fato