Acampamento Pela Vida: Indígenas queimam “caixão” em frente ao Congresso Nacional

O adiamento de uma decisão por parte do Supremo Tribunal Federal sobre as terras indígenas no país não desmotivou os mais de 6 mil indígenas que estão acampados em Brasília. Nesta sexta-feira (27) eles realizaram uma marcha passando pelo Ministério da Justiça, Palácio do Planalto e Congresso Nacional onde queimaram um caixão de dez metros.

A ação teve como foco proposições legislativas que retiram direitos dos povos indígenas, com destaque para o PL 490, recentemente aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados. O PL, além de utilizar a tese do marco temporal, estipulando uma data limite (5 de outubro de 1988) para que um território seja reconhecido, flexibiliza o uso da terra permitindo garimpo e mineração nos territórios.

Em audiência pública realizada na Comissão de Meio Ambiente nesta quarta-feira, a líder indígena Alessandra K’orap Munduruku fez um apelo para que os direitos e territórios indígenas sejam defendidos. “Nós sabemos onde caçamos, pescamos, onde estão os alimentos e, de repente, aparece um projeto para barrar a demarcação. A Funai não está ao nosso lado. Só quer saber de mineração, madeira, explorar nosso território, deixar nosso rio sujo, floresta derrubada e entregar máquina para a gente. Mas a gente vive de vida”, afirmou.

A mobilização nacional ‘Luta pela Vida’ acontece em Brasília até o dia 28 de agosto e busca reivindicar direitos e promover atos contra a agenda anti-índigena que está em curso no Congresso Nacional e no Governo Federal e acompanhar a votação do Recurso Extraordinário (RE) 1.017.365 que será julgado pelo Supremo Tribunal Federal na próxima quarta-feira (1).

Fonte: Amazônia.org.br
Foto de destaque: Alass Derivas/ Deriva Jornalismo