Aumento da cabeça de gados, aumenta emissões na pecuária brasileira

Remoção de carbono também teve aumento no setor agropecuário 

Nesta terça-feira (1) o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima, mostram que, no ano passado, o país emitiu 2,42 bilhões de toneladas brutas de CO2 equivalente, um aumento de 12,2% em relação a 2020 (2,16 bilhões de toneladas). O setor agropecuário foi responsável por 25% das emissões e comparado ao ano de 2020 teve um aumento de 3,8%.

Esse aumento aconteceu devido ao aumento do rebanho durante o ano de 2021, que chegou a 224 milhões de cabeças de animais, de acordo com o IBGE. Isso ocorreu porque no período houve redução do abate e também uma expansão da área agrícola em quase 3 milhões de hectares.

Das 600,76 milhões de toneladas emitidas pela pecuária, 64% (382,57) foram da fermentação entérica. Os solos manejados representaram 30% (179,23), o manejo de dejetos de animais 4% (27,98), o cultivo de arroz 2% (10,59), e a queima de resíduos agrícolas foi o menor emissor com apenas 0,41 milhões de toneladas de CO2e.

Além dos dados tradicionais o SEEG apresenta também os dados de emissões e remoção de carbono no solo, as duas principais práticas emissoras são as pastagens degradadas com 159,5 MtCO2e e as lavouras cultivadas sob sistema convencional com 58,5 MtCO2e.

As práticas de remoção de carbono, que removem e armazenam o carbono da atmosfera são as pastagens bem manejadas com -256,8 MtCO2e, sistemas integrados Lavoura-Pecuária-Floresta com -115,9, as lavouras cultivadas sob sistema de plantio direto com -67,5 e as florestas plantadas com -7,1 MtCO2e.

Para Renata Potenza, Coordenadora de Projetos da Iniciativa Clima e Cadeias Agropecuárias no Imaflora, “é importante conseguir fomentar essas práticas de remoção, fazer com que chegue no campo, seja implementado, para que possamos observar os benefícios dessas boas práticas aplicadas no solo.”

O Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), foi criado em 2012 para atender a uma determinação da Política Nacional de Mudanças Climáticas (PNMC). O decreto que regulamenta a PNMC estabeleceu que o país deveria produzir estimativas anuais de emissão, de forma a acompanhar a execução da política. O governo, porém, não as produziu. Os inventários nacionais, instrumentos fundamentais para conhecer em detalhe o perfil de emissões do país, são publicados apenas de cinco em cinco anos. 

O SEEG (seeg.eco.br) foi a primeira iniciativa nacional de produção de estimativas anuais para toda a economia. Ele foi incorporado ao Observatório do Clima em 2013. Hoje, em sua 10a edição, é uma das maiores bases de dados nacionais sobre  emissões de gases estufa do mundo, compreendendo as emissões brasileiras de cinco setores: Agropecuária, Energia, Mudança de Uso da Terra, Processos Industriais e Resíduos. 

As estimativas são geradas segundo as diretrizes do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), com base nos Inventários Brasileiros de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases do Efeito Estufa, do MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações). 

Por: Nicole Matos
Fonte: Amazônia.org.br