Bolsonarismo resiste na Amazônia, mas eleitores se dividem no voto a voto

É apenas na região Norte que Jair Bolsonaro lidera na pesquisa espontânea. Na estimulada, quando os eleitores são apresentados aos nomes dos concorrentes, Lula aparece em primeiro lugar, porém ambos empatam tecnicamente

Reprodução de vídeo compartilhado no perfil do Twitter de Bolsonaro na ponte sobre o Rio Madeira, na BR-364, no Distrito de Abunã, em Rondônia. Imagem: Reprodução.

Há 50 dias do primeiro turno para as Eleições 2022, a situação é bem diferente de 2018 na Amazônia. No último pleito, Bolsonaro obteve uma votação expressiva em quase todos os estados da região Norte. Mas, segundo a última pesquisa do Instituto Datafolha para presidente da República, Jair Bolsonaro disputa a preferência dos eleitores da Amazônia com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no voto a voto.

Mas, em muitos dos antigos redutos do Bolsonarismo, a defesa de uma agenda anti-ambiental e do agronegócio ainda ganha muito mais simpatia do que rejeição. É o caso do Acre, que após 20 anos de governos petistas voltados para uma política de valorização de uma economia de base florestal, deu a Jair Bolsonaro a maior votação proporcional do país no segundo turno de 2018. 

Conforme a pesquisa do Instituto Badra, divulgadas no começo de junho no Acre,  Jair Bolsonaro lidera com folga as intenções de voto para presidente da República. Entre os acreanos, o atual presidente tem 47% da preferência. Lula fica com 29%. O instituto ouviu 1.056 pessoas na capital e interior entre os dias 27 a 29 de maio. Ela está registrada junto à Justiça Eleitoral com o número BR-03966/2022.

A pesquisa do Instituto Datafolha ouviu 2.556 pessoas nos dias 27 e 28 de julho em 183 cidades brasileiras. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. Ela está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número BR-01192/2022.

Os resultados apresentam números diferentes conforme os cenários. No questionário espontâneo, Bolsonaro tem a preferência de 36% dos eleitores dos estados da Amazônia quando são questionados em quem votariam para presidente. Lula recebe 33% das citações.

Na pesquisa estimulada, quando os eleitores são apresentados aos nomes dos concorrentes, Lula aparece em primeiro lugar numericamente, mas empatado com Bolsonaro dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

No Norte, o petista receberia 41% dos votos; o atual presidente teria 39%. Assim como na espontânea, o empate técnico entre Lula e Bolsonaro só acontece entre os estados amazônicos. Considerando apenas os votos válidos, os dois permanecem no empate técnico.

Ao se avaliar a rejeição dos candidatos, Bolsonaro está à frente entre os candidatos nos quais os eleitores do Norte não votariam de jeito nenhum: 43%; Lula tem 40%. 

Se a eleição presidencial for decidida no segundo turno entre Lula e Bolsonaro, volta a se ter empate técnico. O petista recebe 47% das intenções de voto, ante 46% do presidente da República. Outra vez, é apenas no Norte que há essa proximidade numérica no segundo turno.

A pesquisa Datafolha não traz cenários por estados, mas são as diferenças locais dentro da própria região que ainda não mostram Bolsonaro à frente de Lula. 

Eleições 2018

Na última eleição presidencial na região Norte, Jair Bolsonaro só não foi o mais votado no Pará e no Tocantins. A maior diferença obtida por Fernando Haddad (PT) sobre Bolsonaro foi entre os eleitores paraenses:  54,81% contra 45,19%. Apesar de vencer no Amazonas, o presidente não obteve vantagem expressiva nas urnas: 50,27% contra 49,73% de Haddad. Resultado semelhante aconteceu no Amapá. 

Já no Acre, Rondônia e Roraima o então candidato do PSL recebeu mais de 70% dos votos válidos. Quatro anos depois, nada parece ter abalado a popularidade do bolsonarismo nessas regiões. Na disputa pelos governos estaduais, os candidatos dos partidos mais à direita tentam se apresentar como os nomes oficiais do presidente da República a fim de serem eleitos – situação semelhante à de 2018.        

Segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral, a região Norte é o quarto maior colégio eleitoral do país, concentrando 8,03% das pessoas aptas a votar em outubro.

Por: Fabio Pontes
Fonte: O Eco