Bolsonaro amplia vantagem em cidades que mais desmatam na Amazônia

Novo Progresso, no Pará, símbolo da grilagem de terras, elegeu o presidente com quase 80% dos votos; Lula ganhou em 2 dos top-10

O presidente Jair Bolsonaro (PL) venceu as eleições no último domingo (2) em oito dos dez municípios que mais desmataram a Amazônia no ano passado, segundo dados do sistema Prodes, do Inpe. Na eleição de 2018, ele havia liderado em sete desses municípios no primeiro turno.

Além de virar o resultado em Pacajá, no Pará, Bolsonaro também venceu com margem maior de votos em seis municípios na comparação com 2018.

Na última eleição, Fernando Haddad (PT) vencera em Lábrea (AM), Pacajá (PA) e Portel (PA). No domingo, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) liderou o resultado apenas em Lábrea e Portel, com menos votos do que Haddad no município amazonense.

Já Novo Progresso, no Pará, deu a Bolsonaro em 2022 seu quarto maior sufrágio no país: 79,6%. Em 2018, ele teve 72,7% dos votos nessa cidade.

O município, à beira da BR-163, tornou-se símbolo tanto da explosão na grilagem de terras no fim dos anos 1990 quanto da tentativa de Lula de estancar o desmatamento criando unidades de conservação no entorno da rodovia, a partir de 2006. Vizinha a Novo Progresso fica a Flona (Floresta Nacional) do Jamanxim, a unidade de conservação mais desmatada da Amazônia. A cidade vive da criação de gado ilegal na Flona, da expansão da soja sobre antigas terras desmatadas e griladas e, nos últimos anos, do garimpo de ouro, que explodiu na bacia do alto Tapajós.

O candidato do PL também ampliou o índice de votos em Altamira (PA), de 54,3% em 2018 para 57,7% em 2022; em São Félix do Xingu (PA), de 52,7% 63,1%; em Itaituba (PA), de 47,5% para 57,8%; em Apuí (AM), de 46,4% para 58,9%; e Colniza (MT), de 62,1% para 71,1%. São Félix do Xingu tem o maior rebanho bovino do Brasil e é o município que mais emite gases de efeito estufa no país.

Em Porto Velho (RO), a vitória de Bolsonaro ficou praticamente no mesmo patamar da última eleição, variando de 57,8% para 56,8%.

Em 2018, um cruzamento dos dados do TSE com os do Prodes já havia mostrado que os municípios que mais desmataram na Amazônia nos 17 anos anteriores haviam eleito Bolsonaro em primeiro turno.

“Não é nenhuma surpresa que o cruzamento do mapa eleitoral com o do desmatamento mostre esse resultado. Criminosos ambientais na Amazônia e no resto do país nunca foram tão beneficiados e estimulados como no governo Bolsonaro, e votam nele por gratidão e por identificação com o que ele representa”, disse Marcio Astrini, secretário executivo do OC.

Fonte: Observatório do Clima