Briga por ações da Odebrecht chega ao STJ

Disputa envolve os 20,6% do capital do grupo que estão nas mãos da família Gradin, participação que, segundo os controladores, vale R$ 1,5 bi

A maior disputa societária do país, envolvendo as duas famílias donas da quase totalidade das ações do grupo Odebrecht, deverá chegar, até o fim deste mês, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Depois de quase dois anos de duros embates, dentro e fora dos tribunais, os clãs Odebrecht e Gradin ainda estão longe de um acordo e testam o limite da legislação brasileira para conflitos empresariais. O objeto da batalha é a participação de 20,6% dos Gradin, por meio da empresa Graal, no capital da Odebrecht Investimento (Odbinv), controladora do sexto maior conglomerado privado do Brasil, com faturamento anual próximo de R$ 60 bilhões e atuação em pelo menos 20 países.

Os Gradin resistem à forte pressão dos Odebrecht — representados pela empresa Kieppe, com 62% na Odbinv — para que lhes vendam a sua fatia bilionária pelo preço que julgarem razoável: R$ 1,5 bilhão. “Não vamos abandonar o patrimônio que ajudamos a construir”, declara do Correio Miguel Gradin. Ele, o pai Victor, de 78 anos, e os irmãos Bernardo e Ana Maria sustentam que, apesar de a Kieppe reclamar o direito de preferência de compra das ações da Graal, conforme acordo de acionistas em vigor desde 2001 e válido até 2021, o mesmo documento garantiria aos Gradin tratamento diferenciado em relação aos parceiros minoritários que já venderam suas participações em 2010 pelo preço proposto pelo grupo.

Os Odebrecht, por sua vez, não têm dúvidas de que o acordo redigido e assinado por ambos os lados não só prevê a opção de compra, como não obriga a adoção de um sistema de arbitragem para mediar os conflitos, o que é exigido pelos Gradin para superar o impasse. “Eles estão chantageando o grupo para elevar o preço da indenização já proposta, que é a maior da história brasileira”, comenta uma fonte da Odebrecht. Nas contas dos Gradin, suas ações valeriam pelo menos o dobro. Mas eles dizem que preferem continuar como sócios do grupo, que vive sua melhor fase, mesmo que os irmãos Miguel e Bernardo não figurem nos quadros de executivos das empresas que compõem o conglomerado. Até o início do conflito, no fim de 2010, Miguel presidia a Odebrecht Óleo e Gás e Bernardo, a petroquímica Brasken.

Fonte: Correio Braziliense

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