Cúpula dos Povos quer manter atividades paralelas no Aterro do Flamengo

O grupo de articulação do Comitê Facilitador da Sociedade Civil para a Rio+20 promete pressionar os organizadores da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável para que o Aterro do Flamengo seja utilizado para a realização de atividades da Cúpula dos Povos. O encontro ocorrerá paralelamente à conferência oficial da ONU, em junho próximo, no Rio.

Em entrevista à Agência Brasil, o diretor da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong), Ivo Lesbaupin, definiu como “disputa política” a retirada das ONGs e dos movimentos sociais do Aterro.

“Vamos pressionar para ser no mesmo lugar em que houve o Fórum Global, com atividades paralelas, na Rio 92”, disse Lesbaupin, referindo-se à Conferência da ONU sobre o Meio Ambiente, realizada em 1992 também no Rio. A Abong é uma das 34 redes e organizações que participam do grupo de articulação do Comitê Facilitador da Sociedade Civil para a Rio+20.

O assunto foi objeto de debate na última semana. A reunião com os organizadores da Rio+20 sinalizou a transferência da Cúpula dos Povos para a Quinta da Boa Vista, contrariando decisão tomada no ano passado de realizar o evento paralelo no Aterro do Flamengo.

O presidente do grupo de trabalho da prefeitura do Rio para a Rio+20, Sergio Besserman, esclareceu à Agência Brasil que da Marina da Glória até o Aeroporto Santos Dumont, “se eles tiverem interesse, há espaço suficiente”. O que não poderá haver no local são acampamentos. “Se houver necessidade de algum acampamento, como existiu na Rio 92, tem que ser na Quinta”, disse. Já as tendas poderão ser montadas no Aterro do Flamengo, declarou Besserman.

A Quinta da Boa Vista é um parque público localizado no bairro São Cristóvão, na zona norte do Rio, em cujas dependências estão situados o Jardim Zoológico e o Museu Nacional, que funciona no local do antigo Palácio Imperial.

O coordenador de Relações com a Sociedade Civil da Rio+20, João André Rocha, consultor contratado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), disse que uma nova reunião será realizada esta semana entre o Comitê Facilitador e a prefeitura do Rio. Ele acredita que até sexta-feira (16) sairá uma definição sobre as atividades que serão baseadas no Flamengo e o que terá de ir para a Quinta da Boa Vista.

Rocha informou que até o momento, o que está desenhado para a área do Flamengo é que no Museu de Arte Moderna (MAM) e na casa de eventos Vivo Rio haverá atividades da programação oficial. O Comitê Nacional de Organização da Rio+20 está preparando o espaço para receber atividades de todos os grupos, brasileiros e estrangeiros.

“De qualquer maneira, a Cúpula dos Povos está com atividades no Parque do Flamengo, no mínimo nessa área do MAM e do Vivo Rio”. O resto do parque está em negociação entre o Comitê Facilitador e a prefeitura, para evitar ocupação de maneira que danifique o parque. Rocha reconheceu que o comitê está ansioso por definir as atividades, para encaminhar a execução das obras.

Na próxima semana, o grupo de articulação nacional do Comitê Facilitador da Cúpula dos Povos terá a primeira reunião com representantes de entidades estrangeiras. A meta é que todas as ONGs do mundo enviem críticas, além de práticas sustentáveis que vêm sendo desenvolvidas com sucesso em seus países e que permitam enfrentar melhor as mudanças climáticas e o aquecimento global, informou Ivo Lesbaupin. “Para mostrar que elas são viáveis, que já estão dando resultado”, acrescentou.

Por: Alana Gandra
Fonte: Agência Brasil – EBC
Edição: Graça Adjuto

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