Coari: Decisão da cassação de Adail e Igson só será publicada no Diário Oficial em março

Publicação da cassação de Adail Pinheiro permitirá a posse do segundo lugar da eleição para a prefeitura de Coari, que corre o risco de ter as contas bloqueadas
A indefinição sobre o comando de Coari deve se arrastar por mais tempo. A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que cassou os registros do prefeito Adail Pinheiro (PRP) e do vice Igson Monteiro (PMDB), em 17 de dezembro, tem previsão de ser publicada no Diário Eletrônico da Corte somente em março. A informação é da assessoria do órgão Judiciário. Quem assumirá a prefeitura será o segundo colocado nas eleições de 2012, Raimundo Magalhães.
Enquanto o acórdão (decisão da corte) não é publicado, um clima de insegurança administrativa toma conta do município a 570 quilômetros de Manaus — agravada pela renúncia do prefeito interino, na última segunda-feira. Entretanto, logo após a oficialização da cassação, Igson e Adail terão três dias para recorrer. Já Magalhães, prefere não se manifestar sobre o assunto ainda. “Vou dar entrevistas somente após a publicação”, afirmou por telefone.
Em meio à expectativa, a prefeitura corre o risco de ter as contas bloqueadas, pela segunda vez, em quatro anos, por conta do atraso no pagamento de servidores comissionados da Saúde. A informação foi dada pelo promotor de Justiça de Coari, Felipe Fish. O prazo para quitar os atrasados do funcionalismo público terminou na terça-feira e, até ontem, 18 pessoas ainda não haviam recebido.
“Solicitei ao Ministério Público do Estado que envie um ofício à prefeitura, pedindo que a mesma informe se houve, ou não, o cumprimento de todas as promessas feitas quanto ao pagamento. Segundo um documento da Secretaria de Saúde, os servidores efetivos deveriam ser pagos até o último dia 6, enquanto os contratados deveriam receber até o dia 10. Porém muitas pessoas vieram me procurar para informar que não receberam”, disse Fish.
De acordo com ele, a ação impetrada em 2011 — durante a gestão do prefeito Arnaldo Mitouso — servirá como base, caso haja necessidade de novo bloqueio. Na época, o pedido foi feito porque a Prefeitura não informou qual seria o total do débito. No episódio mais recente, há possibilidade de cálculo do valor. “Queremos uma resposta oficial da Prefeitura e, caso a declaração seja inverídica, será crime de falsidade ideológica”, explicou Fish.
Enquanto não recebe um retorno, o promotor organiza a documentação entregue pelos funcionários públicos. “Se vier respondendo que as pessoas foram pagas, irei comunicar o procurador geral para denunciar um crime de falsidade ideológica.
Renúncia acalmou os ânimos
A renúncia do prefeito interino Igson Monteiro, ocorrida na segunda-feira, é apenas um dos capítulos da crise política em Coari. Ele estava no comando da prefeitura desde a prisão do titular, Adail Pinheiro, em 8 de fevereiro de 2014. Há inúmeras denúncias de enriquecimento ilícito por parte de parlamentares paralelamente ao atraso de pagamentos a servidores e fornecedores. Revoltada, a população destruiu patrimônios público e privado no dia 14 de janeiro.
O presidente da Câmara Municipal, Iliseu Monteiro, irmão de Igson, que já comandava o município desde dezembro — quando o prefeito interino tirou licença e viajou para os Estados Unidos —, assumiu de vez a responsabilidade de gerenciar a cidade.
Em Manaus, o presidente regional do PTN, deputado estadual Abdala Fraxe, proibiu os vereadores do partido que atuam em Coari de manifestarem apoio a qualquer candidato ou a realização de uma eleição.
Segundo o vereador de Coari Professor Natinho (SDD), desde o “dia de fúria” a renúncia de Igson Monteiro deixou o clima mais leve. “Deu uma melhorada, está mais tranquilo. Todos apenas aguardam um posicionamento da Justiça”, disse, ao ressaltar que o fato de Igson e Iliseu serem irmãos causa desconfiança da população.
Fonte: A Crítica

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