Contaminação matou 1.700 em vilarejo no Japão

A forma como o mundo irá lidar com o mercúrio nos próximos anos será definida em uma reunião diplomática em Minamata, no Japão, em outubro. Ali, o texto aprovado em janeiro, em Genebra, deve se transformar na Convenção de Minamata das Nações Unidas. O nome da cidade japonesa não foi escolhido por acaso – Minamata batiza um dos maiores desastres ambientais de que se tem notícia.
No vilarejo japonês de pescadores, entre 1932 e 1968, milhares de pessoas foram expostas à contaminação por mercúrio. Uma petroquímica despejou efluentes contendo altas concentrações do metal na baía de Minamata, rica em peixes e mariscos, dieta principal dos moradores da região. Adultos ficaram doentes e crianças nasceram com deformidades. Pelo menos 50 mil pessoas foram afetadas. Mais de 1.700 pessoas morreram pelo o que ficou conhecido como “Doença de Minamata”.
“Por muitos anos ninguém se deu conta de que os peixes estavam contaminados e que isso estava causando uma estranha doença na comunidade local e em outros lugares”, diz o site da Organização Mundial da Saúde (OMS). Na década de 50, começaram a aparecer pessoas com casos graves de danos cerebrais e paralisias, delírios ou discursos incoerentes.,Só anos depois o risco do envenenamento por mercúrio tornou-se conhecido no mundo todo.
Trata-se de uma contaminação silenciosa, de difícil diagnóstico e que pode levar à morte. Pode acontecer pela ingestão de peixes contaminados ou inalação do gás. Os sintomas do envenenamento vão da tremedeira nas mãos e pés, perda do campo de visão, dificuldades de audição e memória, problemas de coordenação motora. Estudos indicam que os fetos têm o dobro das concentrações das mães. O mercúrio inalado na forma de vapor – que ocorre nos garimpos – pode provocar danos no sistema nervoso, digestivo e imunológico e afetar pulmões e rins. Na forma líquida causa problemas na pele e olhos. Pode ser fatal se ingerido.
“A questão do pescado é gravíssima”, alerta o professor Olaf Malm, da UFRJ, que já foi várias vezes a Minamata. Já houve propostas, no Brasil, de monitoramento de possíveis casos de contaminação com treinamento de médicos em municípios onde isso poderia ocorrer. “Mas essas propostas nunca saíram do papel”, lamenta outro pesquisador, o biólogo Wanderley R. Bastos.
Por: Valor Econômico

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