COP26 – Brasil vai para Conferência do Clima sem dados oficiais de desmatamento

Historicamente, a divulgação das estimativas do Prodes é feita sempre antes ou durante o evento. É a segunda vez em quase duas décadas que isso acontece

Pela 2ª vez em 17 anos, Brasil não terá dados de desmatamento durante a COP. Foto: Felipe Werneck/Ibama

Diferente da prática adotada em anos anteriores, o governo brasileiro não irá divulgar as estimativas oficiais de desmatamento na Amazônia antes do final da Conferência do Clima da ONU (COP-26), que acontece em Glasgow, Escócia, até o final desta semana. É a segunda vez, em quase duas décadas, que o fato é registrado. O desmatamento é o maior responsável pelas emissões de carbono no Brasil e um dos temas-chave nas discussões que ocorrem no âmbito da Conferência.

Historicamente, a divulgação das estimativas do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal (PRODES), comandado pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), é feita antes ou durante a COP.

Segundo levantamento realizado por ((o))eco, desde 2005, quando o INPE começou a divulgar os números do desmatamento no próprio ano em que ocorreram, somente em 2016 o anúncio foi feito após a Conferência. Naquele ano, o Prodes havia indicado aumento de 29% no desmatamento em relação ao período anterior.

“Num mundo normal, os dados do PRODES são divulgados em tempos de COP. Essa era nossa prática”, diz Gilberto Câmara, cientista que esteve à frente do INPE entre 2005 e 2012.

De acordo com Cláudio Almeida, coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia e Demais Biomas do INPE, a data e formato da divulgação dos números do PRODES são definidos pelo Governo Federal.

“Já houve divulgação junto com a COP e fora da COP, com a presença de ministros ou só a divulgação de dados na internet, sem evento algum. A definição da data de divulgação e como ela será realizada é sempre feita pelos ministros, em Brasília”, explica.

O desmatamento na Amazônia registrou grande alta durante a gestão de Jair Bolsonaro (sem partido). Nos dois primeiros anos do atual governo, a taxa ultrapassou os 10 mil km², cifra que não era alcançada desde 2008.

Em agosto passado, o Sistema de Alertas de Desmatamento do INPE (DETER), que faz o monitoramento em tempo quase real, já indicou que a tendência de alta se manteve em 2021.

Entre agosto de 2020 e julho de 2021, período que integra o chamado “calendário do desmatamento”, o Deter aferiu quase 9.000 km² de área desmatada na Amazônia. Os números do DETER são sempre menores que a taxa anual calculada pelo PRODES.

Por: Cristiane Prizibisczki
Fonte: O Eco