Copa de futebol sustentável entrega troféus de madeira certificada

Final entre Remo e Vila Nova foi realizada ontem, em Belém.

Copa Verde de Futebol
Foto: Divulgação

A final da Copa Verde, competição de futebol sustentável organizada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e pelo Conselho de Manejo Florestal (FSC Brasil), foi vencida pelo Remo, que superou o Vila Nova nos pênaltis pelo placar de 4 a 2. A partida foi realizada ontem (11), no Estádio Evandro Almeida, o Baenão, em Belém.

A parceria entre CBF e FSC Brasil valoriza a floresta em pé e, por meio da Iniciativa Design & Madeira Sustentável, da associação BVRio, reforça o papel dos pequenos produtores na sua conservação.

A competição era chamada anteriormente de Copa Verde porque reunia as equipes das regiões Norte e Centro-Oeste, do Distrito Federal e do Espírito Santo, mas só ganhou as características de sustentabilidade e ambiental a partir de 2016, que foi o primeiro ano em que os troféus entregues aos vencedores – melhor time e melhor jogador da partida – foram feitos de madeira nativa certificada pelo FSC. Os troféus são produzidos por artesãos da Movelaria Anambé, empreendimento comunitário administrado pela Cooperativa Mista da Floresta Nacional do Tapajós (Coomflona), no Pará, e idealizados pelos designers Guido Guedes e Alessandra Delgado. O melhor jogador deste ano foi Roni, do Remo.

A Coomflona possui o selo FSC 100% comunitário para manejo florestal desde 2013 e comprova a importância dos pequenos produtores na conservação das florestas. O diretor de Florestas e Políticas Públicas da BVRio, Beto Mesquita, informou à Agência Brasil que uma das maneiras de proteger a floresta amazônica é garantir que ela continue de pé, mas que ela também seja fonte de renda, de trabalho e desenvolvimento.

“Uma das maneiras de gerar renda e benefícios é através do manejo sustentável. Quando as pessoas falam em madeira, em exploração de madeira, geralmente associam com o desmatamento, com a destruição da floresta. Nesse caso, não é isso que acontece”. Mesquita explicou que há um manejo. Algumas árvores são escolhidas, retiradas, e quanto maior for o valor agregado que aquela madeira tiver, menos árvores são necessárias retirar, causando menor impacto na floresta.

“Quando a gente divulga para a sociedade que é possível utilizar a floresta de maneira sustentável, sem destruir a floresta, isso pode gerar utensílios, arte, móveis, ‘design’. Pode, inclusive, gerar troféus de futebol. A gente mostra para as pessoas que é possível utilizar a floresta economicamente, sem destruí-la. A floresta em pé também pode gerar desenvolvimento e emprego”.

Carbono zero

A Copa Verde se tornou, em 2016, a primeira competição carbono zero do futebol brasileiro e já compensou mais de mil toneladas de carbono com o plantio, só na região do Xingu, de 5 mil árvores em regime de agrofloresta. Na edição deste ano, serão compensadas mais 210 toneladas de CO2 e plantadas 914 árvores em Altamira (PA).

A competição já retirou do meio ambiente mais de cinco toneladas de garrafas PET, o equivalente a 200 mil garrafinhas. “O futebol é uma poderosa ferramenta para a educação para a sustentabilidade”, afirma Carlos Henrique Rodrigues Alves, consultor de sustentabilidade para a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), acrescentando que ao todo, mais de uma centena de catadores foram envolvidos, gerando renda para essas famílias”.

O campeão da Copa Verde, o time do Remo, ganhou ainda R$ 150 mil e uma vaga na terceira rodada da Copa do Brasil, que deverá ocorrer a partir de março de 2022. Nesta temporada, o valor total das premiações da CBF no campeonato atingiu R$ 1,5 milhão. Todos os times receberam incentivo financeiro desde a primeira fase, o que para muitos deles é extremamente significativo.

Por: Alana Gandra 
Fonte: Agência Brasil