Covid-19: sistema de saúde em Altamira entra em colapso

100% dos leitos de UTI no Hospital Regional estão ocupados e o número de novos casos atingiu 187 em 24h; Carta enviada por 47 organizações da sociedade civil que fazem parte da campanha “Respira Xingu” pede que prefeitura decrete lockdown imediato

Não há mais vagas de UTI no Hospital Regional Público da Transamazônica, referência para tratamento da Covid-19 em Altamira e outros nove municípios no sudeste do Pará. Com 100% dos leitos ocupados, organizações da sociedade civil denunciam o colapso do sistema de saúde e exigem que a prefeitura decrete lockdown para conter o avanço da doença. “O momento é de uma Emergência dentro da Emergência! (…) Nesse momento, salvar vidas e manter o comércio e outros espaços não essenciais abertos são atos incompatíveis”, denunciam em carta enviada para a prefeitura municipal de Altamira, MPF, MPE e Defensoria Pública da União. [Leia na íntegra]

O número de novos casos supera 187 em 24h e já são 404 mortes e 20,7 mil casos da Covid-19 confirmados na região, que além de atender nove municípios é referência para indígenas e ribeirinhos de 11 Terras Indígenas e sete Unidades de Conservação. Os dados são do Grupo de Monitoramento epidemiológico da Covid-19 da região do Xingu da Faculdade de Medicina da UFPA em Altamira. Segundo o monitoramento, a taxa de letalidade de pacientes entubados nas UTIs está entre 80% e 90%.

O apelo foi feito pela campanha “Respira Xingu”, iniciativa de 47 organizações da sociedade civil lançada no início de fevereiro para enfrentar a segunda onda de Covid-19. “Não ficaremos parados enquanto vemos o horror se instalar. Não podemos seguir o exemplo de outras cidades onde, infelizmente, a doença tem matado por falta de oxigênio na rede hospitalar”, diz o manifesto [leia na íntegra].

Na carta, pedem que o prefeito de Altamira, Claudomiro Gomes (PSB) tenha “coragem e assuma seu papel como gestor municipal para salvar vidas(…) A sociedade saberá reconhecer o seu gesto”.

Os movimentos denunciam a falta de leitos, profissionais, medicamentos e equipamentos para o enfrentamento da Covid-19. “Vivemos uma 1ª onda de contaminação do Covid-19 em 2020 e esperava-se uma curva de aprendizado maior. Na prática percebemos que pouco evoluímos para enfrentar essa 2ª onda que veio muito mais forte e de uma vez em todo o território nacional”. Para agravar o quadro, a taxa de vacinação na região, 0,7%, é menor do que a média do estado do Pará, o estado brasileiro com a menor porcentagem de população vacinada (2,8%).

A região ainda enfrenta os impactos da hidrelétrica de Belo Monte, projeto marcado por um desastroso número de impactos socioambientais. “Os Royalties de Belo Monte e outros recursos devem ser utilizados com prioridade e agilidade para lidar com essa crise”, diz a carta.

Além de receber doações e promover ações de conscientização, a campanha “Respira Xingu” busca pressionar o poder público para implementar medidas efetivas de contenção do vírus. [Acesse o site e saiba como ajudar].

Compromisso

Nesta terça-feira o prefeito de Altamira recebeu representantes da campanha “Respira Xingu” para participar de reunião com a secretaria municipal de saúde, a 10ª regional da Secretaria Estadual, empresários, Guarda Municipal e outras organizações da região.

Claudomiro reconheceu a emergência e se comprometeu com uma série de medidas restritivas para combater a escalada de casos na cidade. Decreto deve ser publicado hoje (17) com medidas mais restritivas, como toque de recolher, fechamento de bares, igrejas e restaurantes, proibição de venda de bebidas alcoólicas e instalação de barreiras nas entradas dos municípios.

Fonte: ISA

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