CPI da Covid: vacinas que iriam para indígenas são desviadas para garimpeiros; Indígenas recebem cloroquina

Desde abril a CPI da Covid investiga supostas omissões e irregularidades nas ações do governo federal durante a pandemia do coronavírus no Brasil

A CPI da Covid-19 recebeu nesta segunda-feira (7), documento enviado pela Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Povos Indígenas, na qual mostra que vacinas destinadas aos povos indígenas teriam sido desviadas a garimpeiros com pagamento em ouro. O documento aponta também que os indígenas receberam cloroquina e tiveram dificuldade de acessar leitos de Unidades de Terapia Intensiva( UTI).

A informação sobre desvio de vacinas para garimpeiros também foi denunciada pela Hutukara Associação Yanomami em abril deste ano, Dário Vitório Kopenawa Yanomami, vice-presidente da organização, informou que profissionais que atuavam na Terra Yanomami estariam vacinando garimpeiros em troca de ouro, na mesma época, autoridades de Roraima fizeram pressão para redirecionar parte das doses para não indígenas.

Em ofício enviado à Procuradoria-Geral da República, também foi apontado a dificuldade de vacinar indígenas por conta da disseminação de fake news entre os povos, o texto revelou a influência negativa que missionários estavam exercendo sobre comunidades indígenas. “A campanha de desinformação seria difundida via áudios e vídeos pelo celular, pelo sistema de radiofonia entre as aldeias e por cultos presenciais. No estado do Maranhão a maior influência seria da igreja Assembleia de Deus.”

Também foi apontado que o Ministério da Saúde distribuiu pelo menos 265 mil comprimidos de cloroquina, azitromicina e ivermectina aos indígenas no Acre, Amazonas, Mato Grosso, Roraima e Rondônia, com o propósito de tratar infecções pelo novo coronavírus. Cerca de 10 indígenas Cinta Larga morreram por falta de leitos de UTI e de medicação adequada.

Fonte: Amazônia.org.br