Desmatamento caiu? Só que não

O Imazon acaba de divulgar os dados do SAD e o Amazonas liderou nos alertas de desmatamento em janeiro deste ano.  Com intensa cobertura de nuvens, estados do Pará e Mato Grosso tiveram medição prejudicada

O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) divulgou nesta quinta-feira (18) os resultados do Sistema de Alertas de Desmatamento na Amazônia Legal (SAD) de janeiro de 2016, onde foram registrados alertas em 52 km², destruição 82% menor que a identificada em janeiro de 2015.

Uma primeira leitura pode levar a falsa sensação de que o desmatamento diminuiu. O boletim, entretanto, atenta para o fato de que regiões importantes da Amazônia apresentavam grande cobertura de nuvens, ou seja, em regiões críticas o sistema não conseguiu imagens boas o suficiente para a medição, sendo assim, os dados podem estar subestimados.

Em janeiro de 2016 os estados do Pará (PA) e Mato Grosso (MT) – campeões históricos em desmatamento – apresentavam mais da metade de seu território coberto por nuvens: 64% e 63% respectivamente, o que torna difícil verificar se houve, de fato, uma tendência de queda no desmatamento na Amazônia.

O estado do Amazonas mais uma vez chamou atenção na análise, registrando a maior área com alertas de desmatamento (45%). No mesmo mês do ano passado, o estado era responsável por apenas 1% do total de alertas. Dentre os dez municípios em situação crítica, segundo o Boletim do Imazon, cinco pertencem ao Amazonas. Os municípios de Careiro e Novo Aripuanã lideram.

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em janeiro de 2016 os focos de incêndio no estado do Amazonas dispararam, com o registro de 770 focos, o maior para o mês desde o início das medições, em 1999. Até então, o maior número de focos de incêndio medido no mês havia sido de 82.

Em relação aos alertas de desmatamento em Unidades de Conservação, a Área de Proteção Ambiental (APA) Margem Esquerda do Rio Negro, também no Amazonas, lidera com a maior área com alertas. O desmatamento em Unidades de Conservação representaram 12% do total.

O Amazonas está colhendo os frutos ruins da reforma administrativa promovida pelo governo estadual em 2015, quando fechou órgãos estratégicos para promoção a gestão ambiental do estado, fragilizando o sistema. “Infelizmente, a tendência é que o Amazonas passe a chamar cada vez mais a atenção nas notícias sobre as taxas de desmatamento” diz Cristiane Mazzetti, da campanha da Amazônia do Greenpeace, “o sul do estado já está incorporado ao arco do desmatamento”, completa.

O caso do Amazonas nos mostra que não está tudo bem na floresta. “Precisamos seguir pressionando atores estratégicos, como empresas e governos, a tomarem as medidas adequadas para proteger um bem que é de todos”, diz Cristiane.

O desmatamento da Amazônia é um problema grave que afeta toda a sociedade. O Greenpeace Brasil atua no combate a extração ilegal e predatória da madeira, contra o avanço do agronegócio sobre a floresta e vem lutando, com o apoio de mais de 1,5 milhão de brasileiros, pela aprovação de uma lei que coloque um ponto final no desmatamento de florestas nativas no Brasil.

Fonte: Greenpeace Brasil

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