Desmatamento na Amazônia é o maior para o mês de abril desde 2016

Até o dia 29, os satélites já tinham registrado 581km² de área com alertas de desmatamento consagrando abril de 2021 como o maior da série histórica de medição do Inpe

O desmatamento da Amazônia aumentou 43% em abril de 2021 em relação ao mesmo mês do ano anterior segundo dados do Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Foram 581km² de destruição na floresta registrados até o dia 29. O número é o maior da série histórica do INPE que desde 2015 usa dados mais precisos no monitoramento.

O Governo chegou a anunciar a redução do desmatamento como resultado das ações do Exército na Amazônia. Os dados do Inpe apontaram uma diminuição de 19,15% em comparação ao mesmo período de 2019/2020.

“Mesmo o acumulado do ano sendo menor que o de 2020 no mesmo período é importante lembrar que o ano passado foi um ano de forte aumento e que o aumento de 58% registrado agora de um mês para outro, março para abril, mostra um possível início de um ciclo de escalada nos índices de desmatamento. Essa tendência é mais preocupante ainda quando estamos iniciando agora a temporada de seca na Amazônia, onde os processos de “limpeza” de áreas se acentuam”, afirma o diretor executivo da Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, Mauro Armelin.

O INPE monitora o desmatamento usando como base o calendário que vai de agosto de um ano até julho do ano seguinte para contemplar os períodos de chuvas e seca na região e facilitar as análises. No período das chuvas na região, de novembro a março, o desmatamento tende a ser menor, aumentando nos meses seguintes. Além disso, os dados divulgados hoje podem estar subestimados já que quase 26% da Amazônia estava coberta por nuvens, dificultando o monitorando.

Geografia do Desmatamento

O Pará foi o estado com maior área sob alerta de desmatamento, com 211km², equivalente a 36% do total registrado. No mesmo período do ano passado, o estado concentrou quase metade de todo o desmatamento na Amazônia Legal.

Em segundo lugar ficou o estado do Amazonas, com 175km² sob alerta, e Mato Grosso, com 117km². Rondônia teve 50km² e Roraima, 20km². Em seguida vieram Maranhão (4km²) e Acre (3km²). O Amapá e o Tocantins não tiveram áreas sob alerta de desmatamento.

Os alertas de desmatamento foram feitos pelo Deter, que produz sinais diários de alteração na cobertura florestal para áreas maiores que 3 hectares (0,03 km²), tanto para áreas totalmente desmatadas como para aquelas em processo de degradação florestal. Esses dados não são oficiais, mas têm a função de ajudar órgãos de fiscalização ambiental em ações de combate a crimes ambientais e podem ser usados para acompanhar o avanço do desmatamento no bioma.

Fonte: Amazônia.org.br