Diálogo Florestal terá Fórum na Amazônia

Iniciativa chega oficialmente à região como um espaço de diálogo e o engajamento do setor florestal para promover a governança e a construção coletiva de soluções inclusivas para o desenvolvimento sustentável e o bem-viver

O Diálogo Florestal, iniciativa que visa a promoção de ações efetivas associadas à produção florestal, a ampliação da escala dos esforços de conservação e restauração do meio ambiente, gerando benefícios para os participantes do Diálogo e para a sociedade em geral e conta com mais de 100 integrantes em cinco Fóruns regionais, passa a contar com um Fórum Florestal para a Amazônia legal.

A atuação na Amazônia remonta às tratativas para construção de um diálogo para o setor da palma no passado e, mais recentemente, com a realização da primeira reunião do Diálogo do Uso do Solo no Centro de Endemismo Belém. Dessa última ação, resultou da plenária a sugestão de criação de um Fórum para a região, decisão esta que vai totalmente ao encontro dos objetivos de ampliação da atuação da organização na Amazônia. Após aprovação do Conselho de Coordenação nacional, foi estabelecido um grupo consultivo com representantes da sociedade civil, de instituições de ensino e pesquisa, do setor produtivo, incluindo representante do manejo florestal comunitário. Esse grupo definiu que seria necessário iniciar com o planejamento estratégico, incluindo uma análise de cenário identificando potenciais oportunidades, ameaças, pontos fortes e fracos da iniciativa, além de ter ressaltado a importância de considerar também a diversidade de gênero e de gerações nos trabalhos do Fórum. Como resultado desta etapa, cerca de 40 organizações que atuam na região se uniram para traçar os rumos iniciais do novo Fórum, criado nesta quarta-feira, 16 de junho.

“Dar início ao Fórum Florestal da Amazônia, com uma missão, visão de futuro e um plano estratégico definidos é um marco importante na história do Diálogo Florestal no Brasil, que há 15 anos promove espaços seguros para construção coletiva de soluções para os problemas locais com ampla participação social, podendo colaborar em última análise, para o enfrentamento de grandes dilemas da sociedade, como a crise climática”, afirma a secretária executiva do Diálogo, Fernanda Rodrigues.

O Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) acredita que esse modelo de gestão multisssetorial de demadas na busca por soluções permitirá estabelecer um espaço relevante para o diálogo na Amazônia.  “O setor florestal da Amazônia é complexo e composto por múltiplos atores assim como o desafio de fortalecer processos sustentáveis para a gestão dos recursos naturais. Nesse sentido, espaços como o Fórum Florestal da Amazônia fortalecem a estratégia de articulação em rede, com o principal objetivo de instituir relações mais justas e equitativas em prol do desenvolvimento sustentável da região, respeitando o protagonismo e as especificidades de todos os envolvidos”, acredita Alison Castilho, analista socioambiental do IEB e secretário executivo do Observatório do Manejo Florestal Comunitário e Familiar (OMFCF).

De acordo com Fernanda, mais do que um espaço para se marcar posições, o Diálogo Florestal se baseia na análise crítica e responsável sobre os problemas abordados para a construção de soluções efetivas e concretas que superem os desafios apresentados. Para isso, são adotados sete princípios: integração, transparência, confiança, respeito à diversidade, não exclusão, proatividade e compromisso. Entretanto, a participação no Fórum não é garantia de concordância plena em todos os temas ou mútuo endosso de práticas de seus participantes, e sim um compromisso mútuo em prol do bem comum. O pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, Milton Kanashiro, complementa: “uma utopia possível para o uso, manejo, conservação e restauração das florestas, desenvolvimento local e regional para o bem viver da sociedade”.

Para Helene Menu, gerente de responsabilidade socioambiental da Agropalma, é um prazer poder contribuir com a formação do Fórum da Amazônia dentro do Diálogo Florestal, iniciativa que ela ressalta que já traz soluções efetivas e inclusivas para o setor florestal em outros biomas. “O Fórum da Amazônia, formado por parceiros que conhecem profundamente a região com suas dificuldades, mas também seu alto potencial, vem com certeza para consolidar e apoiar a geração de ações construtivas e integradoras para uma agenda positiva”, afirma.

Como participar

A participação no Fórum Floresta da Amazônia é aberta a organizações da sociedade civil, incluindo associações e cooperativas, empresas, instituições de ensino e pesquisa e outras que tenham interesse em contribuir. Para saber como participar, pode ser realizada inscrição prévia por meio do formulário online https://forms.gle/ahU2y8Tn2W5KDkUK6.

Com a criação do Fórum, se formará uma secretaria executiva e o grupo passa a atuar de forma independente, alinhado aos princípios de funcionamento e em cooperação com o Diálogo Florestal nacional. Com o apoio do Diálogo Florestal nacional será realizada, em breve, a primeira reunião que entre outros temas debaterá os desafios para financiamento das atividades do novo Fórum.

Fazem parte do Conselho de Coordenação do Diálogo Florestal no Brasil as organizações da sociedade civil Amda, Apremavi, Conservação Internacional, Instituto BVRIO e WWF. Por parte das empresas:  CMPC Celulose Riograndense, Cenibra, Klabin, Veracel e Suzano. O financiamento das ações no Brasil é realizado pelas empresas que compõem o Conselho de Coordenação e mais a Stora Enso do Brasil.

O processo de elaboração do planejamento estratégico foi viabilizado com o suporte da consultoria Matres Socioambiental e aporte financeiro da Agropalma via Conservação Internacional, Suzano S.A., Confloresta e do Diálogo Florestal.

Participantes do processo de planejamento estratégico do Fórum Florestal da Amazônia:

Aliança pela restauração na Amazônia
Agropalma
AMDA (representando o Conselho de Coordenação Nacional do Diálogo Florestal)
Amigos da Terra Amazônia Brasileira
Associação Brasileira de Empresas Concessionárias Florestais – CONFLORESTA
Associação das Guerreiras Indígenas de Rondônia-AGIR
Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé
Associação Nossa Senhora do Perpétuo Socorro do Rio Arimum – Porto de Moz
Associação Rondoniense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas – ARFLORA
Cikel – Grupo Keilla
Conservação Internacional Brasil – CI Brasil
Cooperativa Mista Agroextrativista Nossa Senhora do Perpétuo Socorro – Arimum
Cooperativa Mista da Flona do Tapajós – COOMFLONA
Cooperativa Ouro Verde
Diálogo Florestal
Embrapa Acre
Embrapa Amapá
Embrapa Amazônia Ocidental
Embrapa Amazônia Oriental
Embrapa Rondônia
Embrapa Roraima
Estuário Serviços Consultorias Socioambientais
Grupo RGL
Instituto Internacional de Educação do Brasil – IEB
Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola – Imaflora
Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia – Imazon
Instituto Beraca
Instituto BVRio (representando o Conselho de Coordenação Nacional do Diálogo Florestal)
Instituto Federal do Amazonas
Instituto RioTerra
Klabin (representando o Conselho de Coordenação Nacional do Diálogo Florestal)
Observatório do Manejo Florestal Comunitário e Familiar (OMFCF)
RADIX Investimentos Florestais
Rede Mulher Florestal
Sapopema
Suzano S.A.
Universidade Federal do Oeste do Pará – UFOPA
Universidade Estadual do Maranhão – UEMA
Universidade Federal do Acre – UFAC
Universidade Federal do Amazonas – UFAM
Universidade Rural da Amazônia – UFRA
Vale S.A.
Veracel Celulose (representando o Conselho de Coordenação Nacional do Diálogo Florestal)
WWF Brasil