DJ Alok faz show emocionante com indígenas Huni Kuin, Yawanawá e Guarani: da Amazônia para o ‘Global Citizen Live’

No último sábado, 25/9, como contamos aqui, mais de 50 grandes nomes da música internacional – entre eles Elton John, Billie Eilish, BTS, Demi Lovato, Coldplay, Jennifer López, Shawn Mendez, Kylie Minogue, Green Day, Tiwa Savage e Stormzy -.aderiram ao Global Citizen Live.

O objetivo do movimento Global Citizen é ajudar a erradicar a pobreza extrema até 2030. Com seus eventos anuais, que sempre buscam o engajamento da sociedade e a arrecadação de fundos para projetos e programas, a iniciativa chama a atenção das nações mais ricas para que cumpram a promessa de doar US$ 100 bilhões anualmente para atender às necessidades climáticas dos países em desenvolvimento e que as nações mais ricas e bilionários do mundo todo acabem com a crise da fome, contribuindo com, pelo menos, US$ 6 bilhões para o fornecimento urgente de milhões de refeições para 41 milhões de pessoas.

O megashow – que começou às 13h e durou 24 horas e foi transmitido para mais de 100 países – teve apresentações online e ao vivo, de diversas partes do mundo como Paris, Nova York, Johannesburgo, Lagos, Buenos Aires, Seul, Los Angeles, Mumbai, Londres, Sidney e…. Amazônia.

Direto da maior floresta tropical do mundo, num palco montado numa balsa ancorada no rio Amazonas, o DJ e produtor brasileiro Alok participou deste movimento muito bem acompanhado por indígenas de três etnias: Huni Kuin (na foto acima, Alok ao fundo e Mapu Huni Kuin), Yawanawá (da aldeia Mutum, abaixo) e Guarani Mbya, esta foi representada por Owerá-Kunumi MC (abaixo também).

Os Yawanawá durante a apresentação / Foto: reprodução vídeo
O rapper Kunumi MC / Foto: reprodução vídeo

“Foi mágico! Aprendi que os cantos indígenas são as vozes ancestrais da floresta e diante do momento urgente que vivemos, devido às mudanças climáticas, é preciso ouvir o que a floresta tem a nos dizer”, declarou o DJ.

Durante quase sete minutos, no segundo show do dia, eles entoaram cantos ancestrais – com legendas em inglês – seguindo o ritmo do DJ. Um show potente e muito emocionante, que contou com a intervenção da voz da liderança indígena Célia Xakriabá, que declarou: “Antes do Brasil da Coroa, existe o Brasil do cocar“. O MC Kunumi parou sua apresentação para que pudéssemos ouvi-la.

Ao encerrar o show, Alok disse: “Juntos, podemos mover o mundo para defender o planeta e vencer a pobreza. Quero dedicar este momento a todos os cidadãos globais que estão na linha de frente, lutando para conter o aquecimento global. Estou muito honrado por fazer parte deste movimento global e sei que podemos mudar o mundo com uma ação de cada vez”.

Em outro post no Instagram, acrescentou: “Agora é o tempo de entrar em ação. Nosso mundo está sofrendo devido às mudanças climáticas, impactando comunidades vulneráveis que vivem na pobreza – devemos convencer os líderes mundiais a agirem agora”.

E Célia comentou: “Com coração sensível você tem genipapizado o som. O canto ancestral indígena tem essa força incrível de atravessar o coração das pessoas a ponto delas irem embora do show e a alma continuar dançando. Parabéns a todos os envolvidos na construção desse espetáculo, em especial aos parentes indígenas pela força do cantar e do reencantar”.

No final, deste texto, assista ao vídeo sobre o envolvimento de Alok com os povos indigenas e o show completo.

Do Brasil, além de Alok e dos indígenas, na Amazônia, também participaram do Global Citizen Live, do Rio de Janeiro: Mart’nália, Criolo, Liniker, Tropkillaz e Mosquito.

O futuro é ancestral
Não é de hoje o encantamento de Alok com os povos indígenas. Seu primeiro contato foi com os Yawanawá, em 2014 e a partir daí sua carreira deu uma guinada. “Eu estava em busca de inspiração, então, fiz uma longa viagem à aldeia Mutum dos Yawanawá, na Amazônia. Chegando lá, resignifiquei muitos valores em minha vida, inclusive a forma como eu lidava com a natureza e com a música”.

Desse encontro, em 2016, nasceu o minidocumentário Yawanawá – A Força, que você pode assistir no YouTube.

A partir daí, seu envolvimento com os indígenas só cresceu. Em agosto, participou do acampamento Luta pela Vida, a segunda mobilização promovida por esses povos este ano, em Brasília, para acompanhar mais de perto – e fazer pressão – do julgamento da tese ruralista do marco temporal no Supremo Tribunal Federal.

Foi quando anunciou a realização de uma minissérie documental sobre as raízes sonoras dos povos originários do Brasil. Realizada em parceria com a produtora Maria Farinha Filmes, a série vai mostrar Alok acompanhando a jornada dos ativistas indígenas Célia Xakriabá, Kunumi MC, Mapu Huni Kuin e Tashka Yawanawa.

Alok e os indígenas que participam da minissérie e do novo álbum (entre eles, Kunumi MC, à esquerda, na foto, e Célia, ao lado de Alok) / Foto: Reprodução Instagram

Ele conta que as músicas escolhidas para o show no Global Citizen Live “fazem parte do álbum especial que estou preparando com os povos indígenas para o próximo ano, junto” e dessa minissérie. “O nome: O futuro é ancestral“.

O roteiro da minissérie contempla a troca de vivências com lideranças musicais dos Kariri-Xocó, Huni Kuin, Yawanawá e Guarani, a partir das quais também será produzido um álbum com renda totalmente revertida para os povos participantes. E que também deve resultar na produção de um álbum exclusivo com cada um deles, composto por suas canções tradicionais com o intuito de manter ainda mais vivas as narrativas indígenas.

“Sirvo apenas como uma ferramenta para ajudar a levar as vozes indígenas para além das aldeias, como parte de um compromisso em retribuição ao que esses povos fazem historicamente para preservar as florestas. Respeitá-los não é uma opção, mas uma reparação histórica necessária”, destaca.

Célia Xakriabá (professora ativista indígena, do povo Xakriabá, que se tornou amiga de Alok) e Moara Passoni assinam o roteiro da minissérie, escrito a partir de ideia original de Estela Renner, Marcos Nisti (diretores da Maria Farinha Filmes) e Alok. A direção é de Tatiana Lohmann.

Com o Instituto Alok, o produtor apoia e participa de projetos voltados à preservação da cultura indígena, como também de povos da Índia e da África.

Agora, assista ao vídeo sobre a participação de Alok no Global Citizen, a escolha do local e seu envolvimento com os indígenas. E assista ao show:

Por: Mônica Nunes
Fonte: Conexão Planeta