Eleições 2022: Lula e Bolsonaro disputam o segundo turno

Governadores ruralistas e defensores de mineração foram reeleitos no primeiro turno; Lula teve maioria dos votos em cinco estados da Amazônia e Bolsonaro em quatro.

Eleições 2022: Lula e Bolsonaro disputam o segundo turno
Queimada registrada próxima à Terra Indígena Baú, do povo Kayapó, em Novo Progresso – Pará (Foto: Cícero Pedrosa Neto/Amazônia Real)

Na jornada eleitoral mais importante desde a redemocratização do país, o resultado do primeiro turno mostra um país dividido. Na eleição para a Presidência da República, uma diferença de pouco mais de 5% separou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de Jair Bolsonaro (PL), numa disputa em que a luta pela recuperação dos direitos constitucionais nos próximos quatro anos terá mais 28 dias de campanha. O ex-presidente Lula saiu na frente na apuração, mas o presidente Bolsonaro tomou o posto e ficou quase duas horas liderando a contagem, com votos onde seu eleitorado predomina: regiões sul do país e estados como Goiás, Distrito Federal e todo o sul do país.

Na Amazônia Legal, Lula venceu no Amazonas, Pará, Amapá, Tocantins e Maranhão. Bolsonaro venceu no Acre, Mato Grosso, Roraima e Rondônia. Os quatro são estados predominantemente ruralistas, com forças políticas contrárias à política ambiental.

As eleições presidenciais vão para o segundo turno, mas na Amazônia brasileira alguns estados já sacramentaram a vitória no primeiro. O quadro do Executivo, conforme os prognósticos apontaram, será dominado por governadores da direita e ultradireita, defensores do agronegócio e da mineração. As eleições legislativas seguem a mesma tendência.

A tendência política de direita teve ampla adesão de eleitores, se impondo nas urnas em praticamente todos os pleitos na Amazônia. 

No Amazonas, Wilson Lima (União) disputará o segundo turno com Eduardo Braga (MDB), que começou a apuração no quarto lugar, até ultrapassar Amazonino Mendes (Cidadania) quase no final da contagem. O resultado foi quase empate: Braga, com 20,9%, e Amazonino, com 18,6%. Wilson, que tenta a reeleição, ficou com 42,8%.

No Acre, Gladson Cameli (PP) foi reeleito com 56,75%, derrotando o petista Jorge Viana. Em Roraima, Antonio Denarium também foi reeleito, com 56,47%, à frente da ex-prefeita de Boa Vista Teresa Surita (MDB). Outro reeleito foi o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), com mais de 70% dos votos. No Tocantins, o governador Vanderlei Barbosa (Republicanos) também continuará à frente do governo do estado, vencendo com 58,14%.

Em Rondônia, vai ter segundo turno entre Coronel Marcos Rocha (União), atual governador, e Marcos Rogério (PL), ambos apoiadores de Jair Bolsonaro.

No Maranhão, Carlos Brandão (PSB) está matematicamente eleito, com 51,26%. No Amapá, o candidato Clésio (Solidariedade) foi eleito, com 53,69% dos votos.

As eleições no país mostraram também vitórias de candidatos expressamente de direita e defendores de políticas de ataques à agenda ambiental e a floresta amazônica. Foram eleitos os ex-ministros Eduardo Pazzuelo (deputado federal pelo Rio de Janeiro); Marcos Pontes (senador por São Paulo), Ricardo Salles (deputado federal por São Paulo), Teresa Cristina (senadora pelo Mato Grosso do Sul) e o vice-presidente Hamilton Mourão (senador pelo Rio Grande do Sul).

Eleições indígenas

  • Sônia Guajajara, eleita deputada federal por São Paulo na cabine de votação (Foto: Reprodução/Felipe Beltramane)
  • Célia Xakriabá, eleita deputada federal por Minas Gerais (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
  • Sônia Guajajara, eleita deputada federal por São Paulo, em sua seção eleitoral (Foto: Reprodução/Felipe Beltramane)
  • Célia Xakriabá, eleita deputada federal por Minas Gerais (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

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Como contraponto à tendência direitista, algumas candidaturas inovadoras e inéditas saíram vencedoras. As mais emblemáticas foram as das lideranças indígenas Sônia Guajajara (PSOL-SP) e Célia Xakriabá (Rede-MG). 

“A primeira mulher indígena eleita como deputada federal por SP vai aldear o Congresso Nacional. Muito, muito obrigada pela confiança! Vamos aldear mentes e corações e construir um novo Brasil”, disse Sônia Guajajara em suas redes sociais. Em 2018, ela concorreu como vice de Guilherme Boulos à Presidência da República.

Sônia teve 155 mil votos, que asseguraram sua eleição. “Minha candidatura sempre teve o objetivo de cumprir este papel que a história a nós atribuiu – não em busca do cumprimento de um projeto pessoal, mas como agente histórico comprometido com um projeto coletivo de aumentar a quantidade de indígenas no Congresso Nacional, trazendo nossas vozes, demandas e contribuições para a construção de um futuro mais democrático, plural e verdadeiramente envolvido com as reais necessidades do povo brasileiro”, disse a líder indígena em nota de sua assessoria de imprensa.

Ela também fez um apelo aos eleitores: que voltem ao segundo para eleger Lula. “ A luta dos povos indígenas vai além do processo eleitoral, nossa luta é permanente. Por isso apoiamos fortemente o voto em Lula, para garantir o nosso direito de nos mantermos mobilizados sem que o Estado nos nomeie como inimigos. Lula é o caminho contra o ódio, o retrocesso e o autoritarismo. Eleger Lula é votar pela democracia!”, declarou Sonia.

A liderança Vanda Witoto (Rede-AM) não conseguiu se eleger para a Câmara dos Deputados, apesar de ter obtido uma votação expressiva; obteve 24.941 mil votos.  Ela  enfrentou velhas raposas da política local, que continuarão no poder por mais quatro anos. Se eleita, ele seria a primeira deputada federal indígena do estado do Amazonas.

Em Roraima, Joênia Wapichana conquistou 11.221 votos e não se reelegeu para um segundo mandato como deputada federal. 

Por: Elaíze Farias
Fonte: Amazônia Real