Em dia de Ato pela Terra, Lula afirma que se for eleito “não terá garimpo em Terras Indígenas”

Lula e Ciro foram os únicos presidenciáveis a se manifestarem sobre evento contra “pacote da destruição” e sobre aprovação na Câmara de urgência para mineração em TIs

Ato pela Terra reuniu milhares de pessoas em Brasília contra “pacotão da destruição” ambiental. Foto: Observatório do Clima/Reprodução

Lula e Ciro Gomes foram os únicos dos principais candidatos à presidência a se manifestarem sobre os importantes atos que aconteceram em Brasília na tarde de ontem (9) e que poderão ter, para o bem e para o mal, impactos sobre o meio ambiente  e os povos indígenas. De um lado, a aprovação da urgência para o projeto que libera a mineração em Terras Indígenas na Câmara dos Deputados, de outro, o Ato pela Terra, uma manifestação de protesto e resistência contra os desmontes na área ambiental.

O Ato pela Terra ocorreu durante a tarde e noite da quarta-feira, e reuniu cerca de 40 artistas – entre eles Caetano Veloso, Chico Buarque, Nando Reis e Daniela Mercury – e mais de 230 organizações da sociedade civil, além de milhares de pessoas. O evento foi realizado em protesto contra o que chamaram de “Pacote da Destruição”, um conjunto de projetos de lei em tramitação no Congresso que poderá anistiar a grilagem, extinguir o licenciamento ambiental e aumentar o esbulho sobre terras indígenas. 

Enquanto isso, na Câmara dos Deputados, os parlamentares aprovaram a urgência no projeto que libera a mineração em Terras Indígenas.

Em seu Twitter, Lula se posicionou de forma contrária ao projeto em pauta na Câmara. “Se eu for presidente da República não terá garimpo em terras indígenas. Os índios não são intrusos, eles estavam aqui antes dos portugueses chegarem. Eles têm direito a vida digna e cuidarmos da Amazônia é mais importante que garimparem um pouco de ouro”, disse o presidenciável.

Já Ciro Gomes, ao comentar o Ato pela Terra, disse que a presença e o discurso de Caetano no Senado “tem não só moldura histórica, como instaura uma nova forma de enfrentamento à marcha devastadora que alguns setores promovem contra o meio ambiente”. Segundo ele, as leis brasileiras não devem jamais ser feitas “para semear a morte e dar contorno legal a ideias e regimes nefastos”.

Jair Bolsonaro fez uma menção indireta à questão indígena, exaltando os investimentos do Governo Federal em ações de fiscalização em terras indígenas e citando dados imprecisos de desmatamento. Segundo ele, tal investimento trouxe como resultado a “redução de 22,75% no desmatamento em terras indígenas da Amazônia Legal entre 2020 e 2021”.

Os números oficiais do desmatamento, medidos pelo INPE, no entanto, contradizem a fala de Bolsonaro. Segundo o Instituto, a queda no desmatamento em TIs entre 2020 e 2021 foi de 18,6%. A queda, no entanto, não deve ser medida de forma isolada. 

Segundo análise dos números do PRODES feita pelo Instituto Socioambiental (ISA), se contar a degradação – além do desmatamento por corte raso – o aumento da destruição das florestas dentro de territórios indígenas subiu 55% entre 2020 e 2021. Além disso, considerando todo o período do governo Bolsonaro, a alta no desmatamento em TIs foi de 138%.

João Dória, Sérgio Moro e Eduardo Leite não se manifestaram sobre nenhum dos assuntos.

Por: Cristiane Prizibisczki
Fonte: O Eco