Em discurso na ONU, Bolsonaro mascara dados ambientais

O presidente citou ainda o fim da corrupção e convidou todos a visitarem a Amazônia para atestarem a preservação

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro discursou na manhã desta terça-feira (21) na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) que aconteceu em Nova York, nos Estados Unidos. Na ocasião, ele afirmou que iria apresentar um país diferente do que é exibido pela imprensa, sem corrupção, com desmatamento controlado e com liberdade para optar pelo já comprovado ineficiente, tratamento precoce no combate à pandemia de Covid-19.

Sobre meio ambiente, Bolsonaro afirmou que os recursos humanos e financeiros foram dobrados com o objetivo de zerar o desmatamento ilegal. “E os resultados desta importante ação já começaram a aparecer, na Amazônia tivemos uma redução de 32% do desmatamento no mês de agosto quando comparado a agosto do ano anterior”, afirmou. 

O presidente utilizou os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), e de fato se comparado somente com o mesmo mês do ano anterior houve uma redução. No entanto, Bolsonaro não cita que em 2020 o desmatamento foi o maior para o mês dos últimos dez anos. Além disso, as taxas mensais para 2021 não apresentam boas notícias. 

Para Mauro Armelin, diretor executivo da Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, “o desmatamento não tem dado sinais de que está sendo reduzido e isso, provavelmente, será comprovado com os dados do Prodes a serem divulgados nos próximos meses. Comparar um mês com os de anos anteriores só funciona quando se quer acompanhar se uma ocorrência está seguindo um ritmo e se tornando uma tendência.”

Em relação ao orçamento, em abril do ano passado, segundo dados do Observatório do Clima, houve redução de 27,4% no orçamento para fiscalização ambiental e combate a incêndios florestais, considerando Ibama e Instituto Chico Mendes.

Sobre a agricultura, Bolsonaro afirmou que “nossa moderna e sustentável agricultura de baixo carbono, alimenta mais de um bilhão de pessoas no mundo e utiliza apenas 8% do território nacional”. Sem fazer uma comparação direta, citou que as Terras Indígenas ocupam 14% do território nacional. A informação sobre agricultura é imprecisa, já que não leva em conta todas as produtivas. Segundo o Censo Agropecuário de 2017, 22% do país é formado por pasto, por exemplo. 

Ainda segundo informações do MABBiomas metade das pastagens do país possuem algum nível de degradação ambiental, enquanto as Terras Indígenas estão em sua maioria (98%) preservadas. 

Destoando dos outros países, Bolsonaro voltou a defender ainda o tratamento precoce para combate à pandemia de coronavírus. Afirmou ainda que não há casos de corrupção concretos durante a sua gestão e que antes, “estávamos à beira do socialismo”.

Armelin comenta ainda que as ações ambientais só serão efetivas com uma agenda positiva que fomente boas práticas e que a intolerância só pode ser aceita em relação aos crimes ambientais. “O desmatamento não é freado somente com operações policialescas ou militares, precisamos de uma agenda positiva de fomento a práticas agrícolas responsáveis e um discurso dos líderes políticos expressando que a intolerância será somente com o desmatamento, com as invasões de terras indígenas e unidades de conservação”, afirmou. 

Fonte: Amazônia.org