Governo ameaça confiscar bens de posseiros de terra indígena em MT

Moradores de Posto da Mata podem responder por crime de desobediência
A força tarefa federal deu prazo até esta sexta-feira para que os moradores do distrito de Posto da Mata, em Mato Grosso, desocupem a área. Segundo informação da Fundação Nacional do Índio (Funai), quem não sair terá os bens confiscados pela Justiça e deverá responder pelo crime de desobediência. Posto da Mata concentra os posseiros que resistem à desocupação da Terra Indígena Marãiwatsédé e foi ocupado pelas forças federais na madrugada do último domingo.
A localidade é a principal entrada para as terras indígenas e permite acesso a pelo menos 12 das grandes fazendas e posses de tamanho médio de políticos locais.
Segundo a Funai, a mudança na estratégia, com prazo curto para desocupação, “foi necessária para permitir o acesso às áreas rurais que ainda precisavam ser desocupadas, além de garantir à população o direito de ir e vir”.
Em Posto da Mata estão concentrados líderes e manifestantes que realizam bloqueio de rodovias, que impediam o trânsito até mesmo dos veículos oficiais. Um caminhão da Funasa, que levava sete toneladas de alimentos para a aldeia Urubu Branco, do povo Karajá, no município de Confresa, foi incendiado.
A carga foi roubada, mas acabou recuperada no galpão do posto de combustíveis da comunidade, chamado Posto da Mata. O gerente do posto, que era usado como base de resistência, foi preso.
De acordo com o governo federal, os bloqueios impediam o acesso da população a serviços essenciais, inclusive atendimento médico. Entre os dias 26 de dezembro e 1º de janeiro, a equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) atendeu mais de vinte moradores que necessitavam de atendimentos diversos. Quatro eram de suspeita de dengue.
Uma mulher, com suspeita de dengue hemorrágica, foi atendida no dia 31 e teve de ser levada pelo helicóptero do Exército até São Félix do Araguaia, de onde seguiu de avião para ser atendida no Hospital Regional de Rondonópolis.
Desde domingo, três famílias pediram e receberam ajuda para sair de Posto da Mata e cerca de 50 esperam sua vez de obter ajuda para a mudança.
Fonte: O Globo

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