Imperatriz dá voz aos povos do Xingu pela preservação da natureza

Escola também presta uma homenagem aos irmãos sertanistas Villas-Bôas.  Cahê Rodrigues faz um alerta sobre necessidade de equilíbrio na exploração do meio-ambiente.

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A Imperatriz Leopoldinense vai homenagear os primeiros habitantes do Brasil, os índios, com o enredo “Xingu, o clamor da floresta”, do carnavalesco Cahê Rodrigues. Mais do que contar suas lendas e mistérios, a escola de Ramos quer fazer um alerta para a simplicidade dos povos da floresta, que celebram, respeitam e preservam a natureza, tão necessária inclusive ao homem branco, o caraíba.

O enredo é uma ode à beleza e à vida das 17 etnias indígenas que vivem no Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso. A intenção da escola é mergulhar neste universo e mostrar a riqueza e a luta desses povos pela preservação de seus povos e do meio-ambiente. A Imperatriz também vai lembrar a trajetória dos irmãos Orlando e Cláudio Villas-Bôas, sertanistas que estudaram e escreveram sobre os indígenas brasileiros e deixaram como legado a criação do Xingu.

O desfile vai mostrar muito verde e a exuberância de cores e formas não só da floresta, das pinturas corporais, do artesanato, dos instrumentos musicais e tesouros dos indígenas. O paraíso que deslumbrou os conquistadores portugueses. E que acendeu a chama da cobiça e da ganância.

Se antes os índios viviam em total harmonia com a natureza, com a chegada dos colonizadores eles se veem desrespeitados e roubados. Os portugueses os chamam de selvagens, tentam escraviza-los, se apoderam de suas terras e riquezas. Em nome do progresso, trazem espelhos, doenças e devastação. Destroem seus elementos sagrados e esmagam a cultura do povo indígena, como o “abraço da sucuri”: lento e mortal.

É na figura do cacique caiapó Raoni, que os povos do Xingu lutam por seus direitos, cultura e preservação. Reconhecido internacionalmente, Raoni também terá destaque no desfile da Imperatriz. No setor, o índio é tratado como o super-herói nacional, que alerta que para todos possam existir é preciso buscar a preservação da natureza.

E o desfile termina como uma lição das nações xinguanas. Enquanto o caraíba não encontrar seu equilíbrio, a natureza padecerá. E sem ela, a existência de todos está ameaçada. É através do clamor dos índios, que a Imperatriz vem pedir menos ganância e mais atenção com a vida.

Fonte: O Globo

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