Indígenas denunciam violação dos direitos humanos ao Parlamento Europeu e cobram posicionamento

Lideranças cobram posicionamento para cadeias produtivas livres de desmatamento e sobre ouro ilegal

A sessão desta quarta-feira (6) do Parlamento Europeu, contou com a participação dos povos indígenas que estão acampados em Brasília. Uma plenária virtual foi organizada para que, diretamente do Brasil, as lideranças entrassem ao vivo para denunciar as violações aos direitos humanos cometidas pelo governo brasileiro para o parlamento e Organização das Nações Unidas (ONU). O evento fez parte do terceiro dia do Acampamento Terra Livre (ATL).

O cacique Megaron Txucarramãe foi o primeiro a falar e fez diversas críticas ao atual governo do presidente Jair Bolsonaro. “Estamos sendo ameaçados pelo presidente Bolsonaro com seus projetos de mineração na Terra Indígena”. Ainda segundo ele, é importante o apoio de outros países, já que há uma campanha de desinformação que coloca a sociedade brasileira contra os indígenas. “Ele [Bolsonaro] joga os brasileiro contra nós, joga a opinião pública contra nós”.

A presidente da Comissão sobre Direitos Humanos do Parlamento Europeu, Maria Arena (Bélgica), afirmou que todos sabem as injustiças históricas que os povos indígenas viveram ao longo da história e chamou atenção para as responsabilidades das empresas europeias e também do governo Brasileiro no respeito à Constituição Federal.

Maria também lembrou sobre a resolução aprovada pelo Parlamento Europeu em outubro do ano passado que visava impedir a importação de commodities e produtos vinculados ao desmatamento e a à violação dos direitos humanos, adotada pelos 27 países membros. Eleonora Evi (Itália), da Delegação do Parlamento Europeu pelas relações com o Brasil, fez uma fala reconhecendo a importância de aprimorar essas políticas due diligence.

O assunto também foi lembrado pelas lideranças indígenas do Brasil. “Vocês (europeus) falam que querem proteger a Amazônia, mas compram boi que desmata e mata meus parentes, compra ouro que mata Yanomami”, disse Beto Marubo, representando a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab)

O evento, que foi transmitido online pelo canal do Youtube da APIB e da Organização internacional sobre direitos humanos, No Peace without Justice/Não tem paz sem justiça, que também é apoiadora do evento.

Participantes

A audiência conjunta foi conduzida pelos parlamentares Maria Arena (Bélgica), presidente da Comissão sobre Direitos Humanos do Parlamento Europeu; Eleonora Evi (Itália), da Delegação do Parlamento Europeu pelas relações com o Brasil; Miguel Urbano Crespo (Espanha), da Delegação do Parlamento Europeu pelas relações com MERCOSUL; Marie Toussaint (França), da delegação do Parlamento Europeu pelas relações com a América Latina.

Já pela ONU, Marcos Orellana, Relator Especial das Nações Unidas sobre Produtos Tóxicos e Direitos Humanos; José Francisco Calí Tzai, Relator Especial das Nações Unidas sobre Direitos dos Povos Indígenas; Ian Fry, Relator Especial das Nações Unidas sobre Direitos Humanos e Mudança Climática.

A moderação da plenária foi realizada pelo Eloy Terena, que é advogado da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), e outras lideranças indígenas Eliezer Marubo (Liderança indígena do Vale do Javari); João Casimiro do Nascimento Neto (coordenador executivo da APOINME); Eliseu Lopes Kaiowá Guarani (coordenador executivo da APIB) e Megaron Kayapó.

Por: Aldrey Riechel e Anna Francischini
Fonte: Amazônia.org.br