​​Lula afirma que como presidente buscará pacificação ambiental

Ao lado de Marina Silva e de outros apoiadores, Luiz Inácio Lula da Silva, fez, neste domingo (30), o seu primeiro pronunciamento após vencer as eleições 2022

Luíz Inácio Lula da Silva, após fazer o seu primeiro pronunciamento recém-eleito ao terceiro mandato como presidente do Brasil

Em uma votação extremamente dividida, Luiz Inácio Lula da Silva, se reelege com 60 milhões de votos, aos 77 anos, para o seu terceiro mandato como presidente do Brasil. Em seu primeiro pronunciamento após a apuração das urnas, Lula afirmou que irá buscar a pacificação ambiental, combater a fome e as desigualdades sociais. “O povo brasileiro quer ter de volta a esperança.”, disse.

Lula também reafirmou compromissos ambientais, como o desmatamento zero, o investimento na ciência, a proteção aos povos indígenas e minorias, a retomada do crescimento econômico com bases sustentáveis e o engajamento para a mitigação da crise climática. 

“O Brasil está pronto para retomar o seu protagonismo na luta contra a crise climática, protegendo todos os nossos biomas, sobretudo a Floresta Amazônica. Em nosso governo, fomos capazes de reduzir em 80% o desmatamento na Amazônia, diminuindo de forma considerável a emissão de gases que provocam o aquecimento global. Agora, vamos lutar pelo desmatamento zero da Amazônia. O Brasil e o planeta precisam de uma Amazônia viva. Uma árvore em pé vale mais do que toneladas de madeira extraídas ilegalmente por aqueles que pensam apenas no lucro fácil, às custas da deterioração da vida na Terra. Um rio de águas límpidas vale muito mais do que todo o ouro extraído às custas do mercúrio que mata a fauna e coloca em risco a vida humana.”, disse.

O petista herdará em janeiro de 2023 um país com desmatamento crescente e politicamente dividido. Em sua fala sobre a Amazônia, ele relembrou as mortes de crianças Yanomami, em 2022, e reforçou a necessidade de retomada da presença do Estado na região.

“Quando uma criança indígena morre assassinada pela ganância dos predadores do meio ambiente, uma parte da humanidade morre junto com ela. Por isso, vamos retomar o monitoramento e a vigilância da Amazônia, e combater toda e qualquer atividade ilegal – seja garimpo, mineração, extração de madeira ou ocupação agropecuária indevida. Não nos interessa uma guerra pelo meio ambiente, mas estamos prontos para defendê-lo de qualquer ameaça.”, disse. 

O agora presidente eleito também afirmou que garantirá a soberania nacional sobre a floresta, um tema foco de grandes divergências durante a campanha. “Ao mesmo tempo, vamos promover o desenvolvimento sustentável das comunidades que vivem na região amazônica. Vamos provar mais uma vez que é possível gerar riqueza sem destruir o meio ambiente. Estamos abertos à cooperação internacional para preservar a Amazônia, seja em forma de investimento ou pesquisa científica. Mas sempre sob a liderança do Brasil, sem jamais renunciarmos à nossa soberania”. 

Outra fala importante para o meio ambiente foi a promessa do investimento em pesquisa. “Queremos um comércio internacional mais justo. Retomar nossas parcerias com os Estados Unidos e a União Europeia em novas bases. Não nos interessam acordos comerciais que condenem nosso país ao eterno papel de exportador de commodities e matéria prima. Vamos re-industrializar o Brasil, investir na economia verde e digital, apoiar a criatividade dos nossos empresários e empreendedores. Queremos exportar também conhecimento”. 

Por fim, Lula termina o seu discurso pedindo a retomada do diálogo e da conciliação.  “Quero dizer que desejamos o mesmo, e vamos trabalhar sem descanso por um Brasil onde o amor prevaleça sobre o ódio, a verdade vença a mentira, e a esperança seja maior que o medo.”.

Até a data de sua posse, em primeiro de janeiro, Lula afirmou que deve fazer viagens internacionais para restabelecer a cooperação. “Vamos reconquistar a credibilidade, a previsibilidade e a estabilidade para que os investidores internacionais e estrangeiros retomem a confiança no Brasil.”, concluiu o recém-eleito novo presidente do Brasil. 

Por: Juliana Arini
Fonte: O Eco