Maior mobilização indígena do país, Acampamento Terra Livre mira contra os “projetos de morte”

A 18ª edição do evento deve levar milhares de indígenas para Brasília e tem a demarcação de territórios como prioridade

Repressão tenta intimidar indígenas durante edição anterior do Acampamento Terra Livre
Repressão tenta intimidar indígenas durante edição anterior do Acampamento Terra Livre – Mídia NINJA

Depois de dois anos, a retomada presencial do Acampamento Terra Livre (ATL), que reúne milhares de representantes de grande parte dos 305 povos originários do país, acontecerá entre 4 e 14 de abril em Brasília, em um contexto de tensão envolvendo as lutas indígenas.  

“Estamos em um ano eleitoral e para iniciar nossa jornada de lutas, declaramos o último ano do governo genocida”, salienta a nota do Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), que organiza o evento.  

Com o tema “Retomando o Brasil: demarcar territórios e aldear a política”, a 18ª edição do ATL acontece em momento de ofensiva estatal aos direitos indígenas, principalmente sob a forma dos chamados “projetos de morte” que tramitam no Congresso Nacional.  

“A demarcação dos nossos territórios segue como bandeira principal, de forma que a defesa pela vida contra a agenda de destruições é nossa prioridade”, dizem os organizadores da mobilização, cuja programação está em vias de ser divulgada. 

Boiadas legislativas com risco de aprovação 

Uma das principais agendas, cuja apreciação passou para caráter de urgência na Câmara dos Deputados, é o Projeto de Lei (PL) 191/2020. Defendido publicamente como prioritário pelo governo Bolsonaro, o PL permite que Terras Indígenas (TIs) sejam exploradas para mineração, hidrelétricas e projetos de infraestrutura de grande escala. 

Apesar de a pandemia de covid-19 ter interrompido o costumeiro calendário anual do Acampamento Terra Livre, que acontece desde 2004, Brasília tem sido palco de grandes mobilizações dos povos originários no último período. 

Em setembro de 2021, seis mil indígenas acamparam por semanas na porta do Supremo, em vigília contra o Marco Temporal.  

Poucos meses antes, em junho, houve o Levante pela Terra. Os cerca de 850 indígenas que, representando 43 povos, foram à capital do país protestar contra os obstáculos à demarcação de terras foram duramente reprimidos pela polícia. 

“Seguimos com as forças da ancestralidade” salienta a mensagem do Acampamento Terra Livre de 2022. 

Por: Gabriela Moncau
Fonte: Brasil de Fato