Mais um recorde: Amazônia perdeu 1.180 km² de florestas em apenas 28 dias de maio

Pelo terceiro mês consecutivo, os índices de desmatamento da Amazônia continuam batendo recordes. Em apenas 28 dias de maio, foram perdidos 1.180 km² de florestas, a maior taxa para o mês desde 2016. Os dados, do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe), representam um aumento de 41% em relação ao mesmo mês de 2020.

Os dados são vistos com preocupação, já que teve inicio o período de seca na Amazônia, quando as taxas de desmatamento e queimadas tendem a ser maiores. Em todo o Brasil, entre 1 de janeiro e 31 de maio de 2021, já foram registrados 15.492 focos de queimadas. 

Em nota divulgada à imprensa, o secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini afirma que “o grande problema da fiscalização e do combate ao desmatamento não é apenas falta de dinheiro; o que falta é governo”. A organização critica a gestão atual e denuncia as os sucessivos desmonte e cortes aos órgãos de controle de desmatamento como o Ibama e ICMBio. O Observatório cita a paralização do PPCDAm (Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia), a gestão de Ricardo Salles que tem dificultado as ações de fiscalização do Ibama, a ameaça de extinção do Instituto Chico Mendes, que fiscaliza as unidades de conservação federais e a Operação Verde Brasil 2, classificada como fracassada pelo Observatório.

“O desmatamento neste ano será o que os madeireiros ilegais, garimpeiros criminosos e grileiros quiserem que seja. E, neste momento, eles não têm nenhum motivo para se controlar, já que o próprio governo federal, que deveria coibir a ilegalidade, os incentiva com atos e discursos”, conclui Astrini.

Outra organização ambiental, o Greenpeace, também citou a responsabilidade da gestão atual, além de alertar para projetos de lei que podem piorar a situação, como por exemplo, os PLs 2633/2020 e 510/2021, que visam flexibilizar os critérios da regularização fundiária, o que na prática anistia grileiros. “Após a divulgação do número recorde de queimadas na Amazônia e Cerrado em maio, os alertas de desmatamento reforçam ainda mais o quanto uma das maiores reservas de biodiversidade no planeta está sendo colocada em risco dia após dia. Além de um presidente e um ministro do meio ambiente atuando contra a proteção ambiental, o Congresso tem contribuído com essa política de destruição, enfraquecendo deliberadamente as leis que protegem a floresta e seus povos. O resultado de maio não poderia ser diferente já que os retrocessos na governança ambiental só aumentam”, comenta Rômulo Batista, porta-voz da campanha de Amazônia do Greenpeace.

O diretor-executivo do WWF, Mauricio Voivodic , também emitiu a opinião por meio de uma nota onde destaca o estimulo dado pelo governo Bolsonaro pelas altas do desmatamento e queimadas. “Os números mostram uma situação extremamente crítica. Em um ambiente de estímulo ao desmatamento pelo discurso retórico do governo federal e de enfraquecimento total da fiscalização ambiental, a seca deste ano se soma às altíssimas taxas de desmatamento formando um cenário muito propício para grandes queimadas, tanto na Amazônia quanto no Cerrado”, destaca .

Fonte: Amazônia.org.br