Ministério Público Federal e líderes indígenas se reúnem para tratar do garimpo ilegal em Roraima

As lideranças relataram os principais problemas causados pela atividade mineradora em terras indígenas

O Ministério Público Federal (MPF) recebeu líderes e membros de comunidades indígenas, nesta terça-feira (19), para tratar sobre a mineração ilegal nas áreas demarcadas do norte de Roraima. A ocasião fez parte da atuação do órgão na defesa das minorias e povos indígenas, que contou com a presença de seis procuradores do MPF.

A reunião com lideranças e membros de comunidades indígenas ocorreu para escuta da situação atual quanto ao garimpo ilegal, que causa danos ambientais e sociais para os povos originários da região. Representantes das comunidades, principalmente da Raposa Serra do Sol, e do Conselho Indígena de Roraima (CIR) apontaram a incapacidade do grupo de combater sozinho os problemas gerados pelo crime socioambiental.

O governador de Roraima, Antonio Denarium, sancionou a lei que proíbe destruição de equipamentos em ações de fiscalização ambiental. O MPF em Roraima classificou a lei como inconstitucional / Foto: Edilson Rodrigues – Agência Senado

Conforme os indígenas, é realizado um monitoramento para entrada de pessoas nas comunidades, mas não é suficiente para impedir a passagem dos garimpeiros e o ingresso de bebida alcoólica e drogas nas áreas demarcadas. Outros problemas citados foram a violência sexual cometida contra jovens e mulheres indígenas e os danos aos rios e serras, pela intensa mineração.

Para o procurador Matheus de Andrade Bueno, é importante a presença dos demais ofícios para tratar do garimpo ilegal no estado. “A mineração ilegal nas terras indígenas é um problema transversal, por isso é importante a participação de toda a procuradoria de Roraima nessa reunião, principalmente pelos atuais eventos ocorridos nas comunidades”, afirmou.

Operação Submerso, da Polícia Federal, destruiu em fevereiro 12 dragas de garimpo ilegal em Roraima / Foto: Polícia Federal

Os relatos fazem parte de um documento entregue aos procuradores no fim da reunião. Os casos serão analisados e poderão ser incluídos nos procedimentos já em andamento para investigar denúncias similares em terras indígenas do estado e nas quais o MPF atua judicial e extrajudicialmente. Recentemente, um pedido do órgão resultou na determinação da venda de minerais apreendidos, com origem de garimpo ilegal, e repasse do valor para aplicação em plano de combate à atividade em Roraima.

Fonte: Procuradoria da República em Roraima
Assessoria de Comunicação Social