Mobilizações alertam sociedade para deterioração de Florestas e seus povos

Em vigília realizada nesta segunda-feira, dia 21 de março, no Largo de São Sebastião, próximo ao Teatro Amazonas, em Manaus (AM), e em sessão no Twitter Spaces, a Articulação das CPTs da Amazônia e o Coletivo Proteja Amazônia fizeram memória de luta, no Dia Internacional das Florestas.

Cerca de oitenta pessoas estavam presentes, de distintas organizações e movimentos sociais parceiros, como Repam, Rede Um Grito pela Vida, Coletivo Difusão, Minha Manaus, entre outros. A “Vigília pela Defesa e Proteção da Floresta Amazônica e seus povos” teve transmissão ao vivo nos canais da CPT e do Coletivo Proteja no Facebook. Os vídeos estão disponíveis e podem ser acessados AQUI.

No ato, foram realizadas orações e falas em denúncia às ameaças socioambientais que a Amazônia tem sofrido. Um mandala no chão trazia símbolos de resistência, bandeiras e flâmulas e tinha seu perímetro formado por velas, para lembrar as vidas ceifadas no curso do projeto de destruição encampado pelo Governo Federal e outros agentes causadores de conflitos. Durante a mobilização, foi realizada projeção com dados dos impactos negativos dos quais a floresta tem sofrido.

A programação em memória ao Dia Internacional das Florestas foi iniciada por ações virtuais. Mais cedo, CPT e Proteja Amazônia hospedaram discussão sobre o dia no Twitter Spaces. No evento foram discutidas pautas emergentes no que se refere a proteção e preservação das florestas brasileiras com foco na floresta amazônica.

Entre os debatedores do Spaces estiveram as lideranças indígenas, Alessandra Korap, do povo Munduruku; Braulina Baniwa, representando a Articulação Nacional de Mulheres Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA) e Samella Satere, comunicadora da ANMIGA; a pesquisadora e antropóloga, Luísa Molina; a assessora jurídica do Instituto Socioambiental (ISA), Juliana Batista; a coordenadora de sistemas alimentares do Instituto Clima e Sociedade, Kamyla Borges e o jornalista britânico, Sam Cowie.

Samela Sateré Mawé, em fala sobre o impacto da devastação para os povos da floresta, durante a Vigília. Foto: Juliana Pesqueira

Alessandra Korap destacou a ação do governo federal com os sucessivos ataques aos povos da floresta e questiona ​​”cadê as leis do Brasil? Cadê as leis para defender as pessoas que falam tanto do meio ambiente, tanto dos povos indígenas, tanto dos rios e das florestas?”.

Braulina Baniwa expôs acerca da luta das mulheres indígenas em defesa das florestas, “quando as florestas são derrubadas, os primeiros a serem atingidos, são os corpos das mulheres, são o corpo das meninas indígenas, então quando se fala no cuidado da mãe natureza, quando se fala nesse cuidado dessa biodiversidade que vive dentro das florestas, a gente não se preocupa apenas com relação ao corpo humano mas também de todos os seres que vivem nela…Então a Floresta é nossa casa, a Floresta é nossa comida, a Floresta é nossa água. Quando se fala nessa defesa, estamos falando da defesa da vida, não só de seres humanos, mas também aqueles seres que a gente não pode ver. Eu acho que isso é tão importante para a nossa existência enquanto humanos.”

Durante a Vigília, velas foram acesas em memória às vidas perdidas em decorrência da falta de compromisso do governo federal com os povos da floresta. Foto: Juliana Pesqueira

Samela Sateré Mawé, que participou da discussão virtual, também esteve presente na Vigília, onde criticou ações do governo federal e ressaltou o respeito aos povos indígenas “Somos poucos aqui, mas estamos nos importando com o futuro das florestas. Temos várias organizações unidas com um objetivo em comum. Acreditamos que se a gente não lutar, não vão lutar por nós. O amanhã da Amazônia é agora”.

O Dia Internacional das Florestas foi proclamado em 2012 durante a Assembleia Geral das Nações Unidas. Ele é comemorado no dia 21 de março e tem como objetivo conscientizar a população mundial a respeito da importância das florestas para todo mundo.