MT: Índios saem sob pressão

Força Nacional de Segurança foi acionada e indígenas foram obrigados a desbloquear a rodovia na manhã de ontem

Durante quatro dias, motoristas ficaram impedidos de transitar no Km 943 da BR-163 e engarrafamento ultrapassou 20 quilômetros

A Força Nacional de Segurança foi acionada e os indígenas que bloqueavam a BR-163, próximo a Itaúba (599 km ao norte de Cuiabá), desde a última sexta-feira (30), foram obrigados a liberar a rodovia, na manhã desta quarta-feira (4).
Os indígenas, das etnias Terena e Maben-Grokê, interditaram a rodovia em protesto contra a falta de medicamentos e estrutura para saúde das comunidades da região. Eles também reivindicavam o afastamento da coordenadora da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), de Colíder (648 km ao norte de Cuiabá), Sanna Rochelle Aparecida Silva Sarmento.
Na noite da última terça-feira (3), representantes do “Instituto Raoni”, acompanhado dos Caciques Rondon e Sireno se reuniram com o a Sesai para debater a pauta das reivindicações. Os indígenas e o Governo Federal chegaram a um acordo em praticamente todos os pontos, exceto a exoneração da servidora. Por conta disso, os indígenas resolveram manter o bloqueio até que fosse redigido um termo o compromisso de exoneração da servidora.
Conforme a assessoria da Polícia Rodoviária Federal de Mato Grosso (PRF-MT), a solicitação foi sumariamente negada pelo governo federal e como não houve um acordo formal, após seis dias de manifestação e negociações, o Ministério da Justiça autorizou o uso da Força Nacional de Segurança para a liberação da via.
Na manhã desta quarta-feira, a Força Nacional se deslocou até o ponto de bloqueio, localizado no Km 943 da BR-163. Apesar de estarem armados com arcos e flechas, os indígenas não resistiram e a liberação foi realizado de maneira pacífica. Contudo o grupo insistiu em permanecer no entorno da rodovia aguardando nova posição do Governo Federal. Os indígenas ainda ocupam o prédio da Sesai em Colíder.
Segundo a assessoria, a Força Nacional permaneceu no local até que o trânsito fosse regularizado. Em seguida, o grupo retornou para Sinop (482 km ao norte de Cuiabá), porém ficará em estado de alerta caso a rodovia seja novamente bloqueada.
Durante a paralisação, o engarrafamento na região ultrapassou 20 quilômetros de extensão nos dois lados da via. A PRF chegou a pedir que motoristas retornassem e utilizassem de rotas alternativas, porém em poucos dias uma ponte das vias vicinais quebrou por conta do alto fluxo de veículos e a rota alternativa foi interditada.
REIVINDICAÇÕES – conforme os manifestantes, o Distrito Sanitário Especial de Saúde Indígena (Dsei) da região atende 39 tribos, o que representaria por volta de 2 mil pessoas, porém não há medicamentos para todos. A situação teria ficado ainda pior após a coordenadora ter assumido o Dsei. Segundo as lideranças indígenas, somente na ultima semana, duas pessoas teriam morrido nas aldeias, por falta de medicamentos.
O grupo também pediu combustível para alimentar os barcos, carros e um avião que fazem o transporte de pacientes das comunidades para centros especializados de saúde.
Por: Gustavo Nascimento
Fonte: Diário de Cuiabá

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