Na COP26 Ministro do Meio Ambiente ignora alta do desmatamento e pede mais dinheiro para combater mudanças climáticas

O ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, apresentou um balanço da Conferência do Clima da ONU (COP26) nesta sexta-feira (12) em Glasgow, na Escócia. Ele aproveitou a oportunidade para pedir, mais uma vez, ambição dos países ricos para o financiamento de ações para redução das emissões de gases que causam as mudanças climáticas e ignorou os dados do desmatamento divulgados nesta sexta-feira, onde o país atingiu um novo recorde de devastação.

“O desmatamento é um desafio brasileiro, é um desafio global, mas aqui neste momento nós não estamos falando do desafio de cada país. Estamos falando do desafio global de redução de emissões”, afirmou ao ser questionado sobre o avanço da degradação. Segundo o Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), a Amazônia perdeu 877 km² de florestas no mês de outubro deste ano, alcançando um novo recorde nesta série histórica de monitoramento com alta de 5% em relação ao mesmo mês do ano passado. 

Leite afirmou que não acompanhou os números e que ao voltar para Brasília iria realizar uma reunião com o ministro da Justiça, Anderson Torres, para entender os números. “Eu não acompanhei esses números, eu soube que eles saíram hoje, mas a minha concentração aqui é completamente nas negociações”, afirmou. 

O diretor executivo da Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, Mauro Armelin, comentou o assunto. “É a primeira vez que presencio um ministro do meio ambiente alegar ignorância sobre os dados de alerta de desmatamento e continuar com um discurso de realidade paralela onde coloca o Brasil como exemplo de combate ao desmatamento” afirmou.

Em sua fala na quarta-feira (10), Leite já havia cobrado os países por recursos para a redução das emissões e voltou ao tema nesta sexta-feira. “O financiamento do clima deveria vir na mesma proporção que a ambição da redução das emissões, a mitigação é super importante, mas ela tem que estar atrelada a financiamento robusto, incentivos robustos, especialmente para garantir uma transição responsável e justa para todos”, declarou.

Os países desenvolvidos buscam mobilizar 100 bilhões de dólares até janeiro de 2022 para o financiamento climático. Leite ressaltou que esse número ainda não é suficiente. 

Quando questionado sobre os recursos do Fundo Amazônia, fundo destinado a proteção ambiental que está paralisado, Leite afirmou que o assunto está com o vice-presidente Hamilton Mourão e que as negociações do fundo não estão em andamento. Atualmente, segundo análise do Observatório do Clima, cerca de R$2,9 bilhões estão parados desde o ano passado. 

Por: Aldrey Riechel
Fonte: Amazônia.org