Norte Energia quer usar madeira de árvores nobres derrubadas durante construção Belo Monte para produzir carvão

Empresa responsável pela hidrelétrica pediu autorização ao Ibama para transformar em cinzas madeiras que foram extraídas da região amazônica

A Norte Energia, concessionária responsável pela Hidrelétrica de Belo Monte, pediu autorização ao Ibama para transformar em cinzas 3,5 mil metros cúbicos de madeira de árvores nobres, incluindo espécies em extinção e protegidas por lei federal, que foram extraídos da região na fase de construção da usina em Vitória do Xingu, no Pará. 

O jornal O Estado de São Paulo teve acesso a um documento que a concessionária enviou ao Ibama no dia 1 de setembro, para solicitar o “uso de madeira para fins energéticos”, afirmando que fez um levantamento sobre as condições físicas dos estoques de toras nos pátios de madeira da usina e que chegou à conclusão de que possui “3.502,40 m³ de toras de madeira, estocadas em pátio, que ainda apresentam condições de utilização”.

Dos 3,5 mil m³ de toras que seriam queimados, mais de 2 mil m³ são espécies raras, além de madeira nobre e de “alto valor comercial”, que poderiam ser utilizadas para a construção de móveis, casas ou artesanato, mas a Norte Energia fez o pedido para a produção de biorredutor energético, ou seja, combustível para alimentar os fornos da siderúrgica Sinobras, que é uma das sócias da empresa. Além das madeiras que a empresa pretende queimar, há 18.497 metros cúbicos de madeira já classificados como “não aproveitável” ou seja, que já apodreceu.

A retirada da vegetação em Belo Monte, em 2015, foi autorizada pelo Ibama, e portanto, foi feita de forma legal e com acompanhamento das autoridades responsáveis. Mas, todo material extraído deveria ter sido catalogado e devidamente destinado, seja por meio de doações ou utilização na própria obra. Porém, milhares de troncos estão há mais de seis anos apodrecendo a céu aberto, sem nenhum uso.

O Estadão encaminhou perguntas para o Ibama, órgão responsável pelo processo de licenciamento da usina e por acompanhar o cumprimento de exigências ambientais impostas à concessionária. O Ibama informou que existe dificuldade de prefeituras e outros interessados de retirar e transportar tal madeira, por conta do frete e declarou que o requerimento da Norte Energia solicitando o uso de madeira para fins energéticos encontra-se em análise.

Fonte: Amazônia.org