Nova técnica elimina fogo na agricultura

Tudo indica que está com os dias contados a técnica rudimentar de uso do fogo na preparação da terra para o roçado nos rincões da Amazônia, o que significará um avanço verdadeiramente revolucionário nos seus sistemas de produção agrícola. Secularmente empregada pelo caboclo da região, num processo que envolve o desmate e a queima para posterior plantio, ela deverá ceder lugar a um sistema mais moderno e em sintonia com os novos tempos. O novo método de preparo da terra, já em testes por pesquisadores da Embrapa no município de Igarapé-Açu, consiste no corte e trituração da vegetação secundária, a nossa popular juquira.

O equipamento não pode ser utilizado em áreas de floresta primária, porque não se presta ao desmatamento – e nem é este o objetivo de seu uso – e nem nas lavouras já consolidadas. Sua utilidade ganha realce, portanto, na recuperação de áreas degradadas, ocupadas por capoeiras e matas secundárias. Acoplado a uma máquina, espécie de trator de grande porte, o equipamento faz o corte da folhagem, galhadas e troncos com até 25 centímetros de diâmetro. Toda essa biomassa é triturada com a máquina em movimento e deposta em camada na superfície do solo.

A Secretaria de Agricultura do Estado, que participa do projeto em parceria com a Embrapa, pretende adquirir, até o início de abril, o primeiro conjunto de máquina e triturador. O engenheiro florestal Altevir Rezende, gerente da área de produção florestal da Sagri, adiantou que a unidade será empregada no projeto “Tijolo Verde”, em apoio aos produtores do polo oleiro-cerâmico dos municípios de São Miguel do Guamá e Irituia.

A iniciativa tem o apoio e participação das prefeituras locais e de diversas instituições, entre elas o sindicato da indústria cerâmica dos dois municípios, o Ideflor, Emater, Iterpa e Secretaria de Meio Ambiente do Estado.

A ideia, conforme frisou Altevir Rezende, é estimular o desenvolvimento de sistemas agroflorestais, consorciando produtos agrícolas de livre escolha dos pequenos produtores com espécies vegetais que os técnicos definem como “essências energéticas” e “poupança verde”.

Nesta última categoria estão o mogno, o cedro, o ipê e várias outras espécies de alto valor econômico, todas elas capazes de assegurar, ao colono, uma receita de valor considerável no futuro. Já as essências energéticas têm por objetivo, como se deduz do próprio nome, a produção de energia – lenha e carvão que vão substituir a energia elétrica nos fornos de secagem das olarias.

Explicou o gerente da área de produção florestal da Sagri que existem hoje, disponíveis no mercado, três diferentes tipos de equipamentos trituradores de grande porte – o Ahwi, alemão, o Schimidt, também alemão, e o Himev, fabricado no Brasil. A Sagri, segundo ele, está dependendo da avaliação final sobre características técnicas e capacidade operacional dos três diferentes tipos de equipamentos para definir a compra.

Quanto à eficiência dessas máquinas e implementos, já não parece mais haver dúvidas, tanto que a Petrobras

Biocombustíveis já adquiriu dez conjuntos para trabalhar na preparação das terras onde serão feitos os plantios de dendê.

Renda duplicada

O secretário de Agricultura, Hildegardo Nunes, disse ontem que o Governo do Estado, contando com o apoio científico e tecnológico da Embrapa, está buscando uma inovação. O que vem sendo feito nesta fase, segundo ele, são testes práticos, de efeitos demonstrativos, com foco em três objetivos. O primeiro, comprovar a eficácia da nova técnica de preparação do solo.

O segundo, aferir a viabilidade de sua aplicação pelos pequenos produtores rurais. E o terceiro, uma vez atendidas as duas pré-condições, sensibilizar as instituições financeiras, em especial os bancos públicos, como Banco do Brasil, Banco da Amazônia e Banpará, visando a criação de linhas especiais de crédito para financiar os equipamentos.

Hildegardo Nunes destacou que a nova técnica oferece múltiplas vantagens em relação ao processo rudimentar, de desmatamento e queima da vegetação. Do ponto de vista ambiental, há ganhos expressivos, conforme frisou, pela não emissão de gases poluentes na atmosfera e pela maior proteção dos solos, que ficam menos expostos à erosão e ganham muito em fertilidade pela retenção e assimilação de todo o material orgânico.

“Sem contar que a camada de biomassa espalhada sobre a superfície também ajuda a reter a umidade do solo”, destaca o engenheiro florestal Altevir Rezende.

Fonte: Diário do Pará

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