O Brasil pode contratar a termoelétrica de 8GW prevista na Lei de Desestatização da Eletrobras?

Segundo especialistas contatados pela BNamericas, a contratação compulsória de 8 GW de energia termelétrica a gás natural no Brasil, conforme estipulado pela Lei de Desestatização da Eletrobras, não será uma tarefa fácil.

O processo de capitalização da estatal foi aprovado pelo Congresso Nacional no ano passado, com a construção de usinas de aquecimento em diversas áreas, principalmente em áreas não atendidas pela construção de gasodutos do país.

Entre 2026 e 2028, serão contratados 1GW nas metrópoles do Nordeste e 5GW nas capitais ou regiões metropolitanas do Norte (2,5GW) e Centro-Oeste (2,5GW).

Outros 2GW estão previstos para serem instalados na região Sudeste entre 2029 e 2030, sendo 1,25GW e 750MW no Rio de Janeiro. Áreas Minas Gerais e Espírito Santo não possuem ponto de abastecimento de gás natural (sob Supervisão de Desenvolvimento Sudine)

Pelo menos 70% das centrais de aquecimento contratadas devem ser flexíveis, o que significa que funcionarão a todo o momento ou quase de forma intermitente.

“Não acredito que haja espaço para 8 GW como previsto em lei, porque no final das contas, apenas um certo número de projetos razoáveis ​​do ponto de vista de custo”, disse o professor Edmer de Almeida, do Instituto de Energia. Universidade PUC-Rio, à BNamericas.

Ele acha que as termelétricas movidas a GNL serão o protótipo aceito, pois é difícil desenvolver projetos que dependam de gasodutos.

“Oleodutos exigem decisão do governo, planejamento adequado e leilões ocorrem simultaneamente, mas apenas determinados por lei [volume] O gol”, disse Almeida.

Os estados com maiores facilidades para obtenção de usinas termelétricas a gás são o Espírito Santo, pois pode utilizar gás doméstico de GNL ou campos marinhos, e o baiano abastecido pelo gasoduto de caseína.

Os estados do norte e centro-oeste de Minas Gerais precisam construir novos gasodutos, o que, na visão de Almeida, dificulta muito a tarefa.

No Nordeste, muitos estados têm produção de gás natural. Está localizado no norte do estado do Amazonas, enquanto o projeto do terminal de restauração está sendo desenvolvido pela Celpa, uma joint venture entre a New Fort Energy e a Evolution Power Partners em Bará.

Almeida lembrou que a Petropras tinha um plano para construir uma termelétrica no estado de Rondônia, que seria a âncora de um novo gasoduto destinado a trazer gás da Bacia do Solimos, mas não via muita credibilidade para tal tentativa. O gasoduto no meio da Amazônia será complicado na estrada para Porto Velho, capital de Rondônia.

“O gasoduto Urus-Gori-Manas vai custar mais do que o planejado originalmente”, disse ele sobre o gasoduto da Petrobras, que começou a operar na região em 2009.

Por exemplo, a Enova, no Brasil, decidiu levar gás por caminhão na forma de GNL do campo de Azulão, na Bacia do Amazonas, até a usina termelétrica Jaguarica II. O projeto entrou no ar no ano passado.

Rivaldo Moreira Neto, CEO da Gas Energy, disse em entrevista recente à BNamericas que considera impossível transportar gás suficiente para estados sem rede a um preço estabelecido por lei.

Ele espera que esses estados usem outra ferramenta legal para mudar os termos do leilão, como aumentar os preços-teto ou subsidiar consumidores do setor elétrico para instalar tubulações.

“Mas, por exemplo, no Rio de Janeiro, é possível operar novas rotas e fábricas porque significa energia flexível para o gás. [offshore], Tem a ver com petróleo”, disse.

Gás para eletricidade

Xisto Vieira Filho, presidente da Associação de Geradores Termoelétricos Locais, vê a obrigatoriedade do negócio termoelétrico como uma solução prudente, em linha com a necessidade de integração dos setores de energia elétrica e gás natural.

“Não é justo pensar no Rio e em São Paulo como mais do que apenas o gás brasileiro. Com 70% de flexibilidade, é possível ter um gasoduto, uma linha de transmissão possível quando você tem produção e demanda”, disse ele à BNamericas.

Vieira lembrou que a ligação elétrica das regiões Norte e Nordeste foi uma das melhores coisas que a Electrobras fez no Brasil.

“Na época, as pessoas diziam que era loucura. Mas era isso que mantinha o sistema funcionando, equilibrando as cargas no norte e nordeste, e permitindo a troca com o sudeste, com as termelétricas”, destacou.

Para ele, todas as regiões brasileiras têm as condições necessárias para a obtenção do gás natural.

“Brasília é a capital do Brasil. Precisa de gás. No norte, há muito gás nos campos de aço e azulea. [LNG receiving] Portos e infraestrutura como Besem e Bahia agregam força e flexibilidade ao sistema elétrico brasileiro”, explicou Vieira.

Um poderoso lobista

Segundo relatos da mídia local, o acordo forçado de energia térmica onde não há gasodutos é resultado de um forte lobby político, especialmente Carlos Suarez, um dos fundadores da principal construtora brasileira OAS e proprietário da CS Particibs, proprietária várias ações. Empresas estatais de distribuição de gás.

Fontes locais familiarizadas com o assunto disseram à BNamericas que o governo chegou a pré-acordos com governos estaduais para adquirir os direitos de gasoduto de gás natural em estados onde tais serviços não estão disponíveis.

“Suarez exortou o Congresso a redigir uma legislação, e é por isso que o gás natural deve vir onde estão esses acordos. E o que sobrar de gás nas usinas termelétricas, ele distribuirá, apenas para obter lucro como construtor. Fluxo de caixa periódico dos serviços de distribuição “, disse a fonte.

O processo de acompanhamento da capitalização da Eletrobras deverá ser realizado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pela empresa local de monitoramento de energia elétrica Aneel antes da definição das localizações específicas das usinas termelétricas.

Carlos Suarez não comentou quando a BNamericas tentou contatá-lo.

O que dizem os estados

Um porta-voz da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais disse à BNamericas que parte da carga de energia do sudeste diminuiria no estado, o que deve ser “um forte estímulo ao crescimento regional”.

A Gasmig é a oferta de gás de Minas Gerais até 2053, mas leis federais e estaduais recentes exigem que qualquer consumidor compre gás natural de qualquer fornecedor e use apenas as redes de distribuição da Gasmig para obtê-lo.

“Assim, a futura usina termelétrica pode consumir gás natural no mercado regulado diretamente da Gasmig ou pegar diretamente do fabricante e pegar no quadro da Gasmig, pelo qual a empresa paga”, disse o porta-voz.

Em seu plano de investimentos para o próximo ano, ele destacou que a estatal Semic tem duas termelétricas a gás natural e só espera melhorar as condições de preço do fornecimento de gás natural no Brasil para construí-las.

“Com certeza fará isso em conjunto com a Gasmig para que seja possível o sistema de distribuição do seu serviço”, acrescentou o porta-voz.

Enquanto isso, um porta-voz do Amazonas ressaltou que o estado possui as maiores reservas de gás do Brasil e infraestrutura para atender a demanda atual.

“O gás natural é uma alternativa econômica e menos poluente e essa disponibilidade é uma oportunidade promissora para o desenvolvimento socioeconômico e ambiental do estado. Por isso, espera-se que novos projetos de geração de energia sejam implantados no estado”, disse.

A Companhia de Gás do Amazonas (Cigás) é uma oferta de serviço público de distribuição de gás natural, atendendo as usinas termelétricas que produzem cerca de 60% da energia consumida na capital Manas.

A Chicas fornece gás natural automotivo para mais de 8.000 unidades consumidoras, incluindo cerca de 60 empresas industriais e lojas, residências e postos de serviço.

O plano de expansão da empresa para 2022-2026 prevê investir aproximadamente 193 milhões de arroz (US$ 35,2 milhões), 133km de linhas de abastecimento de gás natural e 15.700 unidades consumidoras contratadas.

“Portanto, há plenas condições técnicas e econômicas para atender as empresas do setor elétrico que tenham interesse em investir no estado”, disse o porta-voz.

No Mato Grosso, a Companhia Mato Grossense de Gás (MT Gás) atualmente não trabalha no fornecimento de gás para termelétricas por causa de uma lei estadual que permite compras diretas de empresas.

“No entanto, se houver níveis de gás para abastecer as novas usinas termelétricas, criaremos redes de distribuição para abastecê-las”, disse um porta-voz da empresa à BNamericas.

Por: Warwick Morrison
Fonte: Prefeitura Concursos