O nome do ministro do meio ambiente do Brasil e a escolha entre duas “ex”

Lula embarca para o Egito com duas ex-ministras, Izabella Teixeira e Marina Silva, e uma decisão que pode acomodar, ou impossibilitar, ter ambas no governo

Marina Silva e Izabella Teixeira. Foto: Reprodução

Durante toda a campanha política pela presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ressaltou que retomará a questão ambiental como uma prioridade de governo. Tanto o combate ao crescente desmatamento na Amazônia e outros biomas, quanto a retomada das negociações da política de mitigação da crise climática foram temas onipresentes. 

Não à toa, depois da eleição de Lula, brotam na imprensa nomes dos que possivelmente comandarão o Ministério do Meio Ambiente. Tudo indica que a decisão de Lula deverá ser tão simbólica quanto a de seu antecessor, Jair Bolsonaro (PL), que escolheu o “bad boy verde”, e à época ex-secretário de Meio Ambiente de São Paulo, Ricardo Salles, para a pasta.

Duas ex-ministras da gestão petista seguem no topo da lista de cotados, Izabella Teixeira (2010 a 2016) e Marina Silva (2003-2008). A acreana  já demonstra força ao ter nomes ligados à sua antiga gestão cotados para a equipe de transição de Lula, como o ex-deputado por São Paulo João Paulo Capobianco e o pesquisador Tasso Azevedo, fundador do Observatório do Clima. 

Porém, a assessoria de comunicação da campanha de Lula afirmou ao ((o))eco que essa decisão não foi tomada ainda. E tudo não passa de especulação, pois os nomes da transição ambiental só serão formalizados nos próximos dias.

Também vale lembrar que a reaproximação de Marina com Lula deu-se apenas ao longo da campanha, depois de quase quinze anos afastados, desde que Marina deixou o Ministério em 2008, após desentendimentos com Lula por conta da construção de projetos de infraestrutura e disputas com o também ex-ministro Mangabeira Unger.  

Por isso, muitos apontam Izabella Teixeira para reassumir o Ministério do Meio Ambiente. De perfil técnico, como sempre gostou de ressaltar, e aberta a negociar com setores tradicionais de direita, Izabella foi responsável em sua gestão na pasta pela conquista do menor índice de desmatamento da história da Amazônia, quando em 2012 foram derrubados  4,510 km2, um dado muitas vezes citado por Lula ao longo da campanha.

“Minha relação com o presidente Lula não é política, é pessoal. Não sou próxima aos comitês de campanha, e sim a pessoa do novo presidente, a quem sempre estive ao lado desempenhando o meu papel”, afirmou Izabella Teixeira, em entrevista a ((o))eco. 

Ao ser questionada sobre um possível retorno, Izabella é direta: “Não, não houve convite. Também quero dizer que não estou fazendo nenhum tipo de combate por posto político, mas se Lula me convocar eu cumprirei o meu papel”, diz. 

Com a questão climática em alta, por conta da retomada de investimentos do Fundo Amazônia e outros fundos internacionais, Izabella também tem pontos a acrescentar neste tópico. 

Foi ela quem em 2015 pacificou importantes mecanismos de transição financeira, na Convenção do Clima, a COP-21, de Paris. A ex-ministra foi responsável por ser “facilitadora” para propor soluções para que houvesse consenso na questão de diferenciação entre países ricos e pobres, quando atuou ao lado do ministro de relações exteriores de Cingapura, Vivian Balakrishnan.

A terceira aposta seria uma acomodação de Marina Silva na pasta ambiental e Izabella Teixeira como “futura” autoridade climática, em uma atuação interministerial, ou vice-versa. 

Uma aposta que “parece” despontar, uma vez que ambas estarão ao lado de Lula em sua primeira viagem internacional como presidente eleito (mas ainda não diplomado) do Brasil, durante a 27ª Conferência das Partes do Clima (COP-27), que acontece no Egito, entre 6 e 18 de novembro. 

Izabella não irá apenas com Lula, que deve viajar no dia 14, mas também integrará o grupo Amigos da COP-27, que aconselha o presidente da Conferência, o primeiro-ministro do exterior egípcio, Sameh Shoukry.  Ela também é co-presidente do Painel Internacional de Recursos do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma/ONU).

Resta saber se o poder de negociação de Lula será tão grande a ponto de acomodar duas ex-ministra no mesmo governo, ou se este optará por outro nome. Já foi cogitado, inclusive, a possível indicação do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), outro participante ativo da campanha petista e o responsável pela aproximação de artistas com a base de Lula.  

Mas, tanto Marina Silva quanto Randolfe Rodrigues têm um ponto negativo em comum para as suas possíveis nomeações ao Ministério. Caso sejam absorvidos no alto escalão de Lula, ambos seriam nomes de peso perdidos nos futuros embates dentro do Congresso Nacional, onde cada uma das 94 cadeiras que podem apoiar diretamente Lula em seu governo contam votos. 

Independente de quem for o ministro, é importante também ressaltar que o nome à frente da pasta, a partir de 2023, herdará um órgão enfraquecido, quase sem orçamento e desestabilizado por anos da política de “passar a boiada” de Jair Bolsonaro – algo similar a chegar a um castelo após uma invasão viking. 

Por: Juliana Arini
Fonte: O Eco