Organizações lançam campanha #BastaSerHumano em prol das florestas e vegetação nativa do Brasil

A campanha é totalmente digital e coletiva, busca promover a sensibilização social sobre as florestas e vegetações do Brasil por meio de peças publicitárias e artísticas.

2020 foi um ano difícil para o meio ambiente.  A Amazônia, segundo dados do Inpe, teve o maior índice de desmatamento dos últimos 12 anos.  As queimadas do Pantanal deixaram um rastro de destruição e atingiram quase 40% do Pantanal mato-grossense.  Por isso, organizações sociais e ambientais se uniram e lançaram nesta sexta-feira (4) uma campanha digital #BastaSerHumano, que sai em defesa do verde, de uma produção sustentável e da justiça social, propondo uma reflexão sobre as principais ameaças ao meio ambiente no Brasil hoje e seu impacto na vida das pessoas.

A campanha, liderada pelo Observatório do Código Florestal, utiliza um jogo com as palavras, mas o assunto tratado é sério. Para bom ser humano, meia palavra basta para entender que toda a floresta que resta é o nosso valioso patrimônio.

De janeiro a outubro de 2020 foram mais de 200 mil focos de incêndio espalhados por todo o país.  201.927 focos, segundo o INPE.  #BastaSerHumano para pedir o fim das queimadas. O desmatamento consumiu 12 mil quilômetros quadrados (km2) de vegetação nativa do Brasil em 2019, num ritmo devastador de quase 1,5 km2 por hora.  #BastaSerHumano pra não aceitar o desmatamento.

A quantidade de gases de efeito estufa lançada na atmosfera pelo setor de mudança de uso da terra subiu 23% em 2019, atingindo 968 milhões de tCO2 , segundo o SEEG. #BastaSerHumano pra sentir as mudanças climáticas.

A campanha é colaborativa e para participar o Observatório do Código Florestal disponibilizou peças para compartilhamento nas redes sociais. Artistas também foram mobilizados e estão expondo suas artes como manifesto em uma galeria online, além disso as pessoas estão sendo convidadas para gravar vídeos utilizando a hashtag da campanha. Veja abaixo mais formas para participar.

Em entrevista ao site Amazônia, a Secretária Executiva do Observatório do Código Florestal, Roberta del Giudice, conversou sobre os objetivos da campanha.

Amazônia: O que é e quais são os objetivos da campanha #BastaSerHumano?

Roberta: A campanha é voltada para a sociedade em geral, que todas as pessoas que se sintam representadas, se envolvam e queiram proteger e acompanhar as questões florestais do Brasil. As pessoas normalmente ficam sabendo pelos jornais a taxa de desmatamento e até ficam preocupadas, mas não sabem o que podem fazer para reverter isso. Então o objetivo é trazer uma forma para que elas possam se envolver. 

A primeira ação que a campanha pede é o compartilhamento da hashtag #BastaSerHumano, e uma interação por meio de vídeos falando: basta ser humano… e aí insere uma continuação voltada para a proteção da floresta, explicando porque elas consideram importante se envolver na causa florestal e na proteção da vegetação natural brasileira. Incluímos Pampa, Caatinga, Campos, todo tipo de bioma, não é só proteção florestal de espécie arbórea.

Nosso objetivo inicial é esse, teremos mais pra frente um momento na qual iremos disponibilizar formas das pessoas se envolverem mais com a proteção florestal, plantando árvores e fazendo recuperação de áreas degradadas para conseguir fazer parte da proteção das florestas brasileiras.

Mas neste momento queremos chamar a atenção para um questão que é nossa, o Brasil tem essa relação forte com a vegetação natural, na verdade esse é o nosso maior potencial. E é por meio dele que podemos nos diferenciar do mundo e termos commodities sustentáveis, valorizar o nosso produto por conta da nossa sustentabilidade, da nossa floresta, da nossa biodiversidade e da nossa disponibilidade de água. 

Como a sociedade brasileira, principalmente os que moram em áreas urbanas podem contribuir com a conservação ambiental?

Tem várias formas, mas a primeira delas é querer saber de onde vem o produto que ela consome: “Esse gado vem de uma área de desmatamento na amazônia?” Pode ser que o vendedor dela não saiba responder, mas ele não sabe responder porque ninguém nunca perguntou. “Essa roupa que eu visto ela foi produzida com algodão de origem em uma área de desmatamento da Amazônia? Será que eu estou contribuindo com o desmatamento quando compro uma roupa?” A partir do momento que as pessoas começam a cobrar e procurar pelas informações, é o primeiro passo para fazer a diferença. 

Mas tem mais que isso, existem diversas organizações que fazem regeneração de áreas degradadas. Tem a Iniciativa Verde no Observatório, tem a Associação Caatinga, tem o Cepan. Diversas instituições que fazem esse trabalho de restauração. É isso que pretendemos viabilizar a partir de fevereiro, ter um banco de atividades voltadas à restauração, ao manejo sustentável, onde as pessoas consigam se envolver diretamente, possam adotar uma área e contribuir mensalmente ou anualmente para uma instituição que está conduzindo uma restauração em um local degradado.

Como foi feita a escolha da hashtag #BastaSerHumano e qual o seu significado?

Nosso objetivo era ter uma mensagem que envolvesse a todos, que dissesse que a proteção da vegetação tem uma relação direta com SER HUMANO. O ser humano está dentro do meio ambiente, ele faz parte do meio ambiente, nós somos o meio ambiente. Precisamos diminuir a distância que as pessoas têm de “a floresta está lá na Amazônia. Porque não é bem assim, a chuva que eu preciso, a água que preciso daqui, depende da floresta e essa é a ideia de ter uma questão humanitária e social dentro da hashtag.

Como a sociedade pode se envolver nas questões políticas ambientais?

Nós temos um volume muito grande de propostas legislativas que reduzem a proteção florestal, isso faz com que a gente tenha sempre que estar reagindo. Mas a população não toma nem conhecimento de que essas propostas existem, por exemplo, temos uma proposta que possibilita que toda área de reserva legal seja cortada e compensada por uma área duas vezes maior, só que não vai ter a mesma biodiversidade, pode ter sido degradada no passado e está em recuperação, então nunca vai alcançar a biodiversidade daquela área e além disso pode ter grandes vazios de vegetação, não vai ter polinizadores, não vai ter biodiversidade, não vai ter corredores ecológicos, o que inviabiliza a própria atividade agrícola, que depende da polinização.

A população urbana, não tem o conhecimento de que esse tipo de proposta existe, tem propostas para a redução de parques nacionais, propostas para recategorização para reduzir a proteção de uma unidade de conservação, tem proposta para licenciamento ambiental que não precisa ser analisado caso a caso. São diversas propostas no Congresso que retiram a proteção que temos na legislação, propostas negativas para o Brasil, para a imagem e para a valorização das commodities do país. Precisamos que as pessoas se envolvam na decisão política e na elaboração de leis relacionadas a floresta.

Convidamos você para construir e participar conosco da campanha #BastaSerHumano em prol das florestas, do nosso verde, de uma produção sustentável e da justiça social.

COMO PARTICIPAR

OPÇÃO 1: Compartilhe as peças da campanha

Acesse aqui as artes nos formatos feed e stories e compartilhe nas redes sociais.  Toda semana tem novas artes!  Ou resposte publicações das mídias sociais das organizações parceiras da campanha. Não esqueça de usar a #BastaSerHumano.

OPÇÃO 2: Visite a galeria de artistas que estão participando e compartilhe as artes

Diversos artistas estão expondo suas artes como manifesto em defesa das questões ambientais.  Acesse aqui para visitar a galeria, compartilhar as artes.  Não esqueça de marcar o artista e usar #BastaSerHumano.

OPÇÃO 3: Faça o seu manifesto

Grave um vídeo curto completando a frase: #BastaSerHumano para….  (ex: perceber a importância das florestas,…) e poste nas suas redes usando a hashtag #BastaSerHumano.

OPÇÃO 4: Integre a sua ação ao movimento

Tem uma ideia, iniciativa, projeto e quer se juntar a nós?  Entre em contato conosco e desdobre esse movimento com alunos de escolas e outros grupos sociais.  Você fortalece o movimento e a gente ajuda a divulgar a sua iniciativa!

Lembre-se que o meio ambiente não é dos ambientalistas, dos agricultores, dos ativistas, dos políticos ou dos cientistas.  É dos artistas, do feirante, da professora, da médica, do motorista, do operário, da empresária, de cada um e de todos nós, e que cada um pode contribuir com o que faz de melhor.

Vamos juntos dar um basta?  #BastaSerHumano para abraçar essa causa!

Por: Nicole Matos
Fonte: Amazônia.org.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *