Os relatos de quem combate a pandemia do novo coronavírus no Amazonas

Os relatos de quem combate a pandemia do novo coronavírus no Amazonas
Profissionais de saúde enfrentam situações de forte estresse e emoção e estão desassistidos por parte das políticas governamentais. A imagem acima é do ensaio “Insulae”, de Raphael Alves, sobre a pandemia do novo coronavírus no Amazonas.

“Somos nós que ajudamos a segurar a mão do paciente diante da morte.” Quem afirma é Glenda Soares da Encarnação, 45, enfermeira que esteve na linha da frente no combate ao novo coronavírus. Após meses atuando na sala de emergência do Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto e também na enfermaria do Hospital e Pronto-Socorro Platão Araújo, a profissional de saúde viu cenas que dificilmente serão esquecidas; ambas as unidades de saúde estão localizadas em Manaus, uma das capitais brasileiras mais impactadas pela Covid-19. Também presenciou cenas de partida sem direito a uma despedida. “Vi um colega atender a um paciente que pediu um copo d’água. Depois de tomar, ele pediu a Deus que concedesse a todos de sua família o alimento diário. Logo depois, ele faleceu.”

Dos mais de 7 milhões de casos de Covid-19 registrados no Brasil, 1.754.110 atingiram profissionais de saúde até 7 de dezembro, segundo o e-SUS Notifica.  São médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, psicólogos, farmacêuticos, odontólogos, nutricionistas, fisioterapeutas e outros trabalhadores de apoio e administrativos arriscando suas próprias vidas. Em questão de dias, eles se viram diante do grande desafio de enfrentar uma pandemia de um vírus desconhecido e letal. “Quando fui entregar os pertences pessoais da paciente, a família me perguntou se ela iria ficar bem. Meia hora depois ela faleceu”, recorda-se Glenda sobre outro atendimento. Não lhe restou outra opção a não ser confortar esses familiares.

Diante dos casos de desamparo assistencial que atendia, ela providenciava vaquinhas e caixinhas de arrecadação de donativos para compra de alimentos para os parentes dos pacientes que vinham do interior do Amazonas, além de roupa para pessoas em situação de rua.

“Tenho certeza que os profissionais que tinham um lado mais ‘robô’ estão um pouco mais mudados, começaram a ver o lado mais humano. Tinha médico que parava para chorar, porque não tinha ventilador mecânico e ele não podia fazer nada. Antes a gente sequer dava bom dia e hoje para e pensa: quantas pessoas queriam ver o sol e estão internadas?”, afirma Glenda. Ainda assim, a enfermeira tem conseguido testar negativo para a Covid-19.  Ela diz acreditar que o cumprimento do protocolo, inclusive em casa, onde separa a roupa e não entra sem se higienizar primeiro, fizeram a diferença. 

Medo não passou

Covid-19 no interior do Amazonas, movimentação em Manacapuru. Foto do ensaio “Insulae”, de Raphael Alves

Os profissionais da saúde formam um contingente de 3,5 milhões de pessoas. Desde o início da pandemia de Covid-19, eles não contam com uma política oficial de amparo ou auxílio sócio-emocional. O agravante é que 150 milhões de brasileiros, de acordo o IBGE, dependem desses profissionais. Em Manaus, uma das primeiras cidades a registrar o colapso do sistema de saúde com superlotações no mês de abril – alguns enfrentaram o período crítico da pandemia sem sequer ter os salários pagos em dia.

“Logo no começo – e a gente continua com esse medo porque ainda não passou – vinha uma associação de medo por conta do acesso aos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) limitados e a gente só podia usar ‘x máscaras’ por plantão”, lembra Meire Cristina Soares Ribeiro, 40, enfermeira no Hospital e Pronto-Socorro  28 de Agosto, na zona centro-sul de Manaus, a maior unidade de urgência e emergência do Amazonas. “Em determinado momento, faltava EPI que era essencial. A gente até começou a comprar ou mandar fazer por iniciativa nossa. Todo e qualquer mal-estar entre os colegas já acendia o alarme e o incômodo da dúvida.”

Nos meses críticos, o hospital chegou a ter 100% dos 240 leitos de UTI, das duas salas Rosa e dos andares 4 e 5, ocupados. “Era muito tenso e a ansiedade estava presente em todos. O medo da nossa família ser contaminada, de levar as coisas para casa, era intenso. E aí vem o estresse, medo e insônia”, explica Meire. A imunidade baixou também entre os profissionais de saúde e muitos começaram a faltar, sobrecarregando quem estava no atendimento.

Essa realidade foi compartilhada por todos, mas atingiu em cheio os técnicos de enfermagem. Eles são a maioria dos casos confirmados de Covid-19 entre profissionais de saúde, segundo dados do último Boletim Epidemiológico Especial semana 49 (29/11 a 05/12), do Ministério da Saúde. Somam 139.434 (33,7%) de um total de 414.147 casos confirmados. Na sequência estão os enfermeiros com 62.345 (15,1%), seguidos dos médicos com 45.230 (10,9%), agentes comunitários de saúde com 21.426 (5,2%) e recepcionistas de unidades de saúde com 16.788 (4,1%). 

“Eu pensava muito nos técnicos: é uma classe que anda de ônibus, precisa se deslocar de locais longínquos, tem muito mais problemas com atraso de salários e tem contato direto como o paciente, fazendo mudança de decúbito, trocando, limpando os pacientes. É um sofrimento muito mais agudo”, declara a enfermeira Meire. Um técnico de enfermagem, em Manaus, recebe uma remuneração de R$ 1.250 (piso) a R$ 1.850 (teto) para uma jornada de 38 horas semanais, segundo as convenções coletivas de 2020.

A desigualdade entre os profissionais de saúde

Covid-19 no interior do Amazonas, movimentação em Manacapuru. Foto do ensaio “Insulae”, de Raphael Alves

A psicóloga Priscilla Cabral, 28, observou essa realidade no hospital no Instituto da Mulher Dona Lindu, na zona Centro-Sul de Manaus (confirmar) que, no início da pandemia chegou a atender casos relacionados à Covid-19. “As desigualdades são claras desde o começo: o macacão protetor que víamos alguns médicos usando era porque tinham comprado e encomendado de fora. Nas enfermarias era comum ver a máscara N95, que é mais reforçada, sendo utilizada com outra máscara cirúrgica por cima para poder durar 25 a 30 dias”, relata.  

Ainda hoje, enfermeiros e técnicos que prestam serviço por meio de empresa terceirizada para o governo do Amazonas, recebem os salários com atraso. “Desde o governo Melo (José Melo, governador cassado em maio de 2017 por compra de votos) que estamos com meses dentro. Vamos recebendo retroativo, mas nunca é o pagamento de 100% do valor: tem mês que sai 40%, tem mês que sai 60%. A gente fica pensando: se o nosso trabalho é tão essencial, porque é tão desvalorizado?”, afirma Meire, que atua também na rede privada como enfermeira e leciona para graduação em uma instituição particular de Manaus. 

Além da rotina enfrentada nos dois hospitais em que trabalha, a enfermeira Meire Cristina ainda ajudou a cuidar das irmãs contaminadas pela Covid-19. Uma delas teve um quadro pulmonar mais grave e exigiu acompanhamento e medicação de perto. Como ela já tinha tido a doença, foi a responsável por aplicar as medicações e acompanhar a recuperação.

“Eu não tive nenhuma queixa respiratória, meus sintomas foram gastrointestinais, tive desidratação, febre, fiquei o tempo necessário afastada, mas essa sensibilidade que eu já tinha ficaram agudizadas. Tenho ainda náuseas e sinto dificuldade para me alimentar. Para ajudar minha irmã, tive que me desdobrar”, explica.

A mãe, que ela não vê há meses, é consolada nas horas de intervalo do trabalho, uma vez que apresenta preocupação constante e não dorme mais direito, segundo a filha. “A tensão se acentuou quando perdemos um primo de 28 anos, que foi criado junto com a gente, dentro de casa. O medo da nossa família ser contaminada era intenso”, conta.

A falta de acesso à ampla testagem também influencia o sentimento de incerteza e angústia. Em Manaus, os profissionais tiveram dois meses de testes, segundo a enfermeira Meire. Há cinco meses, passou a ser feito apenas para aqueles que apresentam uma condição realmente adversa. 

Relatos de estresse, desamparo e impotência

Covid-19 no interior do Amazonas, movimentação em Manacapuru. Foto do ensaio “Insulae”, de Raphael Alves

De acordo com a psiquiatra Alessandra Pereira, a maioria dos profissionais de saúde apresenta sentimento de desamparo e impotência diante do contexto de não conseguir sequer apoio técnico. O problema foi maior no início quando os protocolos não estavam bem estabelecidos e diante de tantas mortes sucessivas. “Hoje ainda temos muitos profissionais de saúde inseguros, com exacerbação de quadros de ansiedade, que amargaram muitas perdas pessoais, além dos inúmeros colegas médicos que morreram. As notícias diárias de internações também contribuem”, explica Alessandra.

Entre os profissionais de saúde, o Amazonas é o quinto estado, junto do Pará, a apresentar o maior número de casos notificados de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) hospitalizados por Covid-19 com 82 profissionais, segundo o último Boletim Especial do Ministério da Saúde. São Paulo (541), Rio de Janeiro (123), Pernambuco (107) e Minas Gerais (85) vêm à frente.  

Dos 2.580 casos notificados de SRAG hospitalizados em profissionais de saúde, 421 evoluíram para o óbito, sendo 364 deles por Covid-19. O Amazonas está classificado entre os estados que mais registraram óbitos (82) entre profissionais de saúde, o mesmo quantitativo que o estado do Pará. São Paulo (130), Rio de Janeiro (33), Sergipe (27) e Goiás (20) lideraram esse triste ranking. 

Profissionais como a psiquiatra Alessandra Pereira atuaram durante poucos meses no programa “O Brasil conta comigo”, da Secretaria de Gestão de Pessoas do Ministério da Saúde em parceria com a Associação Brasileira de Psiquiatria. “Acabou quando a pandemia estabilizou. Meu trabalho era prestar assistência visando trabalhar principalmente habilidades como resiliência e adaptabilidade, diante do estresse da pandemia”, lembra. O programa teve alcance limitado e o histórico de política pública voltada a esses profissionais, nos diversos níveis, também é escasso.

Em meio ao caos vivido no estado do Amazonas, os encontros presenciais do programa “O Brasil conta comigo” ajudavam os trabalhadores de saúde a fortalecerem os campos da inteligência emocional, tais como autoconhecimento, autocontrole, auto-motivação, empatia e destreza social. A pandemia está longe de terminar, e esses problemas, depois de meses de confinamento, podem até ter se agravado.

Literatura aponta histórico de sequelas

O psicólogo Henrique Redman (Foto: arquivo pessoal)

“Todo dia é uma carga de informação muito grande, novas orientações e protocolos vindos da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), várias mudanças que a gente nem consegue acompanhar direito. Na época mais crítica, dependíamos do chefe, dos coordenadores para ir orientando. A gente via também estudos internacionais já relacionados à Covid-19 na China e Itália sobre os profissionais que passaram por essas situações, com relatos de doenças e até suicídio, mas não tínhamos opção: só tinha caos  e tinha que atender. Tinha enfermeiro e técnico que nunca haviam atuando em UTI, mas iam por conta da necessidade”, afirma a enfermeira Meire Ribeiro.  

“Ainda não sabemos as reais consequências para quem vivenciou toda essa situação, mas elas certamente existirão. Só vamos conseguir verificar isso, os prejuízos do luto e do estresse não elaborados, no decorrer dos meses e dos anos, quando vão começar a surgir as questões de enfrentamento pessoal das famílias e dos profissionais.  Sabemos que haverá sequelas e que vão ficar por bastante tempo”, afirma o psicólogo Henrique Redman, que atuou como voluntário durante o pico da pandemia no Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto.

As dificuldades que ele enfrentou, afirma, são as mesmas que todo o profissional da saúde no SUS passa: sucateamento, problemas para implantar projetos, falta de política pública voltada para a saúde mental. Mas, em geral, esses problemas são contornados com parcerias em conjunto de outros profissionais, com apoio da política nacional de humanização. “As mazelas foram bem escancaradas na pandemia e isso não é segredo para ninguém”, diz Redman.

O Conselho Federal de Enfermagem chegou a disponibilizar uma linha emergencial de atendimentos aos profissionais, mas que foi pouco divulgada. Entre as equipes de atendimento, a solução foi improvisar. Os profissionais criaram grupos no WhatsApp com a finalidade de desabafarem, trocarem mensagens de consolo, uma espécie de terapia em grupo que nasceu de forma espontânea diante da necessidade. “Teve muita gente que, para se tranquilizar, custeou, do próprio bolso, diárias em hotel por meses. Nos grupos tinham mensagem de ‘não agüento mais’”, relata a enfermeira Meire. 

Por conta do ofício, a psicóloga Priscilla Cabral observou que a pandemia intensificou problemas que já existiam, principalmente no âmbito da saúde mental. “Percebe-se que quem já tinha uma ansiedade que era um pouco controlada mesmo sem medicamento e ia conseguindo ia lidar com ela, na pandemia, isso aumenta proporcionalmente. Situações que já existiam em relação ao trabalho ou à vida pessoal, com a pandemia acabaram ficando mais intensas e causando um sofrimento cada vez maior”, explica.

Antes de ser requisitada para trabalhar no call center, durante um mês aproximadamente, Priscilla organizou, antes do início dos plantões, uma roda de conversa entre enfermeiras e técnicos para falar, durante 20 a 30 minutos, sobre as emoções, as estratégias para lidar com ansiedade, as questões de família ou o que tivessem sentindo. Para ajudá-los, ela afirma que tentou reforçar o que eles tinham de positivo: o comprometimento e a superação vivenciados em momentos anteriores.

O risco de colapso mental

Imagem do ensaio Insulae de Raphael Alves sobre a pandemia em Manaus.

Publicado em abril na revista Cadernos de Saúde Pública, da Fiocruz, o artigo “O impacto da pandemia de COVID-19 na saúde mental dos profissionais de saúde”, aponta que “se não forem priorizados, além do possível colapso do sistema de saúde, os profissionais de saúde correm o risco de sofrer um colapso emocional”.

“Tenho visto muitos colegas que estão se automedicando com ansiolítico porque não conseguem dormir. Tentaram resistir, mas não conseguiram. Outros que se contaminaram, têm taquicardia assim que começam a passar mal, como se fossem precisar de oxigênio. Os estudos mostram que isso afeta o sistema nervoso central. Tudo isso aliado à apreensão de ter convivido com o caos provocado pela doença e os colegas que perdemos, tudo isso é muito temeroso”,  afirma Maria Glaudimar Almeida, enfermeira há 10 anos e técnica de enfermagem há 18.

Servidora da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas há 12 anos, ela afirma que se preocupa muito com a nova geração, que chega para fazer aula de campo, principalmente os que são oriundos do interior. “A gente sabe que eles saem de seu convívio para estudar na capital, passam por problemas financeiros, começam conhecer a farmocologia, ter facilidade de conseguir receita e quando pensa que não está tomando dipirona, ansiolítico, tarja preta para dormir”, conta Maria Glaudimar.

Por conta disso, ela que também leciona para graduação, costuma aconselhar os estudantes diretamente e agir para dar o exemplo. Mesmo diante da perda de um grande amigo, com quem atuou em vários plantões ao longo dos anos, a enfermeira não deixou de trabalhar e seguiu em frente. “Todos sabiam da nossa proximidade. No início da pandemia ele me indicou para uma entidade privada também. Foi meu aluno e eu tinha o maior orgulho porque era um grande profissional, que se destacava”, conta.

O amigo em questão era Gilberto Pinheiro da Silva, 31, que morreu em 27 de setembro. O corpo dele chegou a ser trocado com outro paciente, de acordo como informações do Hospital Dephina Aziz, por se tratar do mesmo nome. Contaminada pelo novo coronavírus em abril, Maria Glaudimir afirma que o olfato não voltou até agora. A rinite alérgica também sumiu, mas ela preferia tê-la de volta, juntamente como olfato. Sua maior perda, ela afirma, foi o amigo Gilberto.

Entre desinformação e conhecimento

Foto do ensaio Insulae de Rahael Alves sobre a pandemia em Manaus

Atualmente, a Fiocruz coordena a pesquisa nacional “Condições de Trabalho dos Profissionais de Saúde no Contexto da Covid-19”. Outro estudo é o da Unifesp: “Médicos na linha de frente à pandemia Covid-19: incidência da síndrome de Burnout”. A avaliação será realizada a partir da amostra de 500 profissionais – 250 médicos da linha de frente e 250 de outras áreas.  

“A gente trabalha como sempre e agora um pouco mais”, afirma o médico Antônio José Moreira de Carvalho, que trabalha desde 1998 no sistema público. “Então, quando a gente adoece, a gente vira paciente, muda de posição na mesa. Desconheço política de atenção ao profissional de saúde, mas como os recursos são escassos, entendo que neste momento o aparelhamento seja direcionado ao paciente. Se o trabalhador do SUS adoecer, vira paciente.”

Carvalho está lotado na Unidade Básica de Saúde (UBS) Vicente Pallotti (na zona Sul de Manaus), porta de entrada do atendimento dos hospitais. “No período crítico, atendíamos 16 pacientes pela manhã e a mesma quantia à tarde, durante a nossa jornada de 20 horas semanais. Eram todos casos de suspeita de Covid. O meu trabalho era fazer o possível para tratá-los de forma que não impactasse ainda mais o sistema de urgência e emergência”, conta.

Nesta pandemia, os profissionais de saúde também acabaram tendo mais dificuldade para relacionar as circunstâncias que interferem em seu trabalho, de acordo com a percepção da psicóloga Priscilla Cabral, que atua há dois anos no Instituto da Mulher Dona Lindu. “A gente tem uma grande parte de médicos a técnicos com dificuldades de pensar criticamente sobre o próprio trabalho, porque têm de lidar com tudo de forma pragmática. Sei de médicos que receitaram cloroquina para técnicos e vários deles tomaram, mesmo sem comprovação. Pensei que a pandemia pudesse mudar alguns tipos de postura”, afirma.

Mas houve ensinamentos e alguns deles transformadores. Em um quadro de depressão que vinha enfrentando há praticamente um ano, a enfermeira Glenda Soares da Encarnação, que abre esta reportagem, se viu diante de situações que ressignificaram o sentido que dava à vida. A experiência de atuar diretamente no atendimento de urgência e emergência no combate à Covid-19 mudou sua percepção. “Quando vi tantas pessoas precisando da gente, do nosso trabalho, vejo que o nosso sofrimento não se resume em nada. Um dos casos que me marcou muito foi o de um senhor, morador de rua, que não tinha ninguém por ele e confiou a mim a informação de que ele tinha um dinheiro no bolso que pertencia a um amigo. Poucos minutos depois ele morreu”, conta.

A enfermeira Glenda Soares (Foto: arquivo pessoal)

Esta reportagem é apoiada pela Open Society Foundations dentro do projeto “Marcas da Covid-19 na Amazônia”

Por: Steffanie Schmidt
Fonte: Amazônia Real

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